Em 2010, padeci distúrbio, chamado de Síndrome do Pânico; estava em um barco-hotel, em pleno Rio Paraguai, a 200km de qualquer indício de civilização. Minhas pernas e braços formigaram; o coração disparou (taquicardia) e a pressão foi às alturas. Como nada sabia, desconfiei estar infartando. Só no Hospital de Porto Mortinho descobri o transtorno de que padecia.
Em casa, primeiro procurei um médico e depois um psicólogo; os remédios minimizaram os sintomas. Eu queria saber a causa? O objetivo era fazer uma viagem à mente, certamente ao inconsciente, pois, por raciocínio lógico, não havia motivo aparente. Hoje estudo psicologia e comecei a preocupar-me com a gama de outros ramos do conhecimento na formação do objeto, metodologia e conhecimento sistematizados nesta ciência.
Em princípio, no meu distúrbio, tive medo de morrer nas lonjuras de um grande rio, dentro do território da Bolívia. O medo da morte é um tema central da filosofia. A taquicardia e a hipertensão arterial estão interligadas na fisiologia do corpo humano. Assim, fica certo, que a psicologia, como ciência, encerra, em seu caminho estrutural, conteúdos filosóficos e fisiológicos, por suas causas e efeitos na psique humana.
Um sistema de conhecimento nunca é completo; é um todo, fracionado em diversas partes. Trata-se de um todo justaposto, pois as partes nele se ligam, formando um conjunto. Somente por estar estudando, ou lendo, é que se verifica da importância que os diversos ramos culturais e científicos dizem para com as ciências que nos envolvem e dizem respeito.
Outra tônica da minha coluna diz para com o ECA VIRTUAL que, no último dia 17 de março, entrou em vigor. Segundo o art. 1º, “esta lei dispõe sobre a proteção de crianças e de adolescentes em ambientes digitais e aplica-se a todo produto ou serviço de tecnologia da informação direcionado a crianças e a adolescentes no País ou de acesso provável por eles, independentemente de sua localização, desenvolvimento, fabricação, oferta, comercialização e operação”.
A tecnologia da informação, em sua larga abrangência, com uma população menor de 18 anos de idade, tem gerado distúrbios emocionais, problemas de socialização, reações comportamentais e de saúde. Crianças, com 7, 9,13 anos de idade, para ilustrar, passam enorme lapso de tempo usando o celular ou um tablet, diariamente. Uma dependência altamente prejudicial.
“Essas pessoas estão mais vulneráveis e têm uma dificuldade maior de procurar ajuda. A IA consegue oferecer empatia, mas nunca ajuda real. O robô não está programado a oferecer ajuda em situações de crise, por exemplo”. diz a psicóloga Ana Beatriz Chamati (especialista no atendimento clínico infantil).
Para reforçar sua assertiva, a terapeuta relata que, nos Estados Unidos, um adolescente cometeu suicídio, instigado pela Plataforma ChatGPT, sem que o robô soasse alerta. A ajuda é buscar tratamento psicológico, justamente porque a síndrome da dependência é um quadro psíquico e comportamental que merece cuidado especializado.
A evolução do conhecimento humano (em 1965, todo este conhecimento estava contido na Enciclopédia Britânica; hoje, produz-se o conhecimento equivalente a 10 enciclopédias por dia), produz subsídios epistemológicos para alicerçar outras ciências. No caso, a Tecnologia da Informação e da Inteligência Artificial, avolumaram as influências à constituição da Psicologia Científica.

