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Ao entardecer da vida

  • Setembro 28, 2025
  • Conexão | Brasil x Portugal
  • Maria Helena Paes

Adormeço algo agitada. Sonho que algumas lágrimas começam a resvalar pelo meu rosto, fruto de desgostos, de contrariedades vivenciadas, mas também de muitas alegrias e de bons momentos. Guardo tudo coração. Na realidade, as inúmeras situações e experiências que tive a graça de usufruir constituem, ao longo dos anos, o meu grande tesouro. As minhas memórias valem o que valem, mas para mim são importantes.

Estranhamente, deixei de sentir vontade de as partilhar. Num primeiro momento pensei que precisava de tempo, que possuíam algum interesse. Talvez fosse bom fazer uma pausa, uma vez que estava a atravessar uma situação familiar que exigia um maior esforço da minha parte. Alguém me terá dito na altura que o facto talvez constituísse um pecado de omissão. Que a minha escrita possuía uma mensagem, experiência de vida. As lágrimas que hoje senti em sonhos expressavam um grande vazio. Fizeram-me sentir uma solidão imensa por não partilhar as vivências do momento presente. Também por não ter ouvido quem me quer bem desinteressadamente. Mea culpa!

Olho ao meu redor. Na enorme mesa da casa de jantar, outrora repleta de família e amigos, também de risos, de alegria, de histórias partilhadas…pouco resta! A maior parte dos lugares, de quem me acompanhava, apoiava e consolava, já partiu para o Reino eterno. A mesa encontra-se agora quase vazia. Os resistentes seguiram com as suas vidas, deixando uma enorme sensação de vazio, de saudade. Mas, por outro lado, sinto-me feliz também por já não dependerem tanto de mim, ainda que, de vez em quando, voltem a recorrer quando necessitam do meu apoio. Como me sinto ambivalente! Feliz por um lado e saudosa por outro.

Unicamente Tu, Senhor, permaneces sempre a meu lado. Obrigada, perdão pelos meus erros cometidos. Continua a ajudar-me, enquanto um Pai, que não priva os seus filhos das tribulações, ajudando-os a crescer e a fortalecerem-se. Outrora, terei referido que gostaria de morrer a trabalhar. Apercebo-me, agora, com o avançar da idade que tal poderá não ser possível. Os anos passam, algumas fragilidades vão surgindo! Tudo aceito de bom grado, lutando, cada dia, por levar a vida em frente, agora talvez com um esforço redobrado, ajustado a esta nova realidade, mas reconhecendo que podemos ser sempre úteis, que todos temos uma missão a cumprir na nossa vida terrena.

No baú das recordações, também estão as memórias dos bons tempos vivenciados em família, em viagens, em diferentes festas. Dou graças a Deus por ter podido usufruir desses momentos felizes. A saudade de todos os que partiram é grande, mas eles estão presentes no nosso coração! Consola-me saber que devem estar a celebrar a vida no Reino dos Céus. Será que um dia estarei com eles no Paraíso?

E as lágrimas continuavam a resvalar, como se quisessem apagar da memória os desgostos, contrariedades e saudades, sabendo que o passado está enterrado. Talvez seja psicossomático. Às vezes sentimo-nos mais frágeis! Veio-me, entretanto, à memória uma frase de S. João da Cruz: “Ao entardecer da vida seremos examinados sobre o amor”. Desperto deste meu sonho com um sentimento de felicidade, sorrindo para a vida, com o coração repleto de amor e de esperança. Por pouco que se possa fazer, nada se perde. O Senhor tornará fecundos todos os esforços desenvolvidos. Consola-me e enche-me de alegria saber que Deus nos oferece sempre a sua graça, a possibilidade de começar e recomeçar. Preenche-nos o coração e dá sentido à nossa vida. Dar paz, atenção e consolação aos outros fará certamente muito bem. O poder da oração tem muita força. Um terço rezado por diferentes situações tão preocupantes que existem hoje em dia, é um contributo enorme de um coração das pessoas que transborda de amor para com os outros em prol do Bem da sociedade, sabendo que Jesus cuida de nós.

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