do presente nasce da ignorância do passado”. Esta frase de Marc Bloch abre o vídeo “The day of the siege: September Eleven 1683”, que aliás recomendo para o entendimento do cerco de Viena, cuja derrota salvou o Ocidente do assalto muçulmano.
Da mesma forma que quem tem amigos não morre pagão, quem os tem também pode mitigar seu grau de desconhecimento. Foi o que aconteceu com o presente de um colega. Um livro, presente aliás melhor que vinho. E olha que gosto de vinho. “A patrulha de sete João”, de Euclides Torres. Primoroso, tem como protagonista um imigrante alemão, recrutado pelo Império para lutar contra Rosas. Era um dos mercenários, um brummer, expressão que pode ser traduzida como zangão, ou ranzinza.
O século XIX no Cone Sul é uma coleção de barbaridades, tropelias, maldades sem conta. Rosas, o presidente argentino, é um bandido. Do lado de cá da fronteira nossos exemplos não foram lá muito edificantes e a refrega fratricida de 1893 não foi um entrecho isolado de violência.
Torres descreve um episódio da Guerra dos Farrapos envolvendo João Manuel de Lima e Silva, o primeiro general dos farroupilhas, morto em São Borja numa emboscada. Soldados de uma milícia a serviço do Império abriram o túmulo do general e espalharam seus ossos numa praça. Em reparação, seus seguidores decidiram levar seus restos para Caçapava e o fizeram com escolta de lanceiros e honrarias. Dois anos depois o túmulo foi também profanado.
Apreciei a obra até suas linhas finais. Sem qualquer wokismo, o autor declara nas mesmas que usou o diário do brummer Joseph Wilt Meurers, seu parente, morto de forma cruel por inimigos, para “esmiuçar a barbárie que imperou na Revolução Federalista de 1893-1895 e aborrecer um pouco o sono pesado de quem só enxerga na história dos pampas lances de glória e heroísmo, esquecendo as infâmias e traições”.
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Volta e meia somos forçados a organizar um armário, gavetas ou nosso local de trabalho. Num destes eventos reencontrei pouco mais de trinta charges que desenvolvi com um então colega em São Paulo. Os temas oscilavam entre política e questões existenciais. Criamos um personagem, que batizei como Professor Umbático, cujo traço fundamental era a ironia e a exposição do non sense de coisas banais. Umbático era essencialmente um inconformado.
Poucas no estilo “sem palavras”, mas quase todas com frases curtas. Eu bolava o texto e o colega desenhava. Graças aos céus não dependíamos desta brincadeira. Porque morreríamos de fome. Nos faltou verve, mas as tentativas, pelo menos pra mim, foram de grande valia porque as charges exigem poder de síntese, em geral maior que a tarefa de escolher manchetes. Acreditem, este exercício amador, transcorrido em mais de dois anos, combateu minha prolixidade. Acreditem, já fui pior …
Revisitando os originais, produzidos há quase quarenta anos, e me atendo sobretudo às charges notoriamente políticas, tive o desprazer de perceber que o país pouco mudou. E quando e onde o fez, foi pra piorar. Que sina a nossa: não aprendemos com o passado.
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Ontem foi um dia particularmente feliz. Nossa caçula foi crismada. Ela e os demais catecúmenos receberam a efusão dos dons do Espírito Santo: Sabedoria, Inteligência, Discernimento, Fortaleza, Ciência, Piedade e Temor de Deus.
O bispo celebrante adentrou a Igreja com seu báculo, símbolo de autoridade pastoral na difícil tarefa de conduzir o rebanho pelo tortuoso caminho no rumo da Eternidade. Dias atrás Leão XIV prosseguiu na evolução do Magistério da Igreja lançando a encíclica Magnifica Humanitas, documento muito oportuno num tempo em que a inteligência artificial tanto encanta quanto preocupa.
Os interessados podem acessá-la através de https://www.vatican.va/content/leo-xiv/pt/encyclicals/documents/20260515-magnifica-humanitas.html.
Vida longa ao Bispo de Roma.
