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Mundo

Sexta, 15 Dezembro 2017 09:56

Banda U2 conta por que respeita tanto o Papa Francisco

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Na edição de 10 de dezembro do programa televiso Che Tempo Che Fa, do canal italiano Rai Uno, o apresentador Fabio Fazio recebeu Bono Vox e The Edge, da banda irlandesa U2. Além de cantar, eles responderam a perguntas que, desde o início, envolveram o Vaticano.


Fabio Fazio perguntou, com bom humor, o que Bono tinha sentido ao saber que The Edge havia cantado na Capela Sistina e ele não. “Olha, eu não tenho muita certeza de que foi a escolha certa…“, brincaram os interlocutores. The Edge aproveitou para compartilhar o seu maravilhamento com aquela experiência:


“Foi muito, muito bonito e também uma honra enorme para mim. E foi bonito que isso não aconteceu por causa da minha música, mas por causa do que eu faço no tocante à pesquisa médica: graças aos médicos maravilhosos com quem eu trabalho, pude participar da Conferência no Vaticano e descobrir que eles tinham me pedido para tocar. Eu respondi: ‘Mas é claro, com prazer! Onde é que eu vou tocar?’. [Quando soube que tocaria justamente na Capela Sistina] fiquei em choque, foi incrível: o som, a acústica naquela capela belíssima, ela tem um eco realmente incrível”.


Por sua vez, Bono impactou o público ao explicar um dos motivos pelos quais o U2 respeita tanto o Papa Francisco:


“O Vigário de São Pedro é um servo mesmo, um servo de todos. Todo mundo se pergunta onde é que está Deus, onde está esse Deus… Ele pode estar em todos os lugares, em muitos lugares… Quando ficamos confusos perguntando onde é que Deus mora, o Papa nos diz: ‘Vão encontrar os pobres, porque Deus está onde estão os pobres’. O Papa entende esta afirmação perfeitamente e com profundidade. Nós o respeitamos muito por isso”.


A banda apresentou ainda o disco Songs of Experience, que dá destaque à família já desde a capa:


“As músicas do Songs of Experience têm um lugar muito especial para nós. Durante a composição, uma coisa que ajudou muito foi pensar na nossa família, na amizade e na relação com o público. Essas músicas são cartas… cartas de amor, em certo sentido. Uma delas é dirigida aos Estados Unidos, que estão atravessando um momento difícil; ela é voltada realmente à alma americana. Como letrista, eu queria escrever exatamente o que eu sentia, em especial pela minha família e pela minha esposa, que é maravilhosa. Eu comecei a sair com ela na mesma semana em que decidimos criar o U2: foi uma semana insana”.( Lucandrea Massaro | 13 de Dezembro de 2017)

Por que não se fala disto? Só porque foi perpetrado pelos comunistas?


O Papa Francisco recordou neste domingo os cerca de 3,5 milhões de vítimas da fome provocada deliberadamente nos campos da Ucrânia pelas políticas do ditador comunista Joseph Stalin, da antiga União Soviética, entre 1932 e 1933, para “coletivizar” fazendas de gado e terras agrícolas.


O abominável episódio, chamado hoje de Holodomor, foi o mais vultoso, mas não o único do gênero: 1,5 milhão de pessoas no Cazaquistão e quase outro milhão de habitantes do norte do Cáucaso e de regiões ao longo dos rios Don e Volga sofreram suplícios semelhantes, na mesma época, também causados propositalmente pelo governo comunista.


Em mensagem ao povo ucraniano, o Papa Francisco mencionou “a tragédia do Holodomor, a morte por fome provocada pelo regime estalinista que deixou milhões de vítimas. Rezo pela Ucrânia, para que a força da paz possa curar as feridas do passado e promover caminhos de paz”.


O genocídio ucraniano começou devido à resistência de muitos camponeses do país à coletivização forçada, uma das bases do regime comunista por implicar a supressão da propriedade privada. Os soviéticos confiscaram maciçamente o gado, as terras e as fazendas dos ucranianos e lhes impuseram punições que iam de trabalhos forçadosao assassinato sumário, passando por brutais deslocamentos de comunidades inteiras.


Apesar de ter-se tratado do extermínio sistemático de um povo, ainda não há, na assim chamada “comunidade internacional”, um reconhecimento amplo e claro do genocídio ucraniano. Algumas correntes ideológicas evitam o termo genocídio alegando que o Holodomor teria sido, a seu ver, uma consequência de “problemas logísticos” associados às radicais alterações econômicas da União Soviética. Ou seja, uma coisa deixaria de ser essa coisa porque chegou a ser essa coisa como efeito colateral de alegadas boas intenções…


É bastante interessante observar que, recorrente e teimosamente, são confeccionadas teorias suavizantes e condescendências “técnicas”para driblar a verdade sobre o comunismo: essa aberração histórica jamais passou, nem poderia, de uma monstruosidade tão odiosa e criminosa quanto o nazismo.


Aliás, falando em nazismo, praticamente todo o mundo já ouviu falar do Holocausto. Muitíssimo menos gente já ouviu falar do Holodomor. Não se trata de comparar os horrores, mas de questionar o relativo silêncio em torno a este em comparação com a ampla divulgação que se dá àquele, sem que qualquer desses episódios atrozes seja “menos grave” ou “mais grave” que o outro. Só há relativização moral do extermínio humano, afinal, na mente de quem o instrumentaliza.


Mas é fato que praticamente todo o mundo que tem acesso à mídia já ouviu dizer que Hitler matou 6 milhões de judeus nos campos nazistas de concentração e extermínio entre 1933 e 1945 (embora se dê menos atenção ao fato de que esse extermínio sistematizado também se estendeu a minorias menos recordadas, como ciganos, poloneses, prisioneiros de guerra soviéticos, deficientes físicos e mentais, homossexuais, além de minorias clamorosamente “esquecidas”, como as vítimas católicas – São Maximiliano Kolbe e Santa Teresa Benedita da Cruz são dois exemplos ilustres dentre muitos outros quase ignorados, mas bastam para questionar a campanha de desinformação orquestrada por quem acusa a Igreja de ter sido “cúmplice” daquela carnificina).


