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García Lorca, 1898-1936 Obra dramática – Bodas de sangue, 1933

  • Dezembro 3, 2024
  • Cultura
  • Rosarita dos Santos

 

Já conhecemos da imensa capacidade do autor em criar poemas que nos encantam e que nos despertam em sua grandeza poética. Pois bem, agora vamos expor um pouco de sua literatura cênica.

A obra  teatral intitulada ‘Bodas de Sangre’, escrita em 1931 e editada em 1933, do poeta e dramaturgo espanhol Federico Garcia  Lorca, possui  um  caráter literário universal, considerando a maneira como o  autor retrata a intensidade e as  consequências das grandes paixões. Esta forma peculiar de retratar o ser humano tem sido abordada sob várias perspectivas, originando diferentes tipos de análise e leitura, desde sua publicação.

Trata-se de uma tragédia em verso e em prosa, além disso, essa produção poética e teatral se concentra na exposição de sentimentos trágicos, dos antigos e dos modernos, na maneira de ver o drama que se instalou. Tudo emoldurado em uma paisagem andaluza fatalista e mundial, por meio de cada um dos personagens. O tema principal dessa grande fatalidade é a vida e a morte; mas de uma forma ancestral, com mitos, lendas e paisagens que introduzem o leitor em um mundo de paixões obscuras que levam ao ciúme, à perseguição e ao fim trágico: a morte. Por outro lado, o amor se destaca como a única força que pode superar tudo isso.

A obra reflete os costumes da terra natal do autor, que ainda sobrevivem até hoje. Tudo isso é baseado em objetos simbólicos que anunciam a tragédia. A obsessão com o punhal, a faca e a navalha, que em Bodas de sangue atraem o fascínio e, ao mesmo tempo, prenunciam a morte, é uma constante na obra de Lorca. Além dos elementos naturais que também são proeminentes, como a lua.

Os eventos trágicos – e reais – nos quais a peça de Lorca parece ter-se baseado, em 1928,  também foram uma inspiração para o autor. ‘Bodas de sangue’ é a primeira das que mais tarde foram chamadas de “tragédias rurais”, juntamente com ‘Yerma’ de 1934 e ‘A casa de Bernarda Alba’, de 1936, devido ao tema comum do campo andaluz. Personagens principais: o noivo – um pouco ingênuo, mas ao mesmo tempo extremamente apaixonado; ele não está disposto a se afastar da pessoa que ama, sua noiva; a noiva – mulher impulsiva, apaixonada e indecisa; ela afirma estar sendo arrastada por uma força, para fugir com seu amado, Leonardo, ou para não ser marcada como impura.

Personagens secundários: a esposa de Leonardo: ela entende perfeitamente o desejo de seu marido por sua prima, ela tenta evitá-lo o máximo que pode, sem sucesso; a lua: ela aparece na cena da floresta, a mais poética da peça, como um jovem lenhador de rosto branco – e por meio da iluminação que fornece – um elemento teatral que é enfatizado várias vezes nas notas da peça, que mencionam a intensa luz azulada que deve ser projetada quando a personagem aparece, ela desempenha o papel de “ajudante da Morte”, pois intervém no fim trágico dos dois homens.

Quanto à Morte, ela também aparece na floresta como uma mendiga, descalça e completamente coberta por panos esverdeados e escuros; ela acompanha o Noivo em busca de Leonardo e da Noiva, e adiante, chega ao funeral de Leonardo e do Noivo. Ainda temos o personagem do pai da noiva: ele ama muito sua filha; ele sabe que ela pensa em Leonardo e não em seu noivo, mas quer unir as propriedades de ambas as famílias e ter netos para trabalhar na terra. E a mãe da noiva: ela não concorda com o casamento, come dois pratos enormes de ensopado e vai tirar uma soneca.

Símbolos do texto: o cavalo, comumente simboliza virilidade e masculinidade; provavelmente, a menção mais significativa deste símbolo está na canção de ninar cantada pela sogra e pela mulher na segunda cena do primeiro ato. Quanto à lua, ela é um elemento recorrente na obra de García Lorca, simbolizando a morte, na maioria das vezes, entretanto, aqui, ela não está associada apenas à morte, mas também está diretamente ligada à violência e ao derramamento de sangue que ela implica.

Quanto à faca, ela simboliza a morte e a ameaça; já a mendiga esfarrapada representa a morte, e finalmente, a coroa de flores de laranjeira são simbólicas com o compromisso e honra. ‘Bodas de sangue’ já foram filmadas por quatro vezes, em argentino e em marroquino, e “transformadas” em quatro óperas, entre elas, uma argentina, uma húngara e uma alemã.

Terminamos a pequena exposição da grande obra do autor, com o poema final, após a morte; ‘Mãe: / E mal cabe em sua mão, / mas que penetra friamente / através da carne atônita / e ali ela para, no lugar / onde treme emaranhada / a raiz escura do grito. / (As vizinhas, ajoelhadas no chão, choram).’ / Cortina / Fim de/ “Bodas de sangue”.

Percebemos, ao longo de nossa leitura, que a obra do autor é rica em significados, em simbologias, tornando sua leitura um ato não tão simples, mas seguramente repleta do que é essencial: sua dramaticidade e o aspecto trágico do amor. Federico García Lorca é, sem dúvida, um dos autores de língua espanhola mais lidos no mundo, e sua fama ultrapassa fronteiras e tempos.

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