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“Quanto tempo foste dois?” 

  • Janeiro 20, 2024
  • Conexão | Brasil x Portugal
  • Isabel Maria Vasco Costa

Apoderei-me do título deste poema de Pedro Salinas, um poeta espanhol do séc. XX, para me ajudar a expor alguma ideias … de normalidade antes de tomar decisões sérias como seja a de exercer o direito de voto.

Em breve, como este, limitamo-nos ao tema da justiça, essa virtude única dos homens de bem e própria da política. Não é verdade que sentimos a dor da injustiça desde crianças? E que dói mais a injustiça proveniente daqueles que sentimos como mais próximos e em quem mais confiamos? Por contraste, e ainda existem muitos, como nos merecem respeito os íntegros, honestos, de uma só peça. Esses cuja lei é uma só, para eles e para os outros, como a do armador de veleiros que perguntou ao comandante do seu navio porque razão estava a atrasar tanto a partida, arriscando-se a perder a maré e o vento favorável. Ao saber que se devia ao facto de um tripulante ainda não ter chegado e que esse tripulante era o seu próprio filho, ordenou que lhe fosse aplicado o castigo previsto para tais casos: quinze chicotadas.

“Quanto tempo foste dois?”. Somos sempre a mesma pessoa? Nunca cedemos à tentação de agir contra a nossa consciência? Somos tantos os que nos queixamos dos nossos políticos, dos líderes, dos patrões, dos… E que fazemos? Contribuímos para a solução do problema, para o piorar ou optamos por cruzar os braços e… deixar correr? Não é esta última a atitude de quem se abstém de votar?

“Quanto tempo foste dois?” Ruth Gutiérrez faz uma afirmação digna de menção: “A verdade é sempre a bússola que nos ajuda a rectificar a nossa passagem pelo mundo” [1]. Talvez tenha chegado o tempo de nos servirmos dessa bússola – a verdade – para corrigir o nosso voto, o modo de todo o cidadão participar no bem comum, na política. Se estamos enganados, tomemos a verdade e, em consequência, mudemos as leis que vão contra ela. Por exemplo: se somos pessoas, não podemos votar nos partidos que confundem as pessoas com os animais. Isso não é justo. É certo que o instinto de sobrevivência é comum a pessoas e animais; porém, nas pessoas,  ele manifesta-se de modo superior pelos avanços da medicina e pelos cuidados a favor dos enfermos e idosos.

“Quanto tempo foste dois?” As leis da natureza são sempre válidas e verdadeiras. Por exemplo, todos sabemos que a lei da gravidade se aplica a todos os sólidos; que a água molha os tecidos em qualquer lugar do mundo e que solidifica à temperatura de zero graus. Por isso, os políticos devem levar em conta as verdades naturais dos homens. Ao olhar para o nosso corpo, se for normal, sabemos com verdade se somos homem ou mulher. É justo aceitar leis que negam esta realidade corporal do homem? Ou os que seguem as suas realidades emocionais, materiais, sociais? Há partidos que propõem leis contra o bem comum como sejam facilitar o divórcio, permitir o aborto e a eutanásia, deixar impunes os violadores, ladrões, corruptos…

“Quanto tempo foste dois?” Tens-te queixado dos maus serviços prestados pelo estado sem pagares os impostos devidos? E tu, governante, tens consciência de que os impostos devem ser gastos no bem comum e não reservados apenas para o bem de alguns? E nós, governantes e governados, estamos dispostos a sofrer algumas dificuldades para manter Portugal com portugueses? E nós, pais de família, somos mesmo responsáveis pela formação humana, profissional, social e espiritual dos nossos filhos? Que cada português sonhe em grande. Cada homem bom, cada mulher boa tornam o mundo melhor.

[1] “Nuestro Tiempo”, Pamplona, nº 703, pg. 57.

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