Sem que se diminua em nada, portanto, a necessidade imperiosa de reconhecer o horror a que foram submetidos covardemente o povo judeu e as outras minorias perseguidas pelo nazismo, é preciso observar em paralelo que, comparativamente, muitíssimo menos gente já ouviu dizer que Stalin matou, pouco antes, 6 milhões de ucranianos, cazaques e outras minorias soviéticas mediante a imposição da fome massiva. E também são ainda muito poucos os que sabem dos outros 14 milhões de pessoas que foram assassinadas pelo comunismo só na União Soviética, para nem falar do restante de vítimas em uma lista estarrecedora de seres humanos exterminados pelo mesmo comunismo no mundo todo ao longo do século XX:


• 65 milhões na República Popular da China
• 1 milhão no Vietnã
• 2 milhões na Coreia do Norte
• 2 milhões no Camboja
• 1 milhão nos países comunistas do Leste Europeu
• 1,7 milhão na África
• 1,5 milhão no Afeganistão
• 150 mil na América Latina


• 10 mil como resultado das ações do movimento internacional comunista e de partidos comunistas fora do poder.


Esta soma petrificante de 94,4 milhões de pessoas exterminadas pelos regimes comunistas é estimada pelos autores de “O Livro Negro do Comunismo: Crimes, Terror, Repressão“, uma obra coletiva de professores e pesquisadores universitários europeus encabeçados pelo francês Stéphane Courtois. Como o livro é de 1997, ele obviamente não computa as mortes cometidas de lá para cá nas regiões que continuaram sujeitas a esse regime e aos seus métodos essencialmente opressivos, como a China e a Coreia do Norte; nem, é claro, nas regiões que retrocederam na sua trajetória democrática para reeditar essa aberração histórica – como a Venezuela de Chávez, Maduro e seus comparsas do Foro de São Paulo.


Numa época em que as farsas de viés socialista voltam a se apresentar ao mundo como “libertadoras do povo” (novamente, vide Venezuela, mas vide também as modalidades de “fatiamento da riqueza” praticadas por governos de ideologia socialista em países como Cuba, Argentina e mesmo o Brasil), a verdade sobre o comunismo costuma ser “evitada” nas TVs e nos “grandes” jornais e revistas a serviço desse mesmo projeto de poder – que não é exatamente um poder “do proletariado”, como prega, descaradamente, a sua propaganda (a este propósito, nunca é demais recordar o magistral resumo feito por George Orwell sobre a “igualdade” realizada pelo comunismo: “Todos são iguais, mas alguns são mais iguais que outros“).


Dentro desse contexto ideológico e da tergiversação dos fatos que é uma sua característica indissociável, é digno de aplausos que o Papa Francisco tenha dado nome aos bois – assim como já deu a outro genocídio amplamente “esquecido” pelo mundo até recentemente: aquele que a Turquia otomana perpetrou contra a Armênia cristã em 1915.( Francisco Vêneto )

A entidade internacional se mostra incoerente e parcial, já que nos países muçulmanos adota símbolos explicitamente islâmicos


As filiais belgas da Cruz Vermelha receberam uma mensagem de e-mail enviada pelo Comitê Provincial de Liège pedindo que todos os crucifixos sejam retirados dos centros que essa organização internacional de ajuda possui no país.


André Rouffart, presidente da entidade em Verviers, confirma o fato:


“Eles nos pediram para respeitar os princípios da entidade (…) sem distinguir entre raças ou crenças religiosas”.


Rouffart afirmou que voluntários e outros membros da organização manifestaram descontentamento com a decisão, que consideram uma forma de censura. Um voluntário entrevistado pela rede belga RTL denunciou:


“Esta é a decadência da Bélgica. Substituímos o Natal pelas férias de inverno. O mercado natalino de Bruxelas agora se chama ‘Prazeres de Inverno’. As cruzes foram retiradas das casas da Cruz Vermelha e, especialmente, de Verviers, por causa de certa parcela da população”.


Ele se refere a pressões que estariam sendo exercidas por grupos muçulmanos.


As objeções islâmicas a símbolos da Cruz Vermelha que evocam o cristianismo não seriam novidade.


Em 1876, o Império Otomano se queixou de que a bandeira da Cruz Vermelha evocava raízes cristãs e, portanto, era ofensiva para os soldados muçulmanos. Diante disso, o movimento decidiu oficialmente promover a ideia de que a bandeira da Cruz Vermelha não evocava religião alguma, tratando-se da inversão das cores da bandeira da Suíça, país natal da entidade e referência de neutralidade. Mesmo assim, a cruz foi sendo substituída em países muçulmanos pelo símbolo islâmico da meia-lua (ou lua crescente) – no Irã, chegou a ser usado até 1980 o emblema persa do leão e do sol, ambos em cor vermelha, mas hoje o país também usa a meia-lua islâmica. O próprio nome da Cruz Vermelha, nessas nações, foi trocado para Crescente Vermelho.


É relevante observar que o nome e o símbolo islâmicos, mesmo sendo abertamente religiosos, não despertam crítica alguma. Só os símbolos cristãos é que podem ser criticados e combatidos, “em respeito à neutralidade e à liberdade religiosa“… E isso que a própria Cruz Vermelha afirma (questionavelmente, diga-se de passagem) que a cruz da sua bandeira não teve origens cristãs.


Em resumo: nos países muçulmanos, a Cruz Vermelha pode (e deve) suprimir a própria identidade para dar lugar a símbolos abertamente islâmicos. Já na Bélgica, uma terra do âmbito cristão que deu origem a essa organização filantrópica, o crucifixo deve ser retirado e escondido para não “ofender” os seguidores do islã, que, no país, somam 6% da população.


A democracia manda lembranças.(Francisco Vêneto | 11 de Dezembro de 2017)

“A ideia de que tudo é resultado do acaso e da diversidade estatística é inaceitável. Existe uma inteligência em um nível superior, que vai além da existência do próprio universo”


É instigante uma recente reflexão do físico italiano Antonino Zichichi, cuja autoridade científica, durante bastante tempo, sofreu uma campanha de descrédito promovida por expoentes do mundo anticlerical. Motivo? Zichichi afirmou, muitas vezes, que acredita em Deus graças à ciência.

 

Apesar das tentativas de alguns militantes ateístas de diminuí-lo por causa da sua crença em Deus, Zichichi continua muito bem avaliado no H-Index, uma espécie de escala que mede o impacto de indivíduos no mundo científico: o índice dele é 62, igual ao de Stephen Hawking e bastante superior, por exemplo, ao de Sheldon Lee Glashow (52), que é ganhador do Prêmio Nobel.


Zichichi é professor emérito de Física na Universidade de Bolonha, vencedor do Prêmio Fermi e ex-presidente da European Physical Society (EPS) e do Instituto Nacional de Física Nuclear, da Itália. Com esses atributos nada desprezíveis, ele escreveu:


“As descobertas científicas são a prova de que não somos filhos do caos, mas sim de uma lógica rigorosa. Se há uma lógica, deve haver um Autor”.


