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Ciranda da Vida – No tempo dos Maristas

  • Março 10, 2024
  • Cultura
  • Ernesto Lauer

 

Tenha em mente que tudo que você aprende na escola é trabalho de muitas gerações (…) Receba essa herança, honre-a, acrescente a ela e, um dia, fielmente, deposite-a nas mãos de seus filhos (Albert Einstein).

 

A criançada de hoje é muito avançada. Com três anos de idade, já conhecem a marca de carros e dos desenhos e bichinhos que inundam a televisão e o comércio. Se a pessoa não participa ativamente do seu mundo é melhor não se meter – vai sair queimada. As crianças sabem muito. O que os pais antigamente escondiam, hoje elas descobrem por conta própria.

Alguns perguntam se ontem não foi melhor? Para nós, quando crianças ou adolescentes, o mundo das ofertas e dos produtos comerciais era reduzido. Predominava a própria criatividade (fazer carrinhos, inventar jogos, arco e flecha, entre outros). Dependíamos muito mais das próprias pernas, caminhando ou pedalando uma bicicleta. Veículo automotor só o ônibus ou uma eventual carona no carro do pai de um amigo. Das drogas, já na adolescência, tivemos acesso ao cigarro e o álcool. Não havia mácula em fumar ou beber um traquinho. Era até demonstração de masculinidade.

Gostaria de abrir um parêntesis: ir a um baile no Riograndense ou 7 de Setembro, ocupar cadeiras em uma mesa ao redor do salão, acender um cigarro Minister (o primeiro com filtro) e tomar uma cuba libre era demonstração de status – achávamos importante e bonito. Para muitos, caminhada que iniciou e se tornou irreversível.

Encerrado o parêntesis, impõe dizer que, no nosso tempo de guri, era importante a participação em diversas atividades, de modo a ocupar o tempo.  Cantar no Coral do colégio ou no jogral “Canta Montenegro” revestia-se de singular meritório. Jogar futebol, organizar torcidas, ajudar na bilheteria ou na copa do campo ou cancha era significativo; igualmente ajudar nas festas, vendendo rifas, cantando pedras de víspora e/ou recolhendo as garrafas vazias era inequívoca demonstração da importância pessoal.

No Ginásio São João Batista, os maristas tinham uma Associação de Pais, Alunos e Amigos dos Irmãos Maristas. Até hoje não sei se a associação tinha personalidade jurídica própria. Creio que ela se formou e mantida durante todo o tempo em que os maristas permaneceram na cidade. Cheguei a participar de um congresso estadual das associações, em Uruguaiana (fomos de trem e acolhidos no colégio).

Duas vezes por ano, acontecia um grande churrasco da associação, sempre num domingo. No sábado ocorria um evento especial: o jogo entre os maristas, professores e pais de alunos. Nesta tarde, nenhum estudante podia entrar nas dependências do colégio, pois os maristas jogavam com a batina levantada ou a tiravam – jogavam de calça comprida.  Esta visão era proibida aos alunos.

No domingo, a festa começava depois da missa das 9 horas. Sempre muito concorrida. Espalhavam-se mesas por todo o pátio e pela área coberta dos bebedouros.  O churrasco ficava por conta da turma do seu Richter e do Sady Sehn. Os estudantes terceiro ou quartanistas serviam as mesas, com carnes e bebidas, sempre usando avental. O dos churrasqueiros tinha uma parte alta, cobrindo o peito.

Meu pai sempre frequentou os eventos; por dois anos participei ativamente na organização das mesas e no atendimento aos comensais. Por escolha do Irmão Paulo, trabalhei no barzinho do colégio, nos recreios. Por isso cabia a mim cuidar da venda dos refrigerantes; a da cerveja ficava por conta de um adulto. Era expressamente proibido um menor de idade manipular bebida alcoólica – mas na esquina abaixo, no café, podia-se tomar até um limãozinho ou calivê.

Depois das 15 ou 16h os participantes já tinham deixado o colégio. Prontamente começava o desmonte de toda a estrutura; uma parte das mesas e cadeiras eram do internato; a outra era devolvida, em um caminhão, a quem havia emprestado – normalmente o Lar Paroquial. Então, os assadores faziam um fogo-de-chão e, em cima de tijolos, colocavam um grande tacho, com água para ferver.

Na medida em que a água começava a ferver, eram acrescentadas as sobras da carne do churrasco e todo tipo de vegetais e legumes. Era o famoso putchero; Depois de pronto, todos os que ajudaram durante o dia, sentavam-se no refeitório dos interno e o caldo era servido generosamente.

Um grande acontecimento. Uma descontração para os maristas (sempre muito enclausurados) e um fraterno convívio. Realmente a escola é um aprendizado; nos maristas foi além dos livros escolares; até putchero aprendi a fazer.

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