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Imaginar

  • Setembro 27, 2022
  • Política
  • Adriano Fiaschi

Imaginemos que um país teórico, de grande população, por muitos e muitos anos foi achacado por políticos imorais e ladrões, contaria hoje com metade dessa população desejando definitivamente se livrar desse passado, mas outra metade com saudade nostálgica de um passado imaginário de fartura e felicidade.

Essa segunda metade teria por líderes uma malta de ex-envolvidos em casos de corrupção, alguns deles ex-presidiários, exímios nos seus misteres de agradar ouvidos ingênuos e montar esquemas corruptos milionários.

A segunda metade, para complicar, teria por líder um velho político de pouca expressão e pouca influência sobre a máquina do governo, mas que ainda assim, por força do destino e por jurar o resgate de valores nacionais e da honestidade, teria chegado à presidência. Nesse país imaginário e pouco provável, esse presidente só não seria expelido do seu cargo pela máquina do poder devido a um apoio popular explícito e barulhento.

Imaginemos também que haverá uma eleição entre esses personagens e que o resultado apertadíssimo dê a vitória ao tenebroso representante do passado de corrupção e descaminhos. O que poderá acontecer?

Será que vão se extinguir como mágica as demonstrações públicas diárias de repúdio ao bando corrupto? Mais provável que não. Será que esse bando corrupto, que jamais admitiu suas práticas, irá deixá-las e enveredar por caminhos corretos? É certo que não. Como ficará então o país dividido entre uma metade conivente e outra metade hostil à pirataria que irá se instalar?

Acho que uma “guerra” sem fronteiras aconteceria, sem interrupções, sem folgas. O grupo corrupto eleito estaria ávido em reestabelecer seus propinodutos e em apagar os muitos rastros de suas trapaças anteriores. Essas ações seriam facilitadas com uma larga intervenção nos meios de comunicação. Haveria limite para essas ações? Acho que não.

Do outro lado as demonstrações públicas seriam cada vez mais agressivas e mais desafiadoras. Também aqui não daria para avaliar os limites desse fenômeno. Acionar forças policiais para conter essas massas seria impraticável, pois elas mesmas estariam divididas. As intervenções das cortes fariam uso de todos os argumentos, legais e não tão legais, para calar ou conter todo aquele que vier a ser identificado como líder da oposição. Por censura explícita ou por prisão. Mas para cada líder calado, vários novos surgirão. É a praxe.

Está montado o cenário para um impasse sem solução. Com muitas perdas, preparando um desastre econômico que atingiria a todos. Esse país não escaparia de um drama infinito.

Esse país imaginário seria inimaginável, caso não houvesse caso real para validar tantas hipóteses surreais. Acho que isso só acontece em país que não tem vergonha na cara.

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