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Tempos tristes de Guerra

  • Julho 27, 2024
  • Conexão | Brasil x Portugal
  • José Maria C. da Silva André

Destruição de todos os edifícios de Gaza

 

Tantas cidades destruídas na Ucrânia e em Gaza! A comunidade internacional ajuda pouco a Ucrânia a defender-se dos russos e alguns dos países mais ricos do mundo colaboram com Israel no massacre dos palestinianos. E, noutros locais do mundo, tantas populações indefesas, igualmente vítimas de violência!

Não há dúvida de que a comunidade internacional deveria impedir estes crimes, a única incerteza é se temos força moral para nos unirmos a favor da justiça. A tragédia é que nos falta reconhecer Deus. Ele é, por definição, a referência absoluta do bem e por isso negar a sua existência é rejeitar que exista um fundamento real da moralidade.

Marx combatia os que procuravam fazer o bem, porque esse descaminho burguês comprometia a revolução aguerrida em que estava interessado. Mas não é só o marxismo. A primeira exigência desta doutrina é o ateísmo, a recusa da noção de bem e de mal, de justo e injusto. O vazio ético é explícito nas ditaduras comunistas, mas há outros regimes que também desprezam a ética, mesmo que não o proclamem tão claramente como o marxismo.

João Paulo II chegou a comparar a decadência moral dos países livres com a ausência de escrúpulos das ditaduras comunistas. Há diferenças, mas os resultados assemelham-se. O desprezo pela vida humana —no aborto, na guerra, no desdém pela angústia dos pobres…— é consequência da imoralidade, seja ela inspirada em teorias metódicas como o marxismo, seja fruto de paixões desenfreadas como nos países hedonistas.

Nas guerras actuais, assistimos a povos enlouquecidos pelo excitação da conquista; outros a acompanhar com cinismo a desgraça alheia, à espera de recolher vantagens; outros calados, para não desagradar aos mais fortes. Faltam vozes corajosas que protestem contra os agressores e protejam as vítimas, sem se preocuparem com o cálculo mesquinho de quanto podem perder.

O Papa Francisco fala todos os dias destas guerras, pedindo que não fiquemos indiferentes.

Um dos perigos da guerra, e da injustiça em geral, é gerar ressentimento nas vítimas e em quem se identifica com elas. Causa calafrios o ódio de algumas comunidades israelitas aos alemães, por causa dos horrores da segunda Guerra Mundial; alguns árabes, massacrados décadas a fio pelos israelitas, não conseguem perdoar; alguns povos oprimidos sob o domínio soviético ainda guardam ressentimento. As bombas matam, mas a injustiça pode endurecer o coração dos que sofrem e matar-lhes a alma.

A fúria conquistadora da Rússia encontrou dificuldades na Ucrânia, país relativamente pequeno e pobre, a lutar contra o poder consolidado de um dos maiores exércitos do mundo. É impossível esquecer a Ucrânia nas nossas orações.

Ao formar-se o estado de Israel, parte dos palestinianos foi expulsa para o sul do Líbano e outra foi fechada numa espécie de «reserva de índios» na Cisjordânia e em Gaza. Israel controla tudo o que entra ou sei dessas «reservas» e vigia a população com desumanidade. Nos últimos anos, confinou os palestinianos em espaços cada vez mais pequenos, com o propósito declarado de os erradicar completamente. Para agravar, o Governo israelita empenha-se em ofender publicamente o Deus dos muçulmanos. É difícil suportar tanto arbítrio sem pensar em vingança e, de facto, alguns árabes vingam-se. Não têm exército, nem marinha, nem aviação, nem bases militares, mas qualquer arma artesanal lhes serve. Tradicionalmente, a resposta israelita era matar 20 civis palestinianos por cada israelita morto mas neste último ano, Israel está a aproximar-se de 100 civis palestinianos por cada israelita e não se sabe onde vai parar a proporção. Além disso, Israel cortou o abastecimento de água e de alimentos a Gaza e arrasou os edifícios, incluindo hospitais. Neste massacre, além de palestinianos, morreram centenas de funcionários das Nações Unidas e de organizações internacionais que trabalham em campos de refugiados tentando salvar vidas humanas.

A irracionalidade da guerra provoca reacções cada vez mais negativas. Se não pedimos a Deus que nos ajude, caminhamos a passos largos para um desastre à escala planetária.

Talvez a primeira lembrança devesse ser consolar o próprio Deus, tão ofendido injustamente.

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