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O povo especial

  • Outubro 20, 2024
  • Religião
  • José Maria C. da Silva André

A muralha que se estende de um extremo ao outro da imagem é o limite da esplanada do antigo Templo de Jerusalém. Destruído pelos romanos, só resta esta imensa esplanada vazia, com algumas mesquitas.

 

O livro «Deus, a Ciência, as Provas — A alvorada de uma revolução», de Michel-Yves Bolloré e Olivier Bonnassies, acaba de ser traduzido para português (no original «Dieu la Science les Preuves»). Um dos capítulos trata da história misteriosa de Israel, um povo especial entre todos os povos antigos da terra.

Todos os povos conquistados, desapareceram em poucos anos. Este não.

Os povos que se dispersaram e diluíram pelo mundo, perderam a referência original. Este não.

Os povos cujos cidadãos perderam o contacto entre si e a língua própria, perderam também a identidade. Excepto este.

Há populações vítimas de racismo, ou escravizadas, mas nenhum povo foi perseguido com uma persistência comparável. Israel subsistiu a séculos seguidos de exílios duríssimos, desde muito antes de Cristo, até o império romano e os dois mil anos recentes.

O livro de Bolloré e Bonnassies ilustra esta singularidade citando autores célebres: Pascal, Mark Twain, Toynbee, Jean-Jacques Rousseau, Léon Tolstoï, Nicolas Berdieaeff…

«Que é feito dos godos, dos visigodos, dos ostrogodos, dos vândalos, dos pictos, dos anglos, dos saxões, dos hunos, dos gauleses, dos francos? E, no Oriente, dos persas, dos medos, dos assírios, dos fenícios, dos filisteus, dos cananeus, dos hititas, dos jebuseus, etc.? Não ficou nada! Desapareceram todos, diluídos nesta grande máquina de mesclar e apagar a identidade dos povos que é a história, com as suas guerras, as suas migrações e as suas misturas».

Claramente, o elemento especial deste povo é ter recebido a revelação de Deus. Durante mais de um milénio, foram objecto de uma predilecção sem paralelo e —paradoxo que não é fácil de compreender— foram repetidamente infiéis a Deus. Receberam em primeira mão graças extraordinárias, que deram origem aos livros da Antiga Aliança, mas fugiram de Deus sistematicamente.

Nenhum povo da Antiguidade tomou a iniciativa de abandonar a sua idolatria e, uma vez conquistados, todos eles adoptaram a idolatria dominante. Os seus cultos duravam o mesmo que a língua, os costumes e a estrutura social. Excepto no caso deste povo especial. Em tempo de paz, quando nada os impedia de seguir a tradição, esqueciam-se do seu Deus; na tribulação, quando lhes queriam impor quaisquer ídolos, resistiam.

Não é preciso concordar com Bolloré e Bonnassies quando vêem sinais providenciais no êxito das operações militares das últimas décadas, o importante é reconhecer o mistério patente em milénios de história. Curiosamente, os fundadores do actual Israel eram ateus na generalidade e a maioria da actual população é ateia ou agnóstica. Se amar e perdoar são sinais de Deus, o clima de ódio e o anseio de vingança que encontrei em Israel, quando lá estive (em Julho de 2023), choca profundamente. A crueldade com que, nessa altura, o Governo e a maioria parlamentar trabalhavam para alargar o país expulsando os palestinianos das suas terras pareceram-me uma coisa demoníaca e, infelizmente, os ataques terroristas de Outubro de 2023 serviram de desculpa para acelerarem o processo e desencadear o massacre a que temos assistido.

Que mistério tão grande envolve este povo?

São Paulo escreveu aos romanos que «a cegueira de Israel foi parcial, até que a plenitude dos gentios entrasse, e assim todo o Israel se salvará, como está escrito». E adiante: «Quanto ao Evangelho, são inimigos [de Deus] para vosso bem; mas, quanto à escolha [divina], são amados por causa dos seus pais. Porque os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis».

Tudo isto é misterioso. Ainda mais misterioso esse outro povo, mais inexplicável, nascido de Israel. Esse povo novo, a Igreja, ultrapassa a multiplicidade das línguas e das culturas, das geografias, das fronteiras e dos enfrentamentos da história; sobrevive a todos os impérios e mudanças sociais. À Igreja se referiu Cristo, quando prometeu «Eu estarei convosco todos os dias, até ao fim do mundo».

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