O físico afirma que a ciência não pode explicar ou reproduzir milagres. Isto equivaleria a “iludir-se com a ideia de descobrir a existência científica de Deus“, o que, para ele, é impossível:


“Se a ciência O descobrisse, Deus só poderia ser um fato da ciência e ponto final. Se a matemática chegasse ao ‘Teorema de Deus’, o Criador do mundo só poderia ser um fato da matemática e ponto final. Seria pouca coisa. Para nós, crentes, Deus é tudo, não apenas uma parte do todo”.


Dito de outra forma: se Deus pudesse ser destrinchado pela ciência (a famosa “prova científica” tão pedida pelos antiteístas), então Ele não seria mais o Criador, mas apenas uma criatura.


Zichichi descreve duas realidades da existência: a transcendente e a imanente. Esta última, diz ele, é estudada pelas descobertas científicas, enquanto a primeira é de competência da teologia.


“É um erro pretender que a esfera transcendente deva ser como a que estudamos em nossos laboratórios. Se as duas lógicas fossem idênticas, não poderia haver milagres, mas somente descobertas científicas. Se fosse assim, as duas esferas, a do imanente e a do transcendente, seriam a mesma coisa. É isto o que reivindicam os que negam a existência do transcendente, como faz a cultura ateia. Não é um detalhe. Os milagres são a prova de que a nossa existência não é exaurida no imanente. Existe algo além”.


“…é uma inteligência muito superior à nossa. É por isso que as grandes descobertas não vieram da melhora dos cálculos e das medidas, mas do totalmente inesperado. O maior dos milagres, como dizia Eugene Wigner, um gigante da ciência, é que a ciência existe”.


As palavras de Zichichi se conectam claramente às reflexões de Albert Einstein, que escreveu:


“Você acha surpreendente que eu pense na compreensibilidade do mundo como um milagre ou um eterno mistério? Afinal, poderíamos esperar, a priori, um mundo caótico, totalmente impenetrável pelo pensamento. No entanto, o tipo de ordem que, por exemplo, foi criada pela teoria da gravitação de Newton é de caráter completamente diferente: embora os axiomas da teoria tenham sido postos pelo homem, o seu sucesso pressupõe um alto grau de ordem no mundo objetivo, que não tinha qualquer justificativa para ser previsto a priori. É aqui que surge o sentimento do ‘milagroso’, que cresce cada vez mais à medida que o nosso conhecimento se desenvolve. E aqui reside o ponto fraco dos positivistas e dos ateus de profissão, que se sentem pagos pela consciência por terem não apenas liberado com sucesso o mundo de Deus, mas até mesmo por tê-lo privado dos milagres” (cf. A. Einstein, carta a Maurice Solovine, GauthierVillars, Paris, 1956).


Único Nobel italiano ainda vivo, o físico Carlo Rubbia também se deixou questionar pelo porquê de a ciência poder ser tão eficaz:


“Se contamos as galáxias do mundo ou demonstramos a existência das partículas elementares, de forma análoga provavelmente não podemos ter provas de Deus. Mas, como pesquisador, eu sou profundamente impactado pela ordem e beleza que encontro no cosmos, bem como dentro das coisas materiais. E, como observador da natureza, não posso deixar de pensar que existe uma ordem superior. A ideia de que tudo isso é resultado do acaso ou da pura diversidade estatística é, para mim, completamente inaceitável. Existe uma inteligência em um nível superior, que vai além da existência do próprio universo” (C. Rubbia, Neue Zürcher Zeitung, março de 1993).(Aletheia)

Quinta, 30 Novembro 2017 09:03

Em Mianmar, Papa pede respeito a todos os grupos étnicos

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O Papa Francisco pediu nesta terça-feira (28), em Mianmar, o “respeito a todos os grupos étnicos”, mas evitou pronunciar a palavra “rohingya”, e não fez menção direta ao êxodo desta minoria muçulmana vítima de perseguições.


Contrariamente a sua postura habitual, o pontífice evitou falar diretamente da violência no oeste de Mianmar. Desde o final de agosto, mais de 620.000 rohingyas se refugiaram em Bangladesh, fugindo dos abusos, assassinatos e torturas cometidos pelo Exército birmanês e por milícias budistas.


Em um discurso pronunciado diante das autoridades civis do país na capital de Naypyidaw, no segundo dia da primeira visita de um papa a Mianmar, Francisco também pediu um “compromisso pela justiça e respeito aos direitos humanos”.


O papa se pronunciou após encontrar a líder birmanesa Aung San Suu Kyi no palácio presidencial, na capital Naypyidaw, para uma reunião de 45 minutos.
No encontro, Suu Kyi se comprometeu a proteger os direitos e promover a tolerância para todos.


“Nosso governo tem como objetivo realçar a beleza de nossa diversidade e reforçá-la, ao incentivar a tolerância e garantira segurança para todos”, declarou a Prêmio Nobel da Paz.


A Igreja birmanesa defende a Nobel da Paz diante das múltiplas críticas à sua falta de empatia por esta minoria que vive principalmente no oeste do país.
Sinal da reprovação internacional, a cidade britânica de Oxford, onde Suu Kyi estudou e criou seus filhos, retirou o título honorário entregue a ela em 1997.
“Hoje, tomamos a medida sem precedentes de despojá-la da mais alta honra da cidade por sua falta de ação diante da opressão da minoria dos rohingyas”, afirma o texto, aprovado por unanimidade.


– Temores da Igreja local –


O discurso do papa era aguardado com ansiedade. Em agosto, ele expressou “toda sua proximidade”, ao se referir a seus “irmãos rohingyas”.
“Todos nós pedimos ao Senhor que os salve e que inspire homens e mulheres de boa vontade a ajudá-los a ter todos seus direitos respeitados”, acrescentou.
Mas a Igreja Católica local havia pedido que não contrariasse uma população predominantemente budista, usando a palavra “rohingya”, verdadeiro tabu no país.
O arcebispo de Yangun, Charles Bo, primeiro cardeal do país, recomendou que o pontífice evitasse essa palavra e adotasse a expressão “muçulmanos do estado de Rakine”.


Essa terminologia oficial e neutra é a que a líder birmanesa Aung San Suu Kyi gostaria de impor para evitar a guerra semântica entre a denominação “bengali” (usada pela maioria budista de Mianmar) e “rohingya” (usada por esses muçulmanos para se referirem a si mesmos).


O termo “bengali” é devido ao fato de, em Mianmar, serem considerados imigrantes ilegais do vizinho Bangladesh, apesar de muitos deles viverem no país há várias gerações.


“Mesmo sem dizer a palavra, sabemos que se trata dos rohingyas. Devemos apoiar os pobres, aqueles que sofrem”, declarou à AFP uma religiosa católica da Tailândia que viajou para Yangun para assistir à grande missa papal na quarta-feira.


“É claro que desejaria que o papa usasse a palavra rohingya”, disse à AFP Aung Kyaw Moe, um ativista rohingya.


