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Ciranda da Vida – Juventude

  • Setembro 25, 2023
  • Cultura
  • Ernesto Lauer

 

Andei por caminhos

seguindo o destino

do qual … Protagonista fui.

Apenas continuo

Em corpo cansado,

agitando LEMBRANÇAS

daquele tempo de juventude.

 

Pela passagem dos anos, guardo lembranças, as quais mentalizo, divagando, ao bel prazer de ser dono das minhas próprias recordações. Pelos ciclos da vida houve uma fase de juventude; o desembaraçar paulatino dos laços patriarcais, ganhar novos rumos e outras formas de divertimento. Um novo horizonte num espaço que começava a alargar.

Foi o começo de usar outro tipo de calçados, como Sete Vidas, Bamba e Conga, que não apertavam e não provocavam bolhas nos calcanhares. Tempo de trajar fatiota, comprada na Loja Renner, do seu Theodorico Ferreira. Aprender a fazer o nó na gravata, a encimar bela camisa branca de mangas compridas, fechadas por especial abotoadura.

Uma renovação, por chegar perto dos 15 anos; aluno da elite do curso ginasial (3ª e 4ª séries), até já se permitindo ariscar um cigarro vez por outra e tomar um limãozinho no Café Comercial. Assistir um filme no Tanópolis e depois dar uma volta pelo Riograndense ou fazer um churrasco na casa do Tamir, se conseguisse a carne (normalmente na churrascaria do Café Central nos vendiam).

Uma época em que chinelo colonial e a alpargata roda foram relegados a um canto; começou-se a usar o de dedo, que surgiu nos anos 60. Com a novidade, novo problema: as tiras rebentavam com facilidade e novas tinham que ser adquiridas (isso se não as consertassem com uma joaninha ou alfinete).  Lembro que as camisas mandava confeccionar na Camisaria Jung; o seu Lírio mandava bordar as iniciais do meu nome no bolso (um E e L entrelaçados).

A moda masculina não mudou muito nestes últimos anos; salvo o uso sistemático da calça Jeans (no passado chamada de Brim Coringa e só operários usavam). Eu sou grato por alcançar um tempo em que o uso do calça curta virou moda (bermudas). Hoje guardamos a informalidade no vestir; calça rasgada é moda. Uma transcendental diferença está no calçado: o uso sistemático do tênis de alto padrão e marca renomada. Pelo preço daria para vestir, da cabeça aos pés, um jovem de antigamente com muito luxo.

Fomos os jovens que frequentaram a praça, sempre muito bonita e bem cuidada. Sentávamos debaixo das árvores para conversar e olhar o pessoal a passar pelas ruas adjacentes. A praça como verdadeira passarela de beldades – um colírio aos olhos e uma oportunidade de flertar. No passar das meninas-moças, olhares discretos correspondidos, um namoro a iniciar e uma longa vida para junto seguirem.

Da praça divisava-se o Cine-Teatro Goio-En, a emoldurar a sua paisagem lateral, como um cartão postal, emprestando realce ao belo contorno do passeio.  O letreiro anunciava o filme a ser exibido na sessão noturna do cinema. No prédio, uma porta superior (atrás do letreiro), possibilitava ao funcionário chegar ao local e trocar a propaganda do filme, por outro a ser exibido na noite seguinte. As vezes aparecia uma letra de cabeça para baixo, servindo de motivo para risos.

 

 

Entre as duas bilheterias ficava a porta principal de entrada. As portas laterais só eram abertas quando da saída ou sessão muito movimentada. Ao entrar e acessar o saguão passava-se por um brete, formado por canos de ferro em curva e que eram encaixados no chão. O seu Ivo Koetz era o gerente do cinema. Em verdade era o faz-tudo, principalmente “botar os esculhambadores no olho da rua”. O seu Ivo já conhecia o guri pelo assobio ou pelo grito.

O cinema velho, como passou a ser chamado depois da inauguração do Cine Tanópolis, também foi local para grandes apresentações teatrais. Tivemos dois famosos grupos de teatro em Montenegro: GCTAM e NETOJOS. Em suas apresentações garantiam lotação completa do cinema.

Lembrar o Goio-En e deixar em branco o nome do seu Acácio Braga, vendedor de pipocas, com sua carrocinha estacionada à frente do cinema, seria uma afronta ao recordar. Por outra, esquecer o seu Bebeto, por detrás do balcão envidraçado do barzinho, vendendo balas e chocolate constituiria abstração mental imperdoável.

Certamente, se não for traído pela recordação quase senil, fica a promessa de continuar esse nosso tempo de juventude, enveredando por outros assuntos a todos os contemporâneos caros e gratificantes.

 

 

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