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Portas abertas do Menino Jesus mesmo em Pequim

  • Janeiro 3, 2025
  • Religião
  • Padre Aires Gameiro

 

Desde há 2025, sempre houve portas abertas pelo Menino para humildes e poderosos; vão continuar abertas no Jubileu de peregrinos da esperança. Muitos podem aproveitar, para encontrar o Menino Deus: uns, em noite de trevas à procura da Luz, como Nicodemos, com cautela/ medo/vergonha dos seus pares eruditos; outros, como os pastores e reis do Oriente e Ocidente, do Norte e do Sul. Pobres e ricos, podem entrar pelas portas abertas. Ele espera como no primeiro Natal. Mal é alguns fecharem o coração.

O Menino, esse bate, bate, sem descanso e nunca se atrasa nem na cultura atual da pressa ansiosa de coração e cérebro rot (podre de lixo). Será que os conflitos mundiais de guerras e lutas (mais de meia centena) bloqueiam as relações de amor e perdão com as de ódio, ganância e vingança? E os conflitos de famílias,  grupos e grupelhos não sujam a entrada? Depende da esperança de em quem se espera e de quem é de confiança, se inspira esperança, se inocula desesperança.

A chave da esperança é o perdão. Infelizmente, grupos aterrorizantes de religiões, secularismos e ateísmos extremistas entregam-se à violência, guerras e vinganças de lei de talião: “matas, mato”. E alguns justificam os males com as fraquezas da natureza do homem fraco e pecador, sem livre arbítrio para resistir aos vícios da animalidade humana. Esquecem que o Verbo de Deus, Jesus Cristo, ao incarnar, assumiu a natureza humana e enxertou nela a natureza divina num processo participativo de divinização de filhos adotivos, resgatados, em que o Pai sopra «o Espírito do seu Filho» que pagou (perdoou) na cruz a condenação de cada homem e lhe garantiu pela graça (gratuita) a vida eterna (Gal.4. 4-7). Ele perdoou aos que o matavam e ensinou a oração: “perdoai-nos como nós perdoamos.”

Outro fator que ajuda a abrir as portas a Jesus é a linguagem universal do próprio Jesus feito carne. Não há outra religião com linguagem tão clara e universal coma a Igreja que Jesus fundou. Nos vinte séculos passados, os problemas deram lugar à clareza; por exemplo, o Credo no Concílio de Niceia (20.maio-19 jun. 325) de há 1700 anos; e noutros (Constantinopla e Éfeso). Os católicos que nestes tempos viajam pelo mundo vivem a comunicação universal celebrada na Epifania do encontro dos Magos com Jesus.

É celebração da salvação universal dos homens de todos os tempos que a aceitam: «hão de servi-lo todas as nações, como diz o salmo (Sl. 72, 10-11). Num congresso internacional de temas interdisciplinares de teologia, psicologia e psiquiatria em 1981, em Lovaina, debatia-se a linguagem litúrgica universalizante da Igreja. Alguns defendiam linguagem mais próxima de cada cultura e outros alertavam para o risco de impedir a compreensão universal partilhada por todos os católicos e o sentido de pertença à Igreja católica. Só a linguagem científica se aproxima desta universalidade de linguagem da Igreja mas a da ciência fica reservada a elites.

Vivi, como tantos, inúmeras experiências de pertença católica na missa em dezenas de países. Não é preciso perguntar o que se está a passar. Permitam um exemplo. No ano 1992, a caminho de um congresso de médicos católico em Seul, tive ocasião de passar uma semana em Pequim, hóspede de um casal de médicos italianos de uma fundação da minha Ordem Religiosa que trabalhavam num hospital de pediatria. No domingo ali passado, pedi para me indicarem onde poderia celebrar a missa. A médica informou-se e veio dizer-me: “só poderá ser na catedral da Imaculada Conceição. Após a missa, em chinês, há uma em inglês, participada por estrangeiros, turistas e católicos residentes no país”.

Fazia parte da Igreja patriótica, mas o bispo seria reconhecido pelo Vaticano. Felizmente que eu tinha estado a ler uma grande reportagem da revista Família Cristã italiana sobre a Igreja na China em que se explicava que ninguém tinha noção das fronteiras entre a Igreja católica clandestina e a Igreja patriótica. Apresentámo-nos lá. Saiam da igreja cheia, da missa em chinês e logo o sacerdote vigário da catedral acolhia à entrada para a missa em Inglês. Muito atencioso, deu-me as boas vindas, pedindo o meu nome para me apresentar no início, já no altar. Entrámos já com a igreja cheia e o coro a cantar. O Padre apresentou-me e disse: acabe de se apresentar. Assim fiz, dizendo que era Irmão de S. João de Deus, psicólogo e trabalhava com doentes mentais, etc.

De resto, o rito era igual ao da missa católica. No momento próprio, o padre pediu-me para ler o evangelho e a parte do concelebrante. Vivi um gozo imenso ao rezar pelo Papa João Paulo II, em catedral que já é a quarta reconstrução da primeira do tempo do jesuíta Matteo Ricci. Vivi, ainda, grande alegria nas saudações, à saída, com um engenheiro francês da Airbus que tinha feito um vídeo da missa e me ofereceu uma cópia no dia seguinte. Mais histórias semelhantes de peregrinações pelo mundo e pela universalidade da Igreja católica ficarão para outros textos.

A Igreja católica, do anos de Cristo a este ano 2025, estendeu-se, de facto, do Oriente ao Ocidente, do Norte ao Sul, pelos cinco continentes e os cerca de 200 países como na Epifania se celebra. E as portas abertas para encontro com o Menino Deus-Homem não têm conta.

Funchal, Festa da Epifania 2025/Aires Gameiro

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