Eugène Ionesco nasceu na Romênia, em 1909, um país localizado no leste e sudeste da Europa, e morreu em Paris, em 1994; o autor é considerado como um dos maiores dramaturgos do chamado ‘teatro do absurdo’.
Para lá de ridicularizar as situações mais banais, as peças de Ionesco retratam a solidão do ser humano e sua inesperada descoberta.
Passou grande parte de sua vida entre a França e a Romênia, e representante máximo do teatro do absurdo na França, escreveu inúmeras obras, das quais as mais conhecidas são ‘A Soprano Careca’ (1950), ‘A Lição’ (1951), ‘As Cadeiras’ (1952), ‘Rinocerontes’ (1959) e ‘O Rei Está Morrendo’ (1962).
Buscamos um pouco sobre a infância de Ionesco: ele lembra que, quando tinha três anos, queria ser vendedor de castanhas, aos três anos e meio, queria ser oficial do exército e, aos quatro anos, médico; “Mas, na verdade, só podia e queria fazer literatura, nenhum gênero especial… só literatura”, dizia o dramaturgo.
Seu desejo profissional se realizou depois de um longo caminho, quando seu pai advogado e funcionário público, queria que o filho se tornasse “decente”.
Depois do divórcio dos pais, sua mãe assumiu a educação do jovem, permitindo que ele mais tarde estudasse Filosofia, Francês e Literatura na Universidade de Bucareste; em meados da década de 1940, Ionesco mudou-se definitivamente para Paris, onde descobriu cedo seu amor pelo teatro.
Quando tinha apenas quatro anos, em uma ida a um espetáculo, quando seus familiares pensaram que ele detestara, ao contrário, ele contou a um amigo, mais adiante: “Eu não estava de forma alguma entediado. Eu estava absolutamente fascinado, enfeitiçado… entusiasmado!”
O teatro se tornou uma obsessão que nunca mais o deixaria em paz; em 1950, escreveu suas primeiras peças, inicialmente em romeno e depois em francês, ‘A Cantora Careca’, um teatro de fantoches para adultos, seguiu ‘A Lição’, uma paródia na qual uma professora de reforço escolar assassina sua aluna, no final.
Ionesco tornou-se conhecido – inclusive internacionalmente – somente dez anos depois, com ‘Rhinocéros’ (‘Rinocerontes’), uma fábula de animais sobre o poder do mal e o oportunismo. ‘Rinoceronte’, de Eugène Ionesco, é uma peça em três atos e quatro quadros, escrita em prosa, encenada pela primeira vez em tradução alemã no Teatro de Düsseldorf, em 6 de novembro de 1959; foi publicada na França em 20 de janeiro de 1960, onde estreou em francês, em Paris, no Odéon-Théâtre de France, sob a direção de Jean-Louis Barrault.
Em abril de 1960, ‘Rinoceronte’ foi encenada em Londres, no Royal Court Theatre, sob a direção de Orson Welles, com Laurence Olivier no papel principal. Nesta obra tão emblemática, a peça retrata uma epidemia imaginária de “rinocerite”, uma doença que assusta todos os habitantes de uma cidade e logo os transforma em rinocerontes.
O enredo da obra é o seguinte: cada ato retrata uma fase do desenvolvimento da “rinocerite”.
No ato ‘primeiro’, dois amigos sentam-se no terraço de um café, na praça de uma pequena cidade; os rinocerontes soltos inicialmente chocam e surpreendem as pessoas – os personagens. Como acontece com a ascensão de todo movimento extremista e totalitário, os cidadãos ficam inicialmente assustadas. Enquanto os habitantes da cidade começam a se transformar em rinocerontes, eles comentam que esta é “uma história fantástica”, “uma conspiração nefasta”; “o número de rinocerontes está aumentando na cidade…” Assistimos, assim, à metamorfose de um ser humano em rinoceronte.
No ‘segundo’ ato, a seguir, um indivíduo fica cada vez mais verde e sua pele começa a endurecer, suas veias se destacam, sua voz fica rouca, sua corcunda gradualmente se transforma em um chifre. As pessoas colocam as coisas em perspectiva: “Afinal, rinocerontes são criaturas como nós, que têm o mesmo direito à vida que nós!” No ‘terceiro’ ato final, o principal personagem está em casa, o contágio se espalhou e ele é o único a se rebelar contra a “rinocerite”. Um amigo minimiza a situação e então se torna um rinoceronte porque seu dever é “seguir seus líderes e seus camaradas, para o bem ou para o mal”. Um amiga se recusa a salvar o mundo e, por fim, segue os rinocerontes, que de repente lhe parecem belos e cujo ardor e energia admira. No entanto, após muita hesitação, o único cidadão decide não capitular: “Eu sou o último homem, permanecerei assim até o fim! Não capitularei!”
Este é o final, e segundo alguns, trata-se de uma fábula cuja interpretação está aberta. Continuando um pouco mais, percebemos que é comum a todos os dramas de Ionesco o caráter de marionete de seus personagens e os diálogos desprovidos de senso através dos quais os personagens não se comunicam.
Para o autor, esta é a imagem do mundo totalmente sem sentido e esperança (ou seja, a nossa atual). Dizia o dramaturgo: “Não considero a vida em si, absurda”; “ela é lógica, é possível explicá-la. É possível explicar por que as coisas acontecem.” As obras de Ionesco não continham uma atmosfera apocalíptica, mas antes uma alegria anárquica, a qual lhe trouxe inicialmente o desprezo, e que até hoje o público sabe apreciar.
Tanto tempo após sua morte, Ionesco ainda é de longe o dramaturgo francês mais apreciado; no pequeno Théatre de la Huchette (Teatro da Trompa de Caça), em Paris, suas peças são encenadas ininterruptamente, desde 1957, ou seja, há 68 anos. Continuando, desde então, esse estilo busca retratar a falta de sentido e o absurdo da existência humana.
Principais obras do autor: ‘A Cantora Careca’, 1948, crítica à hipocrisia da sociedade burguesa; ‘As Cadeiras’, 1952, há uma casa vazia onde um casal idoso prepara-se para receber uma plateia imaginária, durante a qual revelarão verdades significativas; ‘Rinocerontes’, escrita em 1959, é uma das obras mais aclamadas de Ionesco, a peça apresenta uma cidade onde os cidadãos gradualmente se transformam em rinocerontes, simbolizando a perda da individualidade e a ascensão do totalitarismo; deixa o público imerso na reflexão sobre a natureza humana e a conformidade social.
O legado da obra de Eugène Ionesco classifica a contribuição para o teatro e a literatura serem amplamente reconhecidos. Seu trabalho no “teatro do absurdo” influenciou uma geração de escritores e artistas, que foram encorajados a experimentar novas formas de expressão.
Ionesco recebeu inúmeros prêmios, incluindo o Prêmio Nobel de Literatura em 1989, em reconhecimento ao seu impacto duradouro no campo das artes. Eugène Ionesco, assim, com suas peças desafiadoras e provocativas, continuam a ser apresentadas e estudadas em todo o mundo, demonstrando a atemporalidade e a relevância de suas reflexões sobre a existência humana. Ionesco capturou em suas obras o espírito absurdo da vida e convidou o público a questionar as normas e convenções da sociedade.
Leitores, trabalhamos uma metáfora trágica e cômica para a ascensão do totalitarismo, e mostramos os perigos do conformismo que, ao permitir que o pensamento individual desapareça, encoraja o estabelecimento de regimes totalitários. Boa leitura!
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