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Terceirização e paz

  • Outubro 1, 2025
  • Cultura
  • João Baptista Teixeira

Horas atrás instalei uma impressora 3D, de fabricação chinesa. Das mais simples. Colocada no Brasil seu preço está na casa de seiscentos dólares. Ou deveria, diante dos fortes ventos no mundo, declinar o valor em yuan?

Fiquei impressionado pela tecnologia disponível na máquina, sobretudo considerando seu baixo preço. Como a China conseguiu isto? Produzindo de tudo em grandes quantidades. Sensores, chips, motores, guias lineares, câmeras e todo o resto. Aproveitou a porteira aberta do globalismo, que terceirizou a fabricação de peças e produtos. E faturou alto.

Foi uma farra. Grandes marcas transferiram a receita do bolo, mantiveram suas logomarcas e multiplicaram inúmeras vezes o valor que pagaram para chineses, paquistaneses, nicaraguenses, hondurenhos, vietnamitas, bangladeses, … A China topou, mas investiu pesadamente em educação e seus engenheiros apropriaram-se do saber. A Índia seguiu caminho similar e em futuro próximo certamente também ocupará posição de destaque, ainda que um pouco distante da China.

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Tempo houve em que os empresários da indústria tiveram protagonismo no Brasil. Em São Paulo, um dia foram os Matarazzo. No Rio Grande do Sul tivemos A.J.Renner e um punhado de outros exemplos poderia ser mencionado país afora. Atualmente os maiores encontram-se no agronegócio, no comércio, nas instituições financeiras e nos serviços. Mero reflexo da queda consistente da participação da produção industrial no PIB brasileiro.

Reverter este quadro é improvável pelo que temos assistido. Ficamos pra trás e décadas nos separam da verdadeira soberania. Nos últimos tempos a coisa só desanda. Um exemplo contemporâneo é a invasão de carros elétricos chineses, ameaçando as multinacionais instaladas no país, que aqui investem e produzem. Fechar os olhos para isto é algo comparável a suicídio econômico.

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Por falar em terceirização, li ainda hoje que Zelensky ameaça bombardear o Kremlin se a Rússia continuar atacando. É óbvio que a Ucrânia por si só já teria deposto as armas se não contasse com enorme suporte das nações ocidentais. Já há a convicção de que a essência do conflito foi planejada para desgastar povos eslavos e que os bombeiros usam gasolina para apagar o fogo.

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Na biografia do Barão do Rio Branco, filho do Visconde do Rio Branco, Luiz Viana Filho ressalta dois episódios que gostaria de mencionar. O primeiro refere-se ao jogo de influências para a nomeação de José Maria da Silva Paranhos Júnior, futuro Barão, como cônsul em Liverpool. A politicalha não é novidade por estas plagas. O segundo é o relato da participação de D.Pedro II num baile promovido pela Rainha Vitória. Nosso Imperador se fez presente no Palácio de Buckingham de casaca e gravata preta: “Quase um escândalo que ferira o protocolo da corte de Saint James”.

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Nesta semana o cidadão que ocupa a presidência brasileira discursou nas Nações Unidas. Sua esposa foi notícia: saiu por Nova Iorque para comprar meias e cinto para o marido. Nada demais se comparado com o tamanho da comitiva brasileira, por volta de cem integrantes. Nada muito republicano, para dizer o mínimo, sob o comando de um sujeito que se vende como pai dos pobres e promete justiça social aos quatro ventos.

Em seu discurso repisou na tecla do sul global e da divisão do mundo entre pobres e ricos. A ladainha é velha e desconsidera, para citarmos o mínimo, a corrupção no famigerado sul, que faz desaparecer os recursos tantos que o mundo já despejou na África a título de ajuda humanitária. Além de velha, a ladainha não nos ajuda a entender como um país com as nossas potencialidades se afunda em perpetuar lideranças políticas pra lá de podres e em distribuir peixes ao invés de caniços e anzóis.

A propósito, a expressão “sul global” soa como uma patacoada e o discurso, desde o princípio, me pareceu sua derradeira tentativa de conquistar a simpatia dos convivas para uma candidatura ao Nobel da Paz. Habituado aos arranjos de cocheira, sugerira que uma cervejinha poderia encerrar a guerra na Ucrânia. Não dá para esquecer suas promessas eleitoreiras, como a da picanha numa farofinha, sua descondenação por conta do CEP errado, nem sua trajetória de fomentar conflitos entre “eles e nós”. Não dá. Sua versão “paz e amor” pode encantar neófitos, mas não pode embair quem já tem décadas de estrada e testemunhou tanta balela.

É duro lembrar que D.Pedro II foi enxovalhado do Brasil. Deposto, não o deixaram sequer permanecer em terra. O embarcaram no navio que o levaria para o exílio logo após o golpe.

Quanto ao Nobel, tudo pode depois que Obama foi agraciado com o da Paz e Bob Dylan ganhou o de Literatura.

Por seu verdadeiro estilo, na base do “A gente vai dar é porrada se não respeitar a gente” (https://noticias.uol.com.br/politica/eleicoes/2018/noticias/2018/03/24/em-chapeco-lula-chama-de-nazistas-grupo-que-jogou-ovos-contra-caravana.htm) ou na linha do “dar um corretivo” em contrários (https://www.youtube.com/watch?v=SvqWXVg1-OU), bem que o atual presidente poderia concorrer a um imaginário “Ignóbil da Paz”.

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