“Pode ser que não use aqui, mas ao final de seu viagem, quando estiver em Bangladesh”, acrescentou.


Segundo as Nações Unidas, o Exército realiza no oeste de Mianmar uma “limpeza étnica” contra os rohingyas.


Isso não impediu o chefe do Exército, general Min Aung Hlaing, de assegurar ao papa na segunda-feira que “não há, de jeito nenhum, discriminação religiosa” no país.


O encontro entre o papa e o general – “de cortesia”, segundo o Vaticano – durou apenas 15 minutos.


Desde a promulgação de uma lei em 1982, os rohingyas foram privados da nacionalidade birmanesa e constituem a maior população apátrida do mundo.
São vítimas de múltiplas discriminações: trabalho forçado, extorsão, restrições à liberdade de circulação, regras injustas de casamento e confisco de terras. Também têm acesso limitado à educação e a outros serviços públicos.(Aletheia)

Aristóteles disse que a amizade é a coisa mais necessária na vida. Cícero assegurou que a amizade é o sol da vida. Sobre pais e mães há milhares de frases famosas. Mas a literatura é escassa em elogios aos tios. Isso há de mudar, principalmente porque existem tios como Toni Nadal.


Toni entrou em nossas vidas há 27 anos, quando começou a treinar seu sobrinho Rafa, um dos melhores tenistas da história. Rafa soube enfrentar as lesões, lutar, ganhar partidas em que não era favorito, levantar-se, jogar com dores nos joelhos e, além disso, viver o espírito esportivo, a boa educação e o sorriso graças ao seu ambiente familiar e profissional. Para isso, Toni Nadal foi essencial.


O Prêmio Nobel da Paz, Desmond Tutu, disse que a gente não escolhe nossa família e que ela é um presente que Deus nos dá. Rafael Nadal teve a sorte de ter como tio um homem forte, ambicioso, humilde e valente.


Recentemente, o jornal El País publicou uma carta em que Toni informa que está se aposentando como técnico. É uma carta muito emotiva, da qual destacamos algumas frases:


1. Em primeiro lugar, o título. “Obrigado, Rafael”. Não há um verbo em primeira pessoa nem um lamento. A valorização de todos esses anos é de alguém que reconhece qual é o seu papel nessa história. Seu dedo aponta para a estrela, ou seja, Rafa.


2. O sentido pedagógico do treinamento: “Desde o início da trajetória de meu sobrinho no tênis, tentei desenvolver um caráter forte e resolutivo para fazer frente às dificuldades do tênis em particular e da vida em geral”.


3. Como ele colocou Rafa para cima: “Fui mais irritante que gentil, mais exigente que orgulhoso. Procurei nele mais um ponto de insatisfação do que de aprovação e sempre transferi para ele toda a responsabilidade”.


4. Espírito de fair play: “Tive a sorte de conviver com uma geração de grandes jogadores, mas sempre quis que a defesa dos interesses do meu jogador não me impedisse de ver os outros de uma perspectiva mais ou menos equânime. Nunca quis que a rivalidade ultrapassasse os limites da quadra nem enxerguei nenhum adversário como inimigo. Isso me permitiu apreciá-los, respeitá-los e aprender com eles”.


5. Chamada à ação virtuosa do esporte. In medio virtus, dizia Aristóteles. E o técnico levou isso para a dimensão que o esporte tomou na vida das pessoas: “Creio que nos faria muito bem se começássemos a moderar nossas paixões no campo esportivo e estendê-las às outras áreas de nossa vida”.
6. Agradecimento às pessoas que fizeram parte da jornada, principalmente à equipe: “Agradeço pela entrega, pelo compromisso, pela amizade. A convivência com todos me enriqueceu enormemente como profissional e, claro, como pessoa”.


7. Reconhecimento ao trabalho jornalístico: os jornalistas “demonstraram tanto rigor quanto respeito pela figura de meu sobrinho e, por extensão, pela minha. Não caíram na prática do desprestígio quando as coisas estavam complicadas para o Rafael. Sentimos muito mais o alento e a compreensão dos meios de comunicação do que a intenção de colocar lenha na fogueira quando atravessávamos crises ou quando sofríamos por causa das lesões”.


8. A apreciação pelo “respaldo e carinho” de Nadal, que se manifestaram inclusive nas noites em claro, assistindo às partidas.


9. Agradecimentos a Rafa: “A relação com ele sempre foi atipicamente fácil dentro do mundo em que vivemos. Graças à sua educação, respeito e paixão, pude entender esta profissão. Graças a ele vivi experiências que superaram todos os meus sonhos como técnico. Viajei ao seu lado a lugares incríveis e conheci pessoas relevantes e interessantes. Hoje, sinto-me enormemente valorizado e querido, pois a figura dele engrandeceu a minha muito mais do que eu mereço.”


10. “Para não haver mais lágrimas, melhor um até logo, porque isso não se acaba. Vou com meus alunos de Manacor”.


Você pode imaginar a carta que Rafael vai querer escrever para seu tio? Sem dúvida, ela será selada em cada partida que ele jogar a partir de agora, porque o exemplo de Toni Nadal seguirá empunhando a raquete de Rafa.


Il sangue del soldato fa grande il capitano, dizem na Itália. Em bom português: o sangue do soldado engrandece o capitão.(Aletheia)

Terça, 21 Novembro 2017 10:50

Quando devo montar a árvore de Natal?

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Veja o que diz a tradição cristã


Hoje ela é rodeada de presentes, e majestosamente enfeitada com bolas e guirlandas luminosas. Mas nem sempre foi assim. Antigamente, a árvore de Natal era decorada com frutas, flores e doces.


A tradição surgiu na França do século XVI, quando só havia permissão para cortar árvores a partir do dia 21 de dezembro. As pessoas, então, deixavam as árvores em suas casas até 24 de dezembro. Depois, a tradição foi mudando. Atualmente, algumas pessoas montam a decoração uma ou duas semanas antes do Natal para conservá-la bem até a noite natalina. Mas há também os que seguem a tradição cristã e tomam o calendário do Advento como referência.

 

No começo do Advento


Segundo a tradição cristã, é costume decorar a árvore de Natal a partir do primeiro domingo do Advento (que este ano cai no dia 3 de dezembro) e desmontá-la na Epifania, que é celebrada em 6 de janeiro.


Realmente, se a árvore está lá para decorar e dar um ar mais caloroso ao interior da casa, tem tudo a ver permanecer lá para acompanhar este período de espera pelo nascimento de Cristo.


Já a tradição ortodoxa diz que a árvore deve ser preparada no dia 6 de dezembro – dia de São Nicolau.


