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Idea Vilariño

  • Junho 15, 2025
  • Cultura
  • Rosarita dos Santos

 

Idea Vilariño nasceu em Montevidéu, Uruguai, em 18 de agosto de 1920 e faleceu em 2009. Foi uma importante ‘poeta’, tradutora e crítica literária que também compartilhou seus conhecimentos como educadora na Faculdade de Humanidades e Ciências da Educação.

Sua obra foi traduzida para vários idiomas e lhe rendeu inúmeros prêmios internacionais. A autora pertenceu ao grupo de escritores denominado Geração de 45, momento no qual o Uruguai passou por um apogeu econômico e social que resultou em produções artísticas e literárias excelentes. Associada às características do modernismo e à vontade do rompimento com influências culturais anteriores, sua produção poética atinge o ápice da obra.

A poesia de Idea Vilariño organiza, sobretudo, um tratado do tempo: nascimento, vida, corpo, amor e morte são as temáticas que a confrontam, em versos que produzem, no instante do poema, espaços de silêncio e hesitação, necessários a quem se expõem ao escrever. Tudo é muito simples e, ainda assim, existem o vazio, o não pertencimento, uma solidão que avança e torna-se acompanhada pela vida; assim me parece que operam os poemas em sua obra, na vontade por desmontar qualquer tipo de processo tido como essencial e padronizado em nossa existência.

Alguns dos títulos mais famosos de seus textos são “A suplicante”, “Noturnos” e “Poesia”; neles, pode-se encontrar uma ‘poetisa’ intensa e intimista que, acima de tudo, escreve com uma coerência sempre notável. Tampouco sua paixão artística não se resumiu à literatura, ela também dedicou muito tempo à música, colaborando com a criação de importantes canções da música popular, especialmente.

Os versos aqui selecionados fazem parte do livro “Noturnos”, lançado em 1955.

Primeira poesia: ‘Noite deserta’. “Noite deserta / noite / mais que a / noite tudo / o terrível vazio dos céus / cercando minha noite / ou meu quarto minha cama / meus poucos anos meus / de sangue pele respiração / de vida / quero dizer / minha vida fugaz / meus poucos anos. / E ninguém a quem eu possa / abraçar chorando.”

Segunda poesia: ‘Noite de sábado’. “Todo ar / os céus / o vasto mundo ébrio / dão voltas e mais voltas e mais por aí / deste quarto esta cama / esta luz esta / hora. / Toda vida / toda / vibra frágil e densa / ou brilha por aí / ou quebra no escuro. / Toda vida vive / toda noite é noite / o mundo, mundo / todos / estão fora estão / fora daqui / do meu âmbito / para todos é sábado / é noite de sábado / e eu estou sozinha / e estou sozinha / e sou sozinha / ainda que às vezes / às vezes / em uma noite de sábado / me invada às vezes uma / nostalgia pela vida.”

Terceira poesia: ‘Amor’. “Amor / desde a sombra / desde a dor / amor / te estou chamando / desde o poço asfixiante da lembrança / sem nada que me sirva nem te espere. / Te estou chamando / amor / como ao destino / como ao sonho / à paz / te estou chamando / com a voz / com o corpo / com a vida / com tudo o que tenho / e que não tenho / com desespero / com sede / com pranto / como se fosses ar / e eu me afogasse / como se fosses luz / e eu morresse. / Desde uma noite cega / desde esquecimento / desde horas fechadas / no solitário / sem lágrimas nem amor / te estou chamando / como à morte / amor / como à morte. “

Quarta poesia: ‘Vive’. “Vive / Aquele amor / aquele / que toquei com a ponta dos dedos / que deixei que esqueci / aquele amor / agora / em umas linhas que / caem de uma gaveta / está aí / continua aí / continua me dizendo / está doendo / está / ainda / sangrando.”

Quinta poesia: ‘Tudo é muito simples’. “Tudo é muito simples muito / mais simples e, no entanto, / ainda assim há momentos / em que é demais para mim / em que não entendo / e não sei se rir às gargalhadas / ou se chorar de medo / ou ficar aqui sem pranto / sem risos / em silêncio / assumindo minha vida / meu trânsito / meu tempo.”

Nesses poemas que exibimos, tivemos a oportunidade de compreender o que nos proporcionou Idea Vilariño, e como ela o fez; embora a autora tenha mantido uma atitude no limite quase encoberta, em relação à divulgação de sua obra ao longo da vida, hoje ela é considerada como um dos clássicos da literatura latino-americana.

Sua poesia de amadurecimento lento transita sempre entre extremos, tensa, como se “voasse” a uma  urgência íntima. Percebe-se que o tema mais contundente que aparece em sua composição poética é a morte, mas uma morte que pulsa e se vivencia no esplendor da vida, nos golpes do amor, na dialética entre ausência e memória.

Fechamos assim: a leitura desses poemas constitui uma experiência intensa e duradoura e representa a descoberta de uma das vozes mais poderosas e secretam

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