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Anticapitalismo

  • Setembro 19, 2025
  • Cultura
  • João Baptista Teixeira

 

Ainda que não seja aficionado por automóveis, admiro alguns modelos, particularmente os de fabricação Volvo. Marca famosa pela segurança, associa linhas modernas a uma aparência classuda. Tivesse dinheiro sobrando, compraria um.

Fundada na Suécia, certamente hauriu a competência técnica de um país no qual os engenheiros estão em número superior ao de advogados. Situação esta também existente na China, com algo em torno de 1,4 milhão de advogados e mais de 5 milhões de engenheiros.

Quando se trata de estatísticas é necessário cautela para não cairmos na clássica piada: se num agrupamento selecionado a metade dos pesquisados come dois frangos por mês enquanto a outra metade não come nenhum, em média cada sujeito come um frango por mês …

Ao abordarmos a quantidade de profissionais formados é crucial cruzarmos o dado com a população do país. Sob tal cuidado, a Rússia parece ser o país que mais forma engenheiros por ano, ainda que a quantidade pareça irrelevante diante dos números da China e da Índia para o número de profissionais nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática (https://www.reddit.com/r/brasil/comments/1dgiyw0/paises_por_numero_de_graduandos_anuais_no_ramo_da/).

O que está em jogo na formação de profissionais? O desenvolvimento tecnológico e, em linha direta, a soberania do país. No Brasil os números deveriam preocupar: tínhamos, em 2024, segundo a OAB, mais de 1,4 milhão de advogados, enquanto, segundo o CONFEA, 1,2 milhão de engenheiros. A respeito desta realidade, um dos ministros da Suprema Corte brasileira, que conhece de perto o acúmulo de processos judiciais, foi enfático: “Um país que forma mais advogado do que engenheiro tá errado!” (https://www.youtube.com/shorts/xljr8d02ZCc).

Voltemos à marca Volvo, que confessei admirar. Não me endividaria para adquirir um exemplar. Tampouco o roubaria. E certamente não desejo que se acidentem todos os possuidores de um. Mas esta não é a lógica dos contrários ao capitalismo.

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Lembro que os antigos, ao comentarem uma burrice qualquer que haviam cometido, por vezes diziam “eu e minha cabeça de galinha!”, denotando pouco apreço pela inteligência da ave.

Cuido diariamente de galinhas. Além de pastarem livremente por um terreno amplo, as trato com milho. Complemento com cascas de frutas e folhas. Tão logo este banquete lhes é oferecido, sua rapidez em capturar algo parece sugerir que possuem olhos de águia.

É comum que disparem com algo no bico, fugindo das demais. A tática mostra-se inútil. Se duas galinhas têm algo ao seu dispor, como duas folhas de alface, uma delas abandonará a sua e tentará tomar a folha da outra. O fazem por ganância? São tapadas? Ou será que galinhas invejam? Não sei, mas tivessem uma pitada de sabedoria só tentariam tomar algo de outra galinha se nada tivessem à sua frente.

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Em sua obra “A mentalidade anticapitalista”, Mises afirma que a “A busca de um bode expiatório é a atitude das pessoas que vivem sob uma ordem social que trata todos de acordo com sua contribuição para o bem-estar de seus semelhantes e na qual, portanto, cada um é a origem de sua própria sorte; neste tipo de sociedade, cada indivíduo cujas ambições não tenham sido totalmente satisfeitas odeia a sorte de todos os que conseguiram mais êxito. O tolo libera esses sentimentos através da calúnia e da difamação. Os mais sofisticados não descambam para a calúnia pessoal. Sublimam seu ódio numa filosofia, a filosofia do anticapitalismo, a fim de calar a voz interior que lhes diz que, se falharam, é totalmente por culpa própria. Seu fanatismo ao criticar o capitalismo está exatamente no fato de eles lutarem contra a consciência que têm da falsidade dessa crítica”.

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Por óbvio que não se pode desconsiderar o real sofrimento de irmãos que fingimos desconhecer.

Quando me dirigia a Joinville, onde concluo este texto, escutei num programa israelita a história de um rabino. Indagara de um membro de sua comunidade, que avaliara triste, por que não mais sorria. A resposta surpreendeu: porque não tenho dois dentes na frente e não tenho dinheiro para reparar isto.

O rabino prontamente assinou um cheque para cobrir o custo de um dentista. Logo depois foi admoestado por outrem por ter sido tão liberal. Ora, porque o considerei como um filho. Porque se fosse meu filho eu pagaria …

Joinville segue pujante, mas há muitos moradores de rua, o que não se via em passado recente. No início do ano estive em São Paulo. Um livreiro nas cercanias da Praça da Sé me disse que o número de moradores de rua no centro da capital paulistana aumentara demais.

Certamente é preciso acolher esta gente por meio de politicas sociais, mas não será por meio de paliativos socialistas que o problema será resolvido. Muito menos sob o mantra de “justiça social”, esvaziado pela piora da situação debaixo de governos que se dizem progressistas, socialistas, comunistas, …

Mises traz à luz uma citação de William Harcourt: “Agora somos todos socialistas. O fato é que hoje, governos, partidos políticos, professores e escritores, ateus militantes e teólogos cristãos são praticamente unânimes em rejeitar apaixonadamente a economia de mercado e em louvar os supostos benefícios da onipotência do estado. A geração presente está sendo educada num ambiente preso às ideias socialistas”.

Um detalhe: o trecho acima se encontra em um livro de 1956. O que por si só sugere que a doutrinação de décadas ora apenas colhe seus frutos.

E continua a todo vapor.

Ou seja, o desastre está longe de acabar.

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