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Poesia ao amor

  • Agosto 1, 2022
  • Cultura
  • Ernesto Lauer
                                                                                   Desejo a você
                                                                                   Fruto do mato
                                                                                   Cheiro de jardim
                                                                                   Namoro no portão
                                                                                   Domingo sem chuva
                                                                                   Segunda sem mau humor

                                                                                   Sábado com seu amor

Na poesia de Drummond, em pequena introdução, minha mente alça voo rumo a um tempo de antigamente; um sábado qualquer, esperando pela eleita do coração, defronte de sua casa, para irmos ao cinema. O tempo já era de uma maior liberalidade e podíamos seguir sozinhos, sem a “chá-de-pera”.

Mesmo assim, era o tempo do namoro no portão; entrar em casa só depois da autorização dos pais e, certamente, após aprovado na sindicância acerca do pretendente. Para tudo tinha um tempo certo; um tempo para amar.
Até podia sentar ao lado da moça, na matinê ou vesperal; até chegar pegar a mão, levava uns dois ou três programas. O enlace das mãos trazia consigo um compromisso de namoro. Era importante sempre comprar balas para oferecer a ela e as amigas. Se tivesse comprado pipoca do seu Acácio, melhor ainda.
Um domingo sem chuva era por demais salutar; mas não há como dizer do mau humor da segunda; era o começar de tudo novamente, depois de um ótimo fim-de-semana. Por sorte tivemos tantas segundas-feiras, terças, quartas e assim por diante, com a obrigatoriedade de frequentar as aulas. Esta foi a causa determinante de termos atingido o tempo presente, com a certeza dos objetivos alcançados. Somos fruto do que plantamos na juventude.
“Ouvir uma palavra amável/ ter uma surpresa agradável/ ver a banda passar/ noite de lua cheia/ rever uma velha amizade/ ter fé em Deus/ não ter que ouvir a palavra não/ nem nunca, nem jamais e adeus/ rir como criança/ ouvir canto de passarinho/ sarar de resfriado/ escrever um poema de Amor/ que nunca será rasgado”.
Na poesia ao amor, a capacidade intuitiva de Carlos Drummond foi bafejada por um enternecimento invulgar – um sentimento de ternura e meiguice. Nós outros, sempre estivemos atrás de uma palavra amável, de não ouvir NÃO e o ADEUS de um alguém querido a partir, deixando um vácuo em nossa vida.
Seguidamente, olhando para uma foto de antanho, a alegria contrasta com a tristeza, por tantos, ali retratados, já terem partido. A finitude humana é irreversível. Somos caminhantes rumo ao horizonte infinito; para os tantos que já nos deixaram, a eternidade, até o completo esquecimento.
Se você já escreveu um poema de amor, guarde-o; jamais rasgue. A manifestação do que te vai n’alma não merece repousar numa lixeira; a lembrança testemunhará silenciosamente o tempo de um grande amor; tão intenso que foi declarado em versos.

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