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Juan Gelman, 1930-2014

  • Fevereiro 5, 2024
  • Cultura
  • Rosarita dos Santos

Foto extraída do “Recanto do Poeta”

 

Mais um vez, trazemos em nossa redação um autor até então pouco conhecido, e desta vez, tratamos do autor Juan Gelman. Ele é um dos mais importantes poetas da Argentina das últimas décadas, sendo vencedor, entre outros galardões, do prestigioso Prêmio Cervantes de Espanha, em 2007.

Gelman nasceu em Buenos Aires, estudou Química, mas abandonou essa carreira para dedicar-se ao destino das letras. Mais adiante, mudou- se definitivamente para a Cidade do México, e lá veio a falecer, aos oitenta e três anos de idade. Ele foi um poeta, jornalista e tradutor argentino, do espanhol para o português de Portugal e do Brasil. Publicou aproximadamente quarenta edições de poesia, sendo três delas vertidas para nosso idioma: “Amor que serena, termina?”, “Isso” e “Com/posições”.

Teve igualmente, cerca de quarenta obras de prosa, antologias e reedições impressas em diversas cidades, como Buenos Aires, Montevidéu, Havana, México, Santiago do Chile, Madrid e Barcelona. Ainda, seis de seus livros foram traduzidos em português, e no decorrer de sua atividade, o autor recebeu mais de vinte prêmios.

Também, ao longo de sua trajetória literária, Juan Gelman foi reconhecido várias vezes como doutor Honoris Causa e Embaixador Cultural de universidades, e, como sabemos, o Prêmio Miguel de Cervantes foi concedido em 2007, pela difusão linguística e a erudição com que expôs sua obra durante toda sua vida; em outras palavras, por sua capacidade em jogar com a musicalidade e o ritmo das palavras e a riqueza de seu repertório.

Dedicamo-nos agora à produção poética do autor. Gelman sempre assegurou que ele “tinha a poesia tatuada nos ossos”, e que “nunca considerou a poesia como uma profissão”.

Ficaremos ao lado do poeta, nesses três exemplos de seu versos.

Primeiro: “Fábricas de amor” – “E eu construí teu rosto. / Com adivinhações de amor, construí teu rosto / nos pátios distantes da infância. / Pedreiro com vergonha / Escondi-me do mundo para esculpir tua imagem, / para te dar a voz, / para colocar doçura em tua saliva. / Quantas vezes eu tremi / mal coberto pela luz do verão / enquanto te descrevia por meio de meu sangue. / Puro sangue teu, / és feito de quantas estações / e tua graça desce como quantos crepúsculos. / Quantas de minhas viagens inventaram tuas mãos. / Que infinidade de beijos contra a solidão / afunda teus passos na poeira. / Eu te reconheci, eu te recitei pelas estradas, / escrevi todos teus nomes no fundo de minha sombra, / fiz um lugar para ti em minha cama, / te amei, estrela invisível, noite após noite. / Foi assim que os silêncios cantaram. / Anos e anos trabalhei para te fazer / antes de ouvir um único som de tua alma”.  //

Segundo: “Epitáfio” – Um pássaro vivia em mim. / Uma flor viajava em meu sangue. / Meu coração era um violino. / Eu queria ou não queria. Mas às vezes / eu era amado. Também me / faziam feliz: a primavera, / as mãos entrelaçadas, a felicidade. / Digo que o homem deve ser feliz! / Aqui jaz um pássaro. / Uma flor. / Um violino.”

Terceiro : “Escrevo no esquecimento” – “Escrevo no esquecimento / em cada luz da noite / cada rosto teu. / Há uma pedra então / onde te deito minha, / ninguém te conhece, / criei aldeias em tua doçura, / sofri essas coisas, / estás fora de mim, / me pertences estrangeira.” Nestes três poemas, identificamos o poeta assombrado pelo amor, maravilhado pela sonoridade do pássaro assim como uma música, sempre dedicado na luta contra o esquecimento.

Juan Gelman é reconhecido como um dos maiores poetas hispano-americanos do último meio século, e podemos utilizar o que o próprio autor nos orienta; ele nos diz: “A poesia é algo que vem quando quer e não é algo que possa ser invocado ou convocado: ninguém se senta para escrever poemas porque quer ou porque se propõe a isso.” Bela frase e muito instrutiva: se por um lado, o poeta cria o pensamento poético, pelo outro, cabe a nós exercitar o trabalho literário, aquele que analisa e que nos engrandece culturalmente.

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