Duas semanas antes do Natal


Se você escolher uma árvore artificial, não há nenhum problema em montá-la um mês antes. Mas a coisa muda de figura se ela for natural. Se você for usar o autêntico pinheiro de Natal, recomenda-se adquiri-lo duas semanas antes do dia 25 de dezembro, para que ele fique bem conservado e bonito para o “dia D”.
Aproveitar as ofertas


Por fim, fugindo dos critérios da tradição cristã e da conservação do pinheiro, você pode levar em conta outro detalhe: as árvores decorativas têm preços mais baixos perto do Natal, inclusive no dia anterior, pois as lojas querem zerar os estoques.


Assim, nada impede que você aproveite um pouco mais da decoração mesmo depois da Noite Feliz.( Morgane Macé (Aleteia) | 20 de Novembro de 2017)

100% do valor será destinado a iniciativas em favor de vítimas da miséria, da perseguição terrorista e do tráfico humano


Ele atinge 325 km/h, é branco e tem duas listras amarelas percorrendo a sua carroceria. Personalizado com as cores vaticanas, o Lamborghini Huracán RWD recém-presenteado ao Papa Francisco será leiloado em 12 de maio de 2018.


Os recursos obtidos com o leilão serão entregues diretamente ao Papa, que já decidiu destiná-los aos seguintes 3 projetos:


1) Reconstrução da Planície de Nínive, no Iraque
A cargo da fundação pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre, este projeto focará no retorno dos cristãos e outras minorias a essa região iraquiana que foi brutalmente devastada pelo Estado Islâmico.
2) Luta contra o tráfico de mulheres
A “Casa Papa Francesco” é uma iniciativa da comunidade Papa João XXIII, comprometida há 50 anos em acolher e cuidar de mulheres que foram vítimas do tráfico humano e da prostituição.
3) África


Duas associações italianas que atuam especialmente na África também serão beneficiadas com recursos do leilão: a “Gicam“, do professor e médico Marco Lanzetta, e a “Amici del Centrafrica” (“Amigos da República Centro-Africana”). Ambas as entidades trabalham há muito tempo em projetos focados principalmente em mulheres e crianças em uma das regiões mais pobres do planeta.


O preço do Lamborghini Huracán RWD é de aproximadamente 200 mil euros (quase 800 mil reais), mas espera-se que o carro presenteado ao Papa seja arrematado por um valor mais alto.(Aleteia)

Em avassalador discurso de 7 minutos, talentoso rapaz com a síndrome dá recado aos "progressistas" que querem eliminá-la matando gente


O discurso de 7 minutos de Frank Stephens no Congresso dos Estados Unidos deu a volta ao mundo e pode ser um bom safanão na consciência endurecida dos autodenominados “progressistas” que consideram “um grande avanço” eliminar do mundo a Síndrome de Down mediante a eliminação das próprias pessoas com Síndrome de Down.


Frank Stephens é ator, escritor, porta-voz da Global Down Syndrome Foundation e membro da equipe administrativa da Special Olympics no Estado da Virgínia. Ele mesmo tem a síndrome – e uma vida com mais conquistas e realizações do que a média das pessoas sem a síndrome.


Seu discurso começou bem direto:


“Quero dizer que não sou cientista nem pesquisador. Mesmo assim, ninguém sabe mais da vida de uma pessoa com Síndrome de Down do que eu. Seja o que for que vocês aprenderam hoje, lembrem-se disso: eu sou um homem com Síndrome de Down e a minha vida vale a pena”.


Esse “lembrete” é dirigido à absurda ideia de que um bebê pode ou até deve ser abortado pelo simples fato de ter Síndrome de Down. Sim, há gente que defende essa ideia – e financia a sua prática. Ainda mais assustador: há governos que apoiam a sistemática eliminação dos bebês cuja síndrome é diagnosticada. Recentemente, foram divulgadas as chocantes estatísticas que apontam a Dinamarca e a Islândia como países em que 100% dos bebês com Síndrome de Down são exterminados mediante o aborto.


Para Frank, existe uma opinião estendida a respeito das pessoas com Síndrome de Down que é “profundamente influenciada por um preconceito ultrapassado”. Ele começa a desmontar esse preconceito contando um pouco da própria vida:


“Eu tenho uma vida muito interessante. Já dei aula em universidades, atuei num filme premiado, num programa de televisão premiado no Emmy e dei palestra a milhares de jovens sobre o valor da inclusão. Visitei duas vezes a Casa Branca e não precisei pular a cerca. Realmente, acho que eu não precisaria justificar a minha existência”.


Mesmo não precisando justificar a própria existência, Frank citou três argumentos que destacam o valor das pessoas com Síndrome de Down:


1 – “Nós somos um presente médico para a sociedade, um plano para a pesquisa médica sobre o câncer, o Alzheimer e os transtornos do sistema imunológico“.
2 – “Somos uma fonte incomum e poderosa de felicidade. Sem dúvida, a felicidade tem valor“. A referência é um estudo da Universidade de Harvard apontando que as pessoas com Síndrome de Down, bem como os seus pais e irmãos, percebem a vida com um grau de felicidade maior que o normal.
3 – A existência das pessoas com Síndrome de Down é um testemunho e um alerta: “Nós somos o canário na mina de carvão. Damos ao mundo a oportunidade de pensar sobre a ética de escolher quais seres humanos merecem uma oportunidade de viver“.
Para encerrar, Frank fez menção à “Solução Final”, termo que descreve a política nazista de extermínio genocida de judeus e outras minorias, e exortou seus compatriotas:


“Sejamos os Estados Unidos, não a Islândia nem a Dinamarca. Busquemos respostas, não ‘soluções finais’”.


O recado está dado – e muito bem dado.(Aleteia)

Segunda, 30 Outubro 2017 10:11

Papa: cristãos chamados a dar novamente alma à Europa

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O Papa Francisco recebeu na tarde deste sábado (28/10) na Sala do Sínodo, no Vaticano, os participantes da Conferência “(Re) thinking Europa. Uma contribuição cristã ao futuro do projeto europeu”, promovido pela Comissão dos Episcopados da Comunidade Europeia (COMECE). Eis seu pronunciamento na íntegra:


“Eminências, Excelências,


Distintas autoridades,


Senhores e Senhoras,


Tenho a alegria de tomar parte neste momento conclusivo do Diálogo “(Re)thinking Europa. Uma contribuição cristã ao futuro do projeto europeu”, promovido pela Comissão dos Episcopados da Comunidade Europeia (COMECE). Saúdo particularmente o Presidente, Sua Eminência o Cardeal Reinhard Marx, como também o honorável Antonio Tajani, Presidente do Parlamento Europeu, e vos agradeço pelas deferentes palavras que pouco antes me dirigiram. A cada um de vocês desejo expressar vivo apreço por terem participado em grande número a este importante âmbito de discussão. Obrigado!


