O senhor meu pai nasceu em Campo do Meio, no lugar que chamavam de “Ponte do Arroio Maratá” – hoje ao ingressar na estrada que leva ao município de Maratá, antes da ponte – numa casa à direita, próximo à segunda curva ali ainda existente. Foi neste local que Heinrich Jacob BECKER e sua esposa Elisabetha Becker, nascida BORN constituíram numerosa família. Ambos estão enterrados no Cemitério de Campo do Meio.
Ele era um cidadão letrado; falava o alemão gramatical – Hochdeutsch – e, como professor, ministrava aulas aos jovens de Campo do Meio e adjacências. Alfabetizou todos os filhos e os obrigou a ler bastante (tanto em português quanto em alemão), sem descuidar do ensino da matemática, que muito serviu aos homens. Não descurou da religião.
O simples núcleo, de um homem e uma mulher, sedimentada por fortes laços afetivos, numa pequena comunidade, deu causa a uma grande família, da qual cuido nos meus escritos. BECKER indica a profissão de PADEIRO. Certamente, na mais longínqua ancestralidade, o parente/primeiro trabalhava como padeiro (ou aprendiz). Olhando o dicionário, padeiro em alemão é Bäcker e não Becker.
Por isso, busquei socorro no meu ex-colega Dr. Martin Dreher. Resposta: “A uniformidade linguística só surgiu com o Duden, em 1900”. Fui procurar o significado de Duden; Entre as várias respostas, a mais pertinente foi tratar-se de “dicionário”. A compilação da língua alemã. Então a divergência está explicada: Lá nos primórdios do século XIX, na região de onde os ancestrais vieram, Becker era o significado de padeiro. Em alemão, o ER final se pronuncia como A (“Bêcka”).
Continuando a história da Família Becker, sigo no rumo de outra filha do casal Elisabetha/Heinrich Becker: ELFRIDA, senhora minha avó, que foi casada com ALOISIO LAUER. Da união nasceram dois filhos: Arno LAUER, casado com Luiza Alma KAUER e Illa SCHARLAU, consorciada com Henrique SCHARLAU FILHO.
Vovó Elfrida, junto com o marido, trabalhou na Fábrica de Calçados Madecal, de Oscar Bühler, na Vila Scharlau, onde passou a residir e onde ambos faleceram. Ela ficou viúva muito cedo – vovô faleceu com 54 anos de idade; não casou novamente. Depois de viúva, vovó foi acolhida pela filha e com ela passou a morar. Do casamento de Illa com Henrique resultou o nascimento de uma filha (ENI), falecida em tenra idade.
Henrique Scharlau foi um homem de muitos recursos, tanto financeiros, quanto em bens. A Vila Scharlau (hoje bairro) tem sua área cortada por duas rodovias: BR116 e RS240. Guardado o sentido Montenegro – São Leopoldo, todas as terras à esquerda da rodovia eram de propriedade do meu tio/padrinho. Assim, também, toda a área onde depois foi o Aeroclube de São Leopoldo pertencia ao Scharlau (era assim conhecido).
Nesta última fração de terras, ele mantinha uma considerável criação de gado leiteiro e um tambo de leite. A área foi desapropriada para o Aeroclube. Henrique Scharlau loteou toda a sua área de terras e passou a viver de rendas e venda, em prestações, dos terrenos. Morei na Scharlau até os 4 anos de idade e acompanhei o seu desenvolvimento, pelas constantes visitas que fazia aos parentes.