Skip to content

Alegrias do Natal e questões postas a João

  • Dezembro 20, 2024
  • Religião
  • Padre Aires Gameiro

 

As leituras do III domingo do Advento a pedir alegria e a fazer perguntas fazem pensar, hoje e no passado. Há mais gente a viver alegrias ou tristezas, prazeres consumistas ou sofrimento e pobreza? Muitos sofrem e outros à volta gozam em «alegria de carnaval», como lhe chamou o Papa em Córsega (15.12.2024).

Tantas cenas dos ecrãs mostram pessoas tristes, sem alimentos, sem abrigo, sem cuidados de saúde, sob ameaças de violências e riscos de morte. Entretanto, os mesmos ecrãs entristecem, ainda mais, os sofredores agredindo-os com cenas contrastantes de «tanta gente com a ânsia de consumismo»; que é «mal que todos os cristãos, padres, bispos, cardeais, todos nós, mesmo o Papa», podem ter, como o Papa alertou. As observações do que se vê no dia a dia são leituras da realidade que alegram e entristecem.

O bem feito aos frágeis e sofredores dá alegria aos corações dos que fazem o bem e dos que recebem a ajuda, «porque quem vive para si mesmo nunca será feliz». «Vi aqui muitas crianças (…); façam filhos, eles serão a vossa alegria e consolação no futuro» disse, ainda, o Papa que na Córsega como em Timor-Leste se via muitas crianças. As notícias frequentes de realidades egocêntricas sufocam as pessoas com espetáculos tóxicos e doentios; e escondem o bem realizado para alegrar e socorrer as necessidades dos pobres.

O termo inglês scan, tão usado hoje, significaria ler e ver com cuidado para descobrir o bom sentido da realidade que pode estar oculto. A origem do termo vem do latim scandere que em poética significa saltar e subir o ritmo para obter outro sentido bom que sem essa subida não aparece. Esta etimologia da leitura da realidade, do viver atual e da vida de há séculos, recorda um certo João que batizava no Jordão.

Ontem como hoje, não faltam leitores da vida dos homens. Olham à volta para as multidões ou para as televisões e telemóveis, leem livros e jornais, e fixam-se na vida dos ricos e dos pobres, dos que ainda trabalham à jorna, os que cultivam as terras doutros donos; dos servos da gleba a trabalhar 12-16 horas por dia, em oficinas, fábricas e campos, a dormir em cabanas, palheiros ou ao relento olhando para os que vivem na abundância e alegria de circo.

Alguns com a missão de profetas olham os sofrimentos desta gente, a adoecer por falta de agasalho, a sofrer de fome e de não ter alimentos. Vêm os que se queixavam e os que tentam revoltar-se, os que morrem de fraquezas e doenças, e os que sucumbem aos maus tratos dos poderosos que não elevam o seu pensar e cismam que têm que ser assim. Outros que observam, sobem o olhar, vêm outro sentido de viver e, profeticamente, convidam todos à sua volta a ver esse sentido novo, a Boa Nova.

A visão do João Batista era semelhante à de muitos outros de séculos longínquos, Amós, Isaías e outros de visão penetrante como Balaão que ouve as palavras de Deus (Nm. 24, 15-17). Alguns ouvem falar de sentido elevado e correm a perguntar a esse João de há dois mil anos, no vale do Jordão, o que podem melhorar. E perguntas surpreendentes não param: «e nós que devemos fazer» para viver com mais alegria? Diziam: nós e não: o que devem fazer os políticos, os corruptos, os ricaços, e os cheios de dinheiro sujo? É de esperar que estes façam eles a mesma pergunta: e nós que devemos fazer para ter e dar alegria?

O João que respondia, já fazia o bem que mandava fazer: “Quem tiver duas túnicas» (hoje seria quem tiver várias casas), dê uma a quem não tem e faça o mesmo com os alimentos; e um João de hoje acrescentará: dê escolas e cuidados de saúde a quem não tem. E nós? Perguntavam os dos impostos e governantes? E também os do poder político armado vieram perguntar: e nós? Nem hoje faltariam perguntas de gente das religiões, partidos políticos no poder, de gestores, educadores, responsáveis do bem de todos; dos donos de multinacionais gigantes, de pais que «não fazem filhos» (Papa Francisco).

Mas, a quem fazer, hoje, as perguntas sobre o que cada um deve fazer? Terá que ser a Alguém que já faça o bem. E se esse Alguém for o humilde Menino do Natal que veio para fazer o Bem e o receber em cada pequenino! Afinal, Aquele de quem João disse que tira o pecado do mundo, “revogando a sentença de condenação” e remindo a pena de todos com a oferta da própria vida.

Para isso nasceu e foi reclinado na manjedoura no curral do seu Natal e, pregado no madeiro da Cruz, morreu por amor. O Menino do Natal ressuscitou! Alegrai-vos! É Natal! Fazei o bem a todos, pequenos e grandes!

Funchal, Novena do Natal, 2024

Categorias

  • Conexão | Brasil x Portugal
  • Cultura
  • História
  • Política
  • Religião
  • Social

Colunistas

A.Manuel dos Santos

Abigail Vilanova

Adilson Constâncio

Adriano Fiaschi

Agostinho dos Santos

Alexandra Sousa Duarte

Alexandre Esteves

Ana Esteves

Ana Maria Figueiredo

Ana Tápia

Artur Pereira dos Santos

Augusto Licks

Cecília Rezende

Cláudia Neves

Conceição Amaral de Castro Ramos

Conceição Castro Ramos

Conceição Gigante

Cristina Berrucho

Cristina Viana

Editoria

Editoria GPC

Emanuel do Carmo Oliveira

Enrique Villanueva

Ernesto Lauer

Fátima Fonseca

Flora Costa

Helena Atalaia

Isabel Alexandre

Isabel Carmo Pedro

Isabel Maria Vasco Costa

João Baptista Teixeira

João Marcelino

José Maria C. da Silva...

José Rogério Licks

Julie Machado

Luís Lynce de Faria

Luísa Loureiro

Manuel Matias

Manuela Figueiredo Martins

Maria Amália Abreu Rocha

Maria Caetano Conceição

Maria de Oliveira Esteves

Maria Guimarães

Maria Helena Guerra Pratas

Maria Helena Paes

Maria Romano

Maria Susana Mexia

Maria Teresa Conceição

Mariano Romeiro

Michele Bonheur

Miguel Ataíde

Notícias

Olavo de Carvalho

Padre Aires Gameiro

Padre Paulo Ricardo

Pedro Vaz Patto

Rita Gonçalves

Rosa Ventura

Rosário Martins

Rosarita dos Santos

Sérgio Alves de Oliveira

Sergio Manzione

Sofia Guedes e Graça Varão

Suzana Maria de Jesus

Vânia Figueiredo

Vera Luza

Verónica Teodósio

Virgínia Magriço

Grupo Progresso de Comunicação | Todos os direitos reservados

Desenvolvido por I9