O Diálogo destes dias ofereceu a oportunidade de refletir de modo mais amplo sobre o futuro da Europa a partir de uma multiplicidade de perspectivas, graças à presença entre vocês de diversas personalidades eclesiais, políticas, acadêmicas ou simplesmente representantes da sociedade civil.


Os jovens puderam expressar as suas expectativas e esperanças, debatendo com os mais idosos, os quais, por sua vez, tiveram a ocasião de oferecer a sua bagagem carregada de reflexões e experiências. É significativo que este encontro tenha querido ser, antes de tudo, um diálogo no espírito de um debate livre e aberto, por meio do qual enriquecer-se reciprocamente e iluminar o caminho do futuro da Europa, ou seja, o caminho que todos juntos somos chamados a percorrer para superar as crises que atravessamos e enfrentar os desafios que nos esperam.


Falar de uma contribuição cristã ao futuro do continente significa, antes de tudo, interrogar-se sobre o nosso papel como cristãos hoje, nestas terras tão ricamente plasmadas no decorrer dos séculos pela fé. Qual é a nossa responsabilidade em um tempo em que o rosto da Europa é sempre mais marcado por uma pluralidade de culturas e de religiões, enquanto para muitos, o cristianismo é percebido como um elemento do passado, distante e estranho?


Pessoa e comunidade


No ocaso da antiga civilização, quando as glórias de Roma tornavam-se as ruínas que ainda hoje podemos admirar na cidade; quando novos povos pressionavam as fronteiras do antigo Império, um jovem fez ressoar a voz do salmista: “Quem é o homem que quer a vida e deseja ver dias felizes?”¹


Ao propor esta interrogação no Prólogo da Regra, São Bento orientou a atenção de seus conterrâneos e também a nossa sobre uma concepção do homem radicalmente diferente daquela que havia distinguido o classicismo greco-romano, e mais ainda daquela violenta que havia caracterizado as invasões bárbaras.


O homem já não é mais simplesmente um civis, um cidadão dotado de privilégios para consumar-se no ócio; já não é mais um miles, combativo servidor do poder de turno; sobretudo já não é mais um servus, mercadoria de troca privada de liberdade, destinada unicamente ao trabalho e ao desgaste.


São Bento não se preocupa da condição social, nem da riqueza, nem do poder. Ele visa a natureza comum de cada ser humano, que, qualquer que seja a sua condição, anela certamente a vida e deseja dias felizes.
Para Bento, não existem funções, existem pessoas. Não existem adjetivos, existem substantivo. É justamente este um dos valores fundamentais que o cristianismo trouxe: o sentido da pessoa, constituída à imagem de Deus. A partir de tal princípio, se construíram os mosteiros, que com ot empo se converteram em berço do renascimento humano, cultural e religioso, e também econômico do continente.


A primeira, e talvez maior contribuição que os cristãos podem dar à Europa de hoje é recordar que ela não é uma coleção de números ou de instituições, mas sim que é feita de pessoas.


Infelizmente, nota-se como frequentemente qualquer debate se reduz facilmente a uma discussão de cifras. Não existem cidadãos, existem votos. Não existem os migrantes, existem as cotas. Não existem trabalhadores, existem os indicadores econômicos. Não existem os pobres, existem os bolsões de pobreza.


O concreto da pessoa humana reduziu-se assim a um princípio abstrato, mais cômodo e tranquilizador. E se compreende a razão disto: as pessoas têm rostos, nos obrigam a uma responsabilidade real, concreta, “pessoal”; as cifras tem a ver com raciocínios, ainda que úteis e importantes, mas permanecem sempre sem alma. Nos oferecem um álibi para não nos comprometermos, porque nunca nos chegam a tocar a própria carne.


Reconhecer que o outro é antes de tudo uma pessoa, significa valorizar aquilo que me une a ele. O ser pessoa nos liga aos outros, nos faz ser comunidade.
Assim, a segunda contribuição que os cristãos podem dar ao futuro da Europa é a redescoberta do sentido de pertença a uma comunidade. Não por acaso os Padres fundadores do projeto europeu escolheram justamente tal palavra para identificar o novo sujeito político que ia se constituindo.


A comunidade é o maior antídoto aos individualismos que caracterizam o nosso tempo, àquela tendência difusa hoje no Ocidente a conceber-se e viver na solidão.
Se subentende o conceito de liberdade, interpretando-o como se quase fosse o dever de estar sozinhos, livres de qualquer vínculo, e como consequência, construiu-se uma sociedade desarraigada, privada de sentido de pertença e de herança. E isto para mim é grave.


Os cristãos reconhecem que a sua identidade é antes de tudo relacional. Eles estão inseridos como membros de um corpo, a Igreja (cfr 1Cor 12,12), no qual cada um com a própria identidade e peculiaridade, participa livremente à edificação comum.


Analogamente, tal relação se dá também no âmbito das relações interpessoais e da sociedade civil. Diante do outro, cada um descobre os seus méritos e defeitos; os seus pontos de força e as suas fraquezas: em outras palavras, descobre o seu rosto, compreende a sua identidade.


A família, como primeira comunidade, permanece o mais fundamental lugar de tal descoberta. Nela, a diversidade se exalta e ao mesmo tempo se recompõe na unidade. A família é a união harmônica das diferenças entre homem e a mulher, que é tanto mais verdadeira e profunda quanto mais é generativa, capaz de abrir-se à vida e aos outros.


Da mesma forma, uma comunidade civil é viva se sabe ser aberta, se sabe acolher a diversidade e os dotes de cada um e ao mesmo tempo se sabe gerar novas vidas, como também desenvolvimento, trabalho, inovação e cultura.


Pessoa e comunidade são portanto, os fundamentos da Europa que como cristãos queremos e podemos contribuir para construir. Os tijolos de tal edifício se chamam: diálogo, inclusão, solidariedade, desenvolvimento e paz.


Um lugar de diálogo


Hoje toda a Europa, do Atlântico aos Urais, do Pólo Norte ao Mar Mediterrâneo, não pode permitir-se de perder a oportunidade de ser, antes de tudo, um lugar de diálogo, sincero e construtivo ao mesmo tempo, em que todos os protagonistas têm mesma dignidade.


Somos chamados a construir uma Europa na qual podemos nos encontrar e confrontar em todos os níveis, assim como o era em um certo sentido a antiga ágora. Tal era, de fato, a praça da polis. Não somente espaço de troca econômica, mas também coração nevrálgico da política, sede em que se elaboravam as leis para o bem-estar de todos; lugar para o qual se assomava o templo, de forma que à dimensão horizontal da vida cotidiana não faltasse nunca o respiro transcendente que faz olhar para além do efêmero, do passageiro, do provisório.


