Skip to content

 Santos e Fiéis Defuntos. Património Espiritual?

  • Outubro 31, 2025
  • Religião
  • Padre Aires Gameiro

 

 

A celebração das Festas de Todos os Santos e dos Fiéis Defuntos são um património espiritual universal, jubilar, de graças espirituais. No credo é «comunhão dos santos». Se há patrimónios da humanidade naturais e humanas, materiais e imateriais, porque não estas festas litúrgicas como património espiritual? Na realidade, são património espiritual. As ciências tendem a fragmentar a realidade para melhor controlar a realidade. Cada pessoa, porém, é uma unidade de várias dimensões tecidas pelo amor de Deus. A Organização Mundial de Saúde considera a vida pessoal um todo de diversas dimensões em harmonia relacional: bem-estar biopsicosocial e espiritual que precisa de  cuidados amorosos. Já Platão tinha imaginado uma ponte ou fenda aberta entre a caverna do sistema em que o homem está imerso, mas em relação com o sistema das realidades espirituais a vislumbrar sombras e imagens de seres espirituais do sistema transcendental.

Paulo exprime essa visão imperfeita: «Agora, vemos por espelho, em enigma, mas, então, veremos face a face; agora conheço em parte, mas, então, conhecerei como também sou conhecido» (1 Cor, 13,12). Numa palavra, o que está para além da fronteira do material é intuído como transcendental (além-matéria) e indizível na sua inteireza pelos humanos no sistema terreno. Humanos com uma dimensão espiritual.

A Liturgia das festas de Todos os Santos e dos Fiéis Defuntos apoiada nos textos bíblicos e litúrgicos, e na tradição cristã, vai além da realidade do património dos cemitérios e dos seus belos jazigos cheios de sentido artístico e de fé. Aqui estamos ao nível espiritual. Os Santos, celebrados como pessoas já glorificadas na vida do seu todo espiritual, corpo e alma, viveram no tempo e agora na eternidade. A realidade dos santos, qui ou no Céu, pode considerar-se um património, um tesouro espiritual de toda a humanidade. De toda a humanidade? Sim, porque a humanidade inclui a todos, ninguém fica de fora. Olhemos os santos mártires. Jesus diz que «se o grão de trigo não morrer ficará só, mas se morrer dará muito fruto»; e Tertuliano dizia: “são sementes” de outros santos, porque: os santos «bem-aventurados continuam a cumprir com alegria e amor a vontade de Deus, em relação aos outros homens e a toda a Criação» (cf.Catecismo da Igreja Católica, CIC, 1029). Os que morrem precisam de oração.

O pecado «deixa a sua marca», traz consigo consequências: exteriores, como consequências do mal cometido, e interiores, pois «todo o pecado, mesmo venial, traz consigo um apego desordenado às criaturas, o qual precisa de ser purificado, nesta vida ou depois da morte, no estado que se chama Purgatório» (cf. CIC 1472), lembra o Papa Francisco na Bula do Jubileu, Spes non confundit, Snc, nº18. «Assim, na nossa débil humanidade atraída pelo mal, permanecem “efeitos residuais do pecado”. São tirados pela indulgência, sempre por graça de Cristo, o Qual, como escreveu São Paulo VI, é a nossa indulgência». [Carta ad Apostolorum Limina, 23.05.1974, II; e Snc,19).

Este Património como “Comunhão dos Santos” traduz-se em circulação de graça, vida espiritual, amor entre todos os homens, santos e pecadores, de ontem e hoje; do presente e da eternidade. Na tradição cristã é «tesouro das satisfações de Cristo e dos Santos» (Paulo VI, Const. Apost. 1 jan.1967, 7). Abrange também os Fiéis Defuntos falecidos na comunhão dos santos, perdoados das culpas de pecados cometidos de que se arrependeram e confessaram, mas ainda sujeitos a penas de reparação ou purificação de sequelas desses pecados.

O perdão, pelos méritos da morte de Cristo, pode deixar danos a reparar e purificar no Purgatório. «O juízo diz respeito à salvação na qual esperamos e que Jesus nos obteve com a sua morte e ressurreição. (…) «O mesmo [mal] precisa de ser purificado, para nos permitir a passagem definitiva ao amor de Deus. Compreende-se, neste sentido, a necessidade de rezar por aqueles que concluíram o caminho terreno: uma solidariedade na intercessão orante que encontra a sua eficácia na comunhão dos santos, no vínculo comum que nos une em Cristo, primogénito da criação. Assim, a Indulgência Jubilar, em virtude da oração, destina-se de modo particular a todos aqueles que nos precederam, para que obtenham plena misericórdia (cf. Snc, 22).

As orações e a Missa abrevia perdoa as penas dos falecidos. Alguns fiéis mandam celebrá-las pelos seus familiares em «restituição» de danos que não chegaram a reparar. Cristo e os santos já na glória e os que vivem na terra como moradas do Espírito Santo dão, assim, esperança de purificação aos Fiéis Defuntos para entrarem na glória do amor infinito de Deus.

Categorias

  • Conexão | Brasil x Portugal
  • Cultura
  • História
  • Política
  • Religião
  • Social

Colunistas

A.Manuel dos Santos

Abigail Vilanova

Adilson Constâncio

Adriano Fiaschi

Agostinho dos Santos

Alexandra Sousa Duarte

Alexandre Esteves

Ana Esteves

Ana Maria Figueiredo

Ana Tápia

Artur Pereira dos Santos

Augusto Licks

Cecília Rezende

Cláudia Neves

Conceição Amaral de Castro Ramos

Conceição Castro Ramos

Conceição Gigante

Cristina Berrucho

Cristina Viana

Editoria

Editoria GPC

Emanuel do Carmo Oliveira

Enrique Villanueva

Ernesto Lauer

Fátima Fonseca

Flora Costa

Helena Atalaia

Isabel Alexandre

Isabel Carmo Pedro

Isabel Maria Vasco Costa

João Baptista Teixeira

João Marcelino

José Maria C. da Silva...

José Rogério Licks

Julie Machado

Luís Lynce de Faria

Luísa Loureiro

Manuel Matias

Manuela Figueiredo Martins

Maria Amália Abreu Rocha

Maria Caetano Conceição

Maria de Oliveira Esteves

Maria Guimarães

Maria Helena Guerra Pratas

Maria Helena Paes

Maria Romano

Maria Susana Mexia

Maria Teresa Conceição

Mariano Romeiro

Michele Bonheur

Miguel Ataíde

Notícias

Olavo de Carvalho

Padre Aires Gameiro

Padre Paulo Ricardo

Pedro Vaz Patto

Rita Gonçalves

Rosa Ventura

Rosário Martins

Rosarita dos Santos

Sérgio Alves de Oliveira

Sergio Manzione

Sofia Guedes e Graça Varão

Suzana Maria de Jesus

Vânia Figueiredo

Vera Luza

Verónica Teodósio

Virgínia Magriço

Grupo Progresso de Comunicação | Todos os direitos reservados

Desenvolvido por I9