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Cretinos

  • Outubro 9, 2024
  • Cultura
  • João Baptista Teixeira

Subia a serra, como faço uma vez por semana, e alternava entre programas radiofônicos. Temas insossos e propagandas são estímulos para buscar outras frequências. Numa das estações os radialistas começaram a deitar falação sobre o celibato dos sacerdotes católicos. Condenaram sua manutenção, como antinatural e fio condutor para a pedofilia.

Ainda que com asco, escutei. Não se trava o bom combate sem entender os contrários. Colecionaram bobagens, entre elas a de que a Igreja Católica é a única instituição religiosa que mantem o celibato. Certamente esqueceram do budismo. Ou os monges casam e constituem família? Não sabia que o Dalai Lama, tratado pelos seguidores como sua santidade ou sua majestade, é casado …

Que fique claro que a pedofilia é uma monstruosidade, entre tantas do gênero humano, como o incesto, a zoofilia e outras perversidades. Sempre que a acusação de pedofilia entre religiosos é comentada, penso o quanto padecerá no Juízo Final um infeliz capaz de tamanho desvio. Também imagino que não será fácil para juízes que vendem sentenças, para propagadores de pornografia, policiais corruptos, entre outros de uma longa e tétrica lista teratológica.

Se não houver discernimento, porém, a suspeita não conhecerá limites e recairá sobre médicos, fisiologistas, líderes de escoteiros, enfermeiros, motoristas de transporte escolar, professores de dança e mesmo de artes marciais, apenas para citar algumas profissões que trabalham ou interagem com crianças e adolescentes.

Os radialistas – dentre os quais predominam os papagaios que andam a palrar a defesa de diversidade e de tolerância,- em tais momentos mostram-se intolerantes com as regras de uma instituição religiosa. Desconheço se professam algum credo, mas trabalham numa emissora que pertence a uma denominação pentecostal. Que tal se criticassem a “teologia” da prosperidade de seu empregador, as encenações circenses e a venda de falsos milagres, que ludibriam incautos e desesperados?

Anos atrás o Cardeal Tarcisio Bertone causou um rebuliço ao recusar a hipótese de que celibato e pedofilia teriam uma relação causal. Foi além, sugerindo que os casos de pedofilia na Igreja eram associados à homossexualidade dos sacerdotes denunciados. O tema gerou revolta e caiu no esquecimento, mas talvez merecesse uma investigação aprofundada, capaz de corroborar ou desmentir a hipótese levantada por aquele que era, à época, Secretário de Estado do Vaticano (https://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL1569053-5602,00-VATICANO+CONTESTA+DECLARACOES+DE+BERTONE+SOBRE+HOMOSSEXUALIDADE.html).

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Por falar em tolerância, em diversidade, em aceitação do diferente, lamento afirmar que é quase tudo “para inglês ver”, como se dizia de coisas de fachada. As escolas aceitam alunos com dificuldades cognitivas, designam profissionais para apoio, quando disponíveis, mas os colegas rejeitam os diferentes, por vezes com uma crueldade inimaginável.

Quando soube de um caso recente de rejeição, acabei por concluir o óbvio: como poderia uma sociedade antropoteísta, fundada sobre o pífio alicerce da vaidade, sem olhos para o Alto, sem caridade, mostrar-se realmente tolerante?

Podem legislar à vontade, multiplicar códigos de conduta, treinar meio mundo e tentar persuadir. Tudo em vão. Sem o sopro da caridade este barco não anda.

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Está a encerrar-se mais um ciclo eleitoral no país. As últimas semanas foram pródigas em promessas vazias e lançaram fraca luz sobre candidatos irrelevantes, que picados pela mosca azul passaram a acreditar que as urnas os consagrariam. Corta o coração analisar os números de votos recebidos por alguns. Menos de cinquenta votos, num colégio eleitoral de dezenas de milhares. Estes incautos são bois de piranha, admitidos e estimulados apenas para engordar, ainda que escassamente, os votos de legendas. Este negócio não é para amadores.

Com o mesmo sofrimento de quem tenta manter-se acordado debaixo de um sono invencível, sigo tentando acreditar no poder de transformação da democracia, mas digamos que sou meio ateu na religião da política.

Quando se vê as coisas de forma desapaixonada e cética, é inevitável o desgosto com o gasto de material de propaganda. Totens, santinhos e magotes a agitar bandeiras nas esquinas, gente paga, sem qualquer convicção. Seria algo apenas circense se saísse do bolso dos candidatos, mas o povo paga esta barbaridade, que os tolos denominam festa da democracia.

Mas que raio de democracia é esta, com um centralismo absurdo? É uma farsa. Cansativa.

Será que esta farsa nunca será desmascarada?

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