Tudo isto nos impele a considerar o papel positivo e construtivo que no geral a religião possui na edificação da sociedade. Penso, por exemplo, na contribuição do diálogo inter-religioso no favorecer o conhecimento recíproco entre cristãos e muçulmanos na Europa.


Infelizmente, um certo preconceito laicista, ainda em voga, não é capaz de perceber o valor positivo para a sociedade do papel público e objetivo da religião, preferindo restringi-la a uma esfera meramente privada e sentimental.


Instaura-se assim também o predomínio de um certo pensamento único², tão difuso nos foros internacionais, que vê na afirmação de uma identidade religiosa um perigo para si e para a própria hegemonia, acabando assim por favorecer uma falsa contraposição entre o direito à liberdade religiosa e outros direitos fundamentais. Existe um divórcio entre eles.


Favorecer o diálogo – qualquer diálogo – é uma responsabilidade fundamental da política, e, infelizmente, se percebe muito frequentemente como ela se transforma antes em um lugar de choque entre forças opostas. As vozes do diálogo são substituídas pelos gritos das reivindicações.


De vários lugares se tem a sensação que o bem comum não é mais o objetivo primário perseguido e tal desinteresse é percebido por muitos cidadãos.


Encontram assim terreno fértil em muitos países as formações extremistas e populistas que fazem do protesto o coração de sua mensagem política, sem todavia oferecer a alternativa de um construtivo projeto político.

O diálogo é substituído ou por uma contraposição estéril – que pode também colocar em perigo a convivência civil – ou uma hegemonia do poder político que aprisiona e impede uma verdadeira vida democrática. Em um caso, são destruídas as pontes e no outro, se constroem muros. E hoje a Europa conhece ambos.


Os cristãos são chamados a favorecer o diálogo político, especialmente onde este é ameaçado e parece prevalecer o conflito.


Os cristãs são chamados a dar nova dignidade à política, entendida como máximo serviço ao bem comum e não como um ocupação de poder. Isto requer também uma adequada formação, porque a política não é “a arte da improvisação”, mas sim uma expressão elevada de abnegação e dedicação pessoal em vantagem da comunidade. Ser líder exige estudo, preparação e experiência.


Um âmbito inclusivo


A responsabilidade comum dos líderes é a de favorecer uma Europa que seja uma comunidade inclusiva, livre de um equívoco de fundo: inclusão não é sinônimo de uniformização indiferenciada. Pelo contrário, se é autenticamente inclusivos quando se sabe valorizar as diferenças, assumindo-as como patrimônio comum e enriquecedor.


Nesta perspectiva, os migrantes são um recurso mais do que um peso. Os cristãos são chamados a meditar seriamente a afirmação de Jesus: “Era estrangeiro e me acolheste” (Mt 25,35).


Sobretudo diante do drama dos refugiados e deslocados, não se pode esquecer o fato de se estar diante de pessoas, as quais não podem ser escolhidas ou descartadas ao bel prazer, segundo lógicas políticas, econômicas ou até mesmo religiosas.


Todavia, isto não está em contraste com o dever de toda autoridade de governo de gerir a questão migratória “com a virtude que é própria do governante, isto é, a prudência”³, que deve levar em consideração tanto a necessidade de ter um coração aberto, como a possibilidade de integrar plenamente em nível social, econômico e político, aqueles que chegam ao país.


Não se pode pensar que o fenômeno migratório seja um processo indiscriminado e sem regras, mas não se podem erguer tampouco muros de indiferença ou de medo.


Por sua vez, os próprios migrantes não devem esquecer o compromisso importante de conhecer, respeitar e também assimilar a cultura e as tradições da nação que os acolhe.


Um espaço de solidariedade


Trabalhar por uma comunidade inclusiva significa edificar um espaço de solidariedade. Ser comunidade implica, de fato, que nos apoiemos reciprocamente e assim, que não sejam somente alguns a poder carregar pesos e realizar sacrifícios extraordinários, enquanto outros permanecem petrificados na defesa de posições privilegiadas.


Uma União Europeia que, ao enfrentar as suas crises, não redescobre o sentido de ser um única comunidade que se sustenta e se ajuda – e não um conjunto de pequenos grupos de interesse – perderia não somente um dos desafios mais importantes da sua história, mas também uma das grandes oportunidades para o seu futuro.


A solidariedade, aquela palavra que tantas vezes parece que se quer tirar do dicionário. A solidariedade, que na perspectiva cristã encontra a sua razão de ser no preceito do amor (cfr Mt 22,37-40), não pode que ser a seiva vital de uma comunidade viva e madura.


Junto a um outro princípio base da subsidiariedade, esta diz respeito não somente às relações entre os Estados e as Regiões da Europa.

Ser uma comunidade solidária significa ter cuidado pelos mais fracos da sociedade, pelos pobres, por aqueles que são descartados pelos sistemas econômicos e sociais, a começar pelos idosos e pelos desempregados. Mas a solidariedade exige também que se recupere a colaboração e o apoio recíproco entre as gerações.


A partir dos anos sessenta do século passado está em andamento um conflito de gerações sem precedentes. Ao entregar às novas gerações os ideais que fizeram grande a Europa, se pode dizer hiperbolicamente que preferiu-se a traição à tradição. À rejeição daquilo que vinha dos pais, se seguiu um tempo de uma dramática esterilidade. Não somente porque na Europa se fazem poucos filhos – o nosso inverno demográfico – e muitos são aqueles que foram privados do direito de nascer – mas também porque nos descobrimos incapazes de entregar aos jovens os instrumentos materiais e culturais para enfrentar o futuro.


A Europa vive uma espécie de déficit de memória. Voltar a ser comunidade solidária significa redescobrir o valor do próprio passado, para enriquecer o próprio presente e entregar à posteridade um futuro de esperança.


Tantos jovens se encontram, pelo contrário, perdidos diante da ausência de raízes e de perspectivas, são desarraigados, “ao sabor das ondas, agitados por qualquer sopro de doutrina” (Ef 4,14); às vezes também “prisioneiros” de adultos possessivos, que sofrem em cumprir a tarefa que lhes corresponde.


É importante a tarefa de educar, não somente oferecendo um conjunto de conhecimentos técnicos e científicos, mas sobretudo trabalhando “para promover a perfeição integral da pessoa humana, como também para o bem da sociedade terrena e para a edificação de um mundo mais humano”(4). Isto exige o envolvimento de toda a sociedade. A educação é uma tarefa comum, que requer a ativa participação ao mesmo tempo dos pais, da escola e das universidades, das instituições religiosas e da sociedade civil. Sem educação, não se gera cultura e se torna árido o tecido vital das comunidades.


