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A poesia de Juana de Ibarbourou

  • Outubro 5, 2025
  • Cultura
  • Rosarita dos Santos

 

Juana Fernández Morales nasceu em 1892, em Melo, no Uruguay, e morreu em Montevidéu no ano de 1979. A poetisa uruguaia é considerada uma das vozes mais importantes da lírica hispano-americana do século XX.

Aos vinte anos casa-se com o militar Lucas Ibarbourou – do qual adota o nome – e três anos após, muda-se para a capital, de onde viveu para sempre. Seus primeiros poemas aparecem em jornais da capital uruguaia, principalmente em La Razón; em seguida, inicia seu longo percurso lírico com as coletâneas As línguas de diamante (1919), O cântaro fresco (1920) e Raíz selvagem (1922), todas elas fortemente influenciadas pelo modernismo e pelas alusões míticas.

Seus temas tendiam para a exaltação sentimental, para a maternidade, a beleza física e da natureza; em 1929, foi proclamada Juana de América ​​no Palácio Legislativo do Uruguai, cuja cerimónia foi altamente consagrada. Aos poucos, sua poesia foi abandonando o modernismo inicial, para ganhar em efusão e sinceridade; em A Rosa dos Ventos (1930), mergulhou na vanguarda, quase no surrealismo; com Imagens da Bíblia, Louvores de Nossa Senhora e Invocação a Santo Isidoro, todos de 1934, iniciou uma viagem rumo à poesia mística.

Na década de 50, foram publicados seus livros Perdida (1950), Açor (1953) e Romances do destino (1955); nesse mesmo período, foram publicadas em Madrid suas obras completas (1953), as quais incluíam dois livros inéditos, Dualismo e Mensagem do  escriba. Entre as suas obras poéticas posteriores, destaca-se Elegía (1967), um livro em memória do seu marido. Em 1950, a autora ocupou a presidência da Sociedade Uruguaia de Escritores; cinco anos depois, sua obra foi premiada no Instituto de Cultura Hispânica de Madrid, e em 1959 o governo uruguaio lhe concedeu o Grande Prêmio Nacional de Literatura, concedido pela primeira vez naquele ano.

Quanto a sua obra em prosa, estava voltada principalmente para o público infantil; nela destacam-se Epistolário (1927) e Chico Carlo (1944). Ressaltamos que a literatura uruguaia do século XX apresentou uma série de poetisas cujas obras são de fundamental importância: entre outras, Juana de Ibarbourou, típica de sua entrega espontânea, sua sensibilidade, seu trabalho e sua vitalidade transbordante. No início, a autora foi influenciada pelo modernismo, mas gradualmente ela encontrou uma evolução contínua que tem sido comparada ao ciclo da vida humana; dizia-se que As línguas de diamante (1919) equipara o nascimento à vida, Raíz selvagem (1922) à juventude apaixonada, A rosa dos ventos (1930) à maturidade, e Perdida (1950) à velhice.

Em cada um destes livros, a passagem do tempo, em progressão contínua, adquire maior importância. Ainda Estampas da Bíblia (1934) e Elogios Nossa Senhora (1934) revelam uma evolução religiosa. Os sentimentos da autora, quer na solidão, quer em diálogo com a natureza, constituem o tema central dos seus versos; em “Vida Garfio”, um dos seus melhores poemas, imagina-se morta, mas, na realidade, continua a sobreviver através do amor: “Pela escada castanha das raízes vivas / Subirei para te ver nos lírios roxos!”

Ao final próximo da construção de sua obra, destacamos o que Juana nos oferece: “E agora, que fazer, com os dois braços caídos, / rodeada de crepúsculo e de névoa?”, interroga-se, prente a sua perda; no entanto, algo a impele a esperar que algures consiga recuperar esse amor, que ainda está vivo: “Ninguém esquece porque eu não esqueço, / e para que ele não morra, eu não morro.”

Alguns de seus poemas:

1- “Silêncio / Minha casa tão longe do mar. / Minha vida tão lenta e cansada. / Quem me dera deter-me a sonhar! / Uma noite de lua na praia! / Morder musgos avermelhados e ácidos / E ter por fresquíssimo travesseiro / Um montão dessas curvas pedras / Que há polido o sal das águas. / Dar o corpo aos ventos sem nome / Abaixo o arco do céu profundo / E ser toda uma noite, silêncio, / No vazio ruidoso do mundo.”

2 – “A hora / Toma-me agora que ainda é cedo / e que levo dálias novas na mão. / Toma-me agora que ainda é sombria / esta taciturna cabeleira minha. / agora que tenho a carne cheirosa / e os olhos limpos e a pele de rosa. / Agora que calça minha planta ligeira / a  sandália viva da primavera. / Agora que em meus lábios repica o sorriso / como um sino sacudido às pressas. / Depois…, ah, eu sei / que já nada disto mais tarde terei! / Que então inútil será teu desejo, / como oferenda posta sobre um mausoléu. / Toma-me agora que ainda é cedo / e que tenho rica de nardos a mão! / Hoje, e não mais tarde. Antes que anoiteça / e se volte murcha a corola fresca. / Hoje, e não amanhã. Oh amante! Não vês / que a trepadeira crescerá cipreste?”

Vamos terminar nosso pequeno texto com algumas frases que a autora, Juana de Ibarbourou, nos proporcionou:

“E te dei o cheiro / De todas minhas dálias e narcos em flor. / E te dei o tesouro / (…) / E te dei mel, / (…) / E tudo te dei!” “Leva-me agora enquanto ainda é cedo / e enquanto levo novas dálias na mão.”

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