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Zema tem “meia” razão: Brasul e Brasnorte

  • Agosto 8, 2023
  • Política
  • Sérgio Alves de Oliveira

 

Causou um alvoroço sem precedentes as palavras do governador Romeu Zema, de Minas Gerais, sobre a possível  criação da FRENTE SUDESTE-SUL, no sentido de que essas duas regiões- justamente as que mais participam na formação do PIB brasileiro- se unam na defesa dos seus interesses comuns, a exemplo do que já acontece  com  o  CONSÓRCIO NORDESTE, fundado em 2019,que reúne os 9 (nove) estados dessa região.

Imediatamente  a esquerda “caiu-de-pau” em cima do governador mineiro, tendo o Ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, insinuado que se trataria de um projeto “separatista” de Zema dentro do Brasil.

Zema nada mais quer do que evitar a consolidação da “ditadura” do CONSÓRCIO NORDESTE no  país, opondo-se à discriminação “velada” das Regiões Sudeste e Sul a partir de um comando político tomado de “assalto’ pelas forças da esquerda ,e que tem sua base de sustentação em artifícios políticos com precária representatividade, alijando desse “jogo” político  a base de sustentação econômica de um país entregue às “traças” da política.

Zema não é nem nunca foi separatista. Eu sou. E ninguém vai me impedir. Parto da  premissa que “o Brasil não deu certo”. Não deu certo como Colônia, Império ou República. E o Estado foi feito para servir ao seu povo, não o contrário.  Mas não sou cego para não enxergar que a Constituição  proíbe. Mas nenhuma constituição, nem a vigente de 1988, pode me proibir de discutir  uma nova constituição, que permita essa discussão no campo político. E digo isso me apoiando em Pontes e Miranda, o mais respeitado  jurista que já teve o Brasil em todos os tempos, em “Democracia, Liberdade, Igualdade – os Três Caminhos”: ”Se se não admite discussão de muitos artigos da constituição, como acontece às cartas de grande rigidez doutrinária, o que resta para ser objeto de deliberação democrática é muito pouco…então deixa de haver democracia, não  porque cessassem os partidos, e sim porque cessou a própria democracia: o estado é monocrático ou oligárquico” (Saraiva,1979,pg.204).

Em 1985 escrevi “Independência do Sul”, propondo a independência da região  Sul do Brasil, constituído pelos Estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, com base nas teorias que presidem o nascimento dos estados soberanos, as quais, todas elas, sem  exceção, davam pleno amparo ao pleito independentista do Sul. Mais tarde, em 1990, um grupo gaúcho tentou fundar o “Partido da República Farroupilha”-PRF, do qual fui eleito  Presidente, mas que foi barrado pela Justiça “Mainstream”.

Essas teorias citadas podem ser resumidas na “Teoria das Nacionalidades”, defendida por Mancini, em 1851 ; das “Fronteiras Naturais”, argumentada por Napoleão Bonaparte nas suas conquistas, que  garantia que a Europa só teria paz quando os seus países estivessem dentro das suas fronteiras naturais ; na “Teoria do Equilíbrio~ Internacional”, baseada no princípio que “lobo não come lobo”, defendida pelo Brasil na independência do Uruguai ;  e, finalmente, na “Teoria do Livre Arbítrio dos Povos”, que sustenta a autodeterminação dos povos, com raízes na filosofia Liberal do Século 18, pregada por J.J.Rousseau, e adotada plenamente na Revolução Francesa. Condorcet afirmou em 1792 que ”cada nação  tem o direito de dispor sobre o seu destino e de se dar as próprias leis. Segundo essa doutrina, “nenhuma potência tem o direito de submeter um estado contra a vontade soberana da sua população”. O plebiscito seria o remédio político-jurídico da vontade do povo.

Apesar de todas as mentiras escritas nos “manuais”, o Brasil jamais foi uma só nação. Existem no seu território assentadas diversas nações. Diversos Povos.  O Sul é só uma delas. O Nordeste é outra. Portanto o Brasil não é nem nunca foi um Estado Nacional, porém um estado PLURINACIONAL..

Nos  anos de 2017 e 2018,o GESUL (Grupo de Estudos Sul Livre),organizou e realizou um plebiscito informal, sobre a Independência do Sul, chamados de PLEBISUL, em virtude da proibição da Justiça de fazer-se um plebiscito formal, de acordo com as leis.

Não deu outra. Vitória do Sul em ambos os plebiscitos informais, por mais de 95% dos que compareceram às urnas. Mas como essa proposta abalaria  o “stablishment”, o “sistema”, o “mecanismo”, é claro que não foi reconhecida, e logo soterrada pelas autoridades.

A mídia “domesticada” censurou  a proposta, chamando todo mundo que participou de “racista”, ”preconceituoso”, ”xenófobo”, ”nazista”, ”fascista”, e por aí vai. É como fizeram agora com Zema. E essa mídia é a mesma que ajudou a volta da esquerda ao poder no Brasil nas eleições de outubro de 2022,convalidando toda a roubalheira que antes fizeram de 2003 a 2016,estimada em 10 trilhões de reais.

Hoje está provado que os sulistas tinham razão com os seus sólidos argumentos independentistas. Mas depois das eleições de 2022 o Sul “expandiu”, fundindo-se com as Regiões Norte, Centro Oeste, e Sudeste, para o fim de exigir separação do Nordeste, que tem todo  o direito de canalizar a sua escolha política em quem bem quiser, inclusive em Lula da Silva para presidi-lo, mas não o de enfiá-lo “goela-abaixo” das outras Regiões. Zema não inclui as regiões Centro Oeste e Norte na discussão que propõe. Mas essa questão é mero “detalhe”, dependendo das vontades dessas regiões.

Segundo o princípio que cada um deve responder pelos seus atos, que o Nordeste fique com Lula e o seu ”comunismo”, que não deu certo em qualquer parte do mundo, mas que  deixe as outras Regiões tomarem o rumo político  e a ideologia que quiserem.

Mas talvez essa proposta coincida com a vontade nordestina. Além do Nordeste possuir movimentos separatistas próprios, muitos devem recordar do sucesso da excursão feita por Elba Ramalho, por todo o Nordeste, nos anos 80,com a canção “Nordeste Independente” de carro-chefe.

Termino citando o ilustre jurista paulista, João Nascimento Franco: ”Quando o relógio da História bater a hora da separação, nenhum dispositivo legal, pétreo ou não, poderá adiá-lo”.

 

Os textos publicados não refletem a opinião do GPC e são de total responsabilidade de seus idealizadores. 

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