Uma fonte de desenvolvimento


A Europa que se redescobre comunidade, será certamente uma fonte de desenvolvimento para si e para todo o mundo. Desenvolvimento tem que ser entendido na acepção que o Beato Paulo VI deu a tal palavra. “Para ser autêntico desenvolvimento deve se integral, o que quer dizer voltado à promoção de cada homem e de todo o homem. Como foi justamente sublinhado por um eminente especialista: “nós não aceitamos separar o econômico do humano, o desenvolvimento da civilização onde se insere. Aquilo que conta para nós é o homem, cada homem, cada grupo de homens, até chegar a compreender toda a humanidade” (5).


Certamente, ao desenvolvimento do homem contribui o trabalho, que é um fator essencial para a dignidade e o amadurecimento da pessoa. É preciso trabalho e são necessárias condições adequadas ao trabalho.


No século passado não faltaram exemplos eloquentes de empreendedores cristãos que compreenderam como o sucesso de suas iniciativas dependia antes de tudo da possibilidade de oferecer oportunidades de emprego e condições dignas de ocupação.


É preciso partir novamente do espírito daquelas iniciativas, que são também o melhor antídoto aos desequilíbrios provocados por uma globalização sem alma, uma globalização “esférica”, que mais atenta ao lucro do que às pessoas, criou grande quantidade de bolsões de pobreza, desemprego, exploração e de mal-estar social.
Seria oportuno também redescobrir a necessidade de uma concretude do trabalho, sobretudo para os jovens. Hoje muitos tendem a rejeitar trabalhos em setores cruciais em outros tempos, porque considerados cansativos e mal remunerados, esquecendo o quanto eles sejam indispensáveis para o desenvolvimento humano.
O que seria de nós, sem o empenho de pessoas que com o trabalho contribuem para a nossa alimentação cotidiana? O que seria de nós sem o trabalho paciente e engenhoso de quem tece as roupas que vestimos ou constrói as casas em que vivemos?


Muitas profissões hoje consideradas secundárias são fundamentais. O são do ponto de vista social, mas sobretudo o são para a satisfação que os trabalhadores recebem em poder serem úteis para si e para os outros por meio de seu esforço cotidiano.


Também corresponde aos governos criar as condições econômicas que favoreçam um são empreendedorismo e níveis adequados de emprego. À política compete, especialmente, reativar um círculo virtuoso que, a partir de investimentos em favor da família e da educação, permita o desenvolvimento harmonioso e pacífico de toda a comunidade civil.


Uma promessa de paz


Por fim, o compromisso dos cristãos na Europa deve constituir uma promessa de paz. Foi este o pensamento principal que animou aqueles que assinaram os Tratados de Roma. Após duas Guerras Mundiais e violências atrozes de povos contra povos, era chegado o tempo de afirmar o direito à paz. (6). É um direito. Ainda hoje, porém, vemos como a paz é um bem frágil e as lógicas particulares e nacionais correm o risco de frustrar os sonhos corajosos dos fundadores da Europa (7).
Todavia, ser artífices de paz (cfr Mt 5,9) não significa somente trabalhar para evitar as tensões internas, trabalhar para colocar fim a numerosos conflitos que ensanguentam o mundo ou levar alívio a quem sofre.


Ser agentes de paz significa fazer-se promotor de uma cultura da paz. Isto exige amor à verdade, sem a qual não podem existir relações humanas autênticas, e busca da justiça, sem a qual o abuso é a norma imperante de qualquer comunidade.


A paz exige pura criatividade. A União Europeia manterá fidelidade ao compromisso de paz na medida em que não perder a esperança e saberá renovar-se para responder à necessidade e às expectativas dos próprios cidadãos.


Há cem anos, justamente nestes dias iniciava a batalha de Caporetto, uma das mais dramáticas da Grande Guerra. Ela foi o ápice de uma guerra de deterioração, como foi o primeiro conflito mundial, que teve o triste primado de causar inumeráveis vítimas diante de conquistas irrisórias.


Daquele evento aprendemos que quem se entrincheira dentro das próprias posições, acaba por sucumbir. Não é este, portanto, o tempo de construir trincheiras, mas sim ter a coragem de perseguir com determinação o sonho dos Pais fundadores de uma Europa unidade e concorde, comunidade de povos desejosos de compartilhar um destino de desenvolvimento e de paz.


Ser alma da Europa


Eminências, Excelências, Ilustres hóspedes,


O autor da Carta a Diogneto afirma que “como é a alma no corpo, assim no mundo são os cristãos” (8). Neste tempo, eles são chamados a dar novamente alma à Europa, a despertar a consciência, não para ocupar espaços – isto seria proselitismo – mas para animar processos que gerem novos dinamismos na sociedade.


Foi justamente o que fez São Bento, não por acaso proclamado por Paulo VI Patrono da Europa: ele não se deteve em ocupar os espaços de um mundo perdido e confuso. Sustentado pela sua fé, ele olhou além e de uma pequena gruta em Subiaco deu vida a um movimento corajoso e irreversível que redesenhou o rosto da Europa.


Ele, que foi “mensageiro de paz, realizador de união, mestre de civilização” (10) mostre também a nós cristãos de hoje como da fé brota sempre uma esperança alegre, capaz de mudar o mundo. Obrigado!


Que o Senhor abençoe a todos nós, abençoe o nosso trabalho, abençoe os nossos povos, as nossas famílias, os nossos jovens, os nossos idosos, abençoe a Europa.
Vos abençoe o Deus Todo-Poderoso, Pai e Filho e Espírito Santo.


Muito obrigado, Onrigado!”

 

(Tradução livre do Programa Brasileiro) – Rádio Vaticano__________________________
1 Benedetto, Regola, Prologo, 14. Cfr Sal 33,13.
2 La dittatura del pensiero unico. Meditazione mattutina nella Cappella della Domus Sanctæ Marthæ, 10 aprile 2014.
3 Conferenza stampa durante il volo di ritorno dalla Colombia, 10 settembre 2017.
4 Concilio Ecumenico Vaticano II, Dich. Gravissimum educationis, 28 ottobre 1965, 3.
5 Paolo VI, Lett. enc. Popolorum progressio, 26 marzo 1967, 14.
6 Cfr Discorso agli studenti e al mondo accademico, Bologna, 1° ottobre 2017, n. 3.
7 Cfr ibid.
8 Lettera a Diogneto, VI.
9 Cfr Esort. ap. Evangelii gaudium, 223.
10 Paolo VI, Lett. ap. Pacis Nuntius, 24 ottobre 1964.(Rádio Vaticano)

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