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O Fundador de Casa Centenária de Hospitalidade

  • Agosto 7, 2024
  • Religião
  • Padre Aires Gameiro

 

Foi em fevereiro de 1922 que os Irmãos de S. João de Deus iniciaram a preparação da Casa de Saúde S. João de Deus no Funchal. Em cem anos ela não deixou de dar abrigo, pão e cuidados de saúde a mais de 42 mil pessoas frágeis e doentes. É uma obrigação evocar o Irmão Manuel Maria Gonçalves, nascido em 23.05.1889 em S. Simão de Litém, Pombal. Era o rapaz mais velho da família, seguido do António que foi longos anos Regedor e mais tarde Presidente da Junta da freguesia. O terceiro rapaz, José Gonçalves Nogueira, veio a ser também diretor da Casa de Saúde S. João de Deus-Funchal de 1937 a 1940. Era filho da mãe Rosária Nogueira, de segundo casamento, e primo de outros Nogueiras que também foram Irmãos de S. João de Deus; e o quarto, o Joaquim com quem falei em 27.04.2003, ainda lúcido, e que veio a falecer com cem anos na sua terra. Era gente que sabia ler e escrever!

O Manuel foi o primeiro jovem de S. Simão de Litém a ser Irmão de S. João de Deus a que se iriam seguir cerca de seis dezenas a tentar ser e 20 a perseverar como religiosos. Professou na Casa de Saúde do Telhal, Sintra, em 16.07.1908 e fez a profissão solene em 08.12.1919, em Madrid, recebida pelo Provincial Irmão João Jesus Adradas, aquele que inaugurou esta Casa de Saúde em 10.08.1924. Teve bastantes funções de direção e formação e na fundação desta Obra, venceu dificuldades para preparar o solar da Quinta do Trapiche para a inauguração no dia 10 de agosto de 1924 com cerca de 40 doentes.

O Irmão Sinforiano Lucas Feijão, co-fundador, e outros Irmãos dos primeiros anos, são dignos de admiração e gratidão hospitaleira pelo esforço dedicado e espírito hospitaleiro à imitação de S. João de Deus. Felizmente, muitos vizinhos e benfeitores rodearam os Irmãos de carinho e ajudas generosas sem fim, criando um ambiente de acolhimento e apoio sem medida, digno de gratidão, que se prolongou até ao presente.

O Irmão Manuel Maria Gonçalves mudou daqui, em 1928, para superior de Casa acabada de fundar, em Barcelos; e de 1931 a 1940 foi Mestre de Noviços, na Casa de Saúde do Telhal, Sintra, onde formalizou o seu Curso de Enfermagem com exames na Escola Artur Ravara com distinção de 16 valores; e foi Conselheiro Provincial (1934-1937). Foi Mestre de Neoprofessos, em Barcelos (1940-1943), e nesta Casa, de novo superior (1943-1946).

Por breve tempo foi Mestre de Postulantes (Telhal). Lembro-me do que me aconteceu quando, um dia, me disse à queima roupa: tenho impressão que o postulante (eu) se quer ir embora. Surpreendido, respondi prontamente: não quero, não. Pensei mais tarde se não teria dito isso para me experimentar. Na verdade, não pensava deixar a Ordem. Logo em 1947, foi nomeado para superior e restaurador da Ordem no Brasil, Rio de Janeiro, e a seguir, nessa cidade, superior da Clínica de S. João de Deus e Delegado Provincial no Brasil.

Ao regressar, em 1957, ainda foi vice-mestre de noviços e colaborador da revista Hospitalidade para a qual já tinha escrito numerosas crónicas  sobre a Ordem no Brasil, de 1947 a 1957, e, nos anos 1962 e 1963,  redigiu as suas notas históricas da fundação da Casa de Saúde S. João de Deus, Funchal, recolhidas no I volume da História da Casa (2014). Era um Irmão com grande capacidade de organização e exigente consigo mesmo e com os seus formandos a quem pedia sinceridade e autenticidade como me apercebi durante alguns meses em que foi meu Mestre.

A sua ação, nos primeiros seis anos desta Casa, enfrentou dificuldades que ele, o Irmão Sinforiano Lucas Feijão co-fundador e outros Irmãos venceram, rodeando-se de leigos generosos como colaboradores qualificados. Seguiu o espírito hospitaleiro legado por S. João de Deus. O Irmão Horácio Martins Monteiro, organista e Superior desta Casa durante vários anos assistiu o Irmão Manuel Maria Gonçalves na última doença e testemunhou que ele era um doente fácil de assistir, e de grande autonomia durante a doença. Que se mantinha sempre muito calmo e não incomodava ninguém. Não se queixava nunca e, enquanto pôde, era ele que se deslocava à Clínica da Casa para a injeção. Sentava-se ali e esperava em silêncio sem se impacientar, sempre com muita paz.

O corpo clínico desta Casa era uma equipa muito competente; e os Irmãos que assistiam outros Irmãos tinham boa preparação. Tudo isto levou o Irmão Monteiro a dizer-me há pouco que o Pe. Aires terá testemunhado numa reunião que os Irmãos doentes eram bem assistidos lá no Telhal. Mas não é tudo. O Irmão Monteiro também testemunhou que teve a sensação que veio para o Funchal em 1992 para bem assistir e sepultar os Irmãos idosos que iam adoecendo nesta Casa centenária, cinco: Alexandre Martins (1994), Manuel M. da Cruz (1995), Manuel Pedro (1996), Albino Jorge, (2004) e Manuel Pereira (2008) dos 12 aqui falecidos durante os cem anos.

Celebrar um centenário é fazer memória do bem realizado. O Irmão Manuel Maria Gonçalves, falecido em 30 de novembro de 1970, e todos os que continuaram o seu projeto hospitaleiro vão, certamente, ser lembrados na celebração de ação de graças deste Centenário.

 

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