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Um novo Papa

  • Maio 16, 2025
  • Religião
  • José Maria C. da Silva André

Leão XIV no encontro com o corpo diplomático, 16 de Maio de 2025

 

Quando este artigo chegar aos leitores, Leão XIV estará a celebrar a Missa inaugural do seu pontificado, culminando dias de emoção muito intensa.

Antes do conclave, os jornalistas referiam a quantidade de cardeais que encontravam a rezar em silêncio, longo tempo, em S. Pedro. Isso mostra que os cardeais compreenderam que Deus contava com a sua liberdade para guiar a Igreja e se esforçaram por estar à altura de tanta responsabilidade.

O facto de, ao fim de poucas votações, se terem ultrapassado os 2/3 de votos necessários para eleger Leão XIV parece um sinal eloquente da unidade da Igreja.

Acessoriamente, dá gosto ver os «especialistas» da vida da Igreja falharem as previsões. Arriscaram muitos nomes: Pietro Parolin, Pierbattista Pizzaballa, Jean-Marc Aveline, Péter Erdő, Luis Antonio Tagle, Cristóbal López Romero, Anders Arborelius, Mario Grech, Matteo Zuppi, Filipe Ferrão, Lazarus You Heung-sik… dezenas de nomes em cerca de uma centena de candidatos. Ficámos a saber o que valem os misteriosos segredos e conhecimento de bastidores destes «especialistas».

No dia da eleição, uma multidão incrível afluiu à praça de S. Pedro para receber o novo Papa. Quando a célebre frase foi pronunciada, «habemus Papam», o aplauso prolongou-se longamente, de modo que tivemos de esperar muito para saber quem tinha sido eleito. Certamente todos queriam conhecer o novo Papa, mas a alegria de ter de novo um Papa pesou mais que a curiosidade. É fácil gostar de Leão XIV, pela simpatia, a simplicidade, a devoção, o humor. Os católicos têm sólidos motivos para festejar, embora o facto de Robert Prevost ser agora o Papa seja mais decisivo que a sua personalidade e as suas qualidades. Observação interessante, para quem quer perceber o povo cristão: o entusiasmo da multidão de Roma manifestou um critério diferente do esperado nos meios de comunicação.

Na sexta-feira, Leão XIV encontrou o corpo diplomático, 184 embaixadores de praticamente todo o mundo. Apesar de ser minúsculo, o Vaticano é o Estado que tem relações diplomáticas com mais países, mais que a União Europeia e que os Estados Unidos da América. (Sim, ainda falta a Coreia do Norte e alguma ditadura irrelevante, que não recordo). Apesar de o Vaticano não ter poder militar nem económico, vimos a quantidade de chefes de Estado que estiveram no funeral do Papa Francisco. Num mundo pagão, vale a pena não esquecer estes dados objectivos. Talvez o mundo pagão sinta falta de qualquer coisa.

«Paz» foi a palavra mais repetida pelo o decano do Corpo diplomático na sua saudação ao Papa.

Leão XIV também falou de paz, nomeando especificamente apenas dois povos. Duas vítimas de guerras terríveis, os ucranianos e os palestinianos. «A paz constrói-se no coração e nasce do coração, erradicando o orgulho e as reivindicações, medindo as palavras, porque também se pode ferir e matar com as palavras, não só com as armas».

«A experiência religiosa é uma dimensão fundamental da pessoa humana e, abandonando-a, é difícil, se não impossível, realizar aquela purificação do coração necessária para construir relações de paz (…), erradicando as premissas de qualquer conflito e vontade destruidora de conquista».

A segunda palavra de Leão XIV foi «justiça», consequência da paz. Ao mesmo tempo, disse, «perseguir a paz exige praticar a justiça».

«Família» foi outro tema sublinhado. «Construir sociedades harmónicas e pacíficas realiza-se sobretudo investindo na família fundada sobre a união estável entre homem e mulher». Intimamente relacionada com a família, a defesa da «dignidade de todas as pessoas, especialmente as mais frágeis e indefesas, do bebé que há-de nascer até ao ancião, do doente ao desempregado, seja ele cidadão ou imigrante».

Outra palavra-chave foi «verdade». «Sem verdade, não se podem construir relações verdadeiramente pacíficas, mesmo no seio da comunidade internacional». Os relacionamentos saudáveis não podem ser meramente virtuais. «A Igreja não se pode jamais eximir de dizer a verdade sobre o homem e sobre o mundo, empregando quando necessário palavras muito claras, ainda que possam suscitar alguma incompreensão inicial». Importante: «A verdade não pode nunca separar-se da caridade», a verdade não afasta, disse Leão XIV.

 

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