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Novos tempos

  • Novembro 10, 2025
  • Cultura
  • João Baptista Teixeira

 

Era como um oásis no decadente centro de Porto Alegre. Cumpria algumas obrigações e depois usava o tempo no sebo do Seu Carlinhos. Ao fundo, uma mesa frequentada por uma gente com boa cultura, que eu escutava ao largo enquanto catava esmeraldas perdidas em meio a muita turmalina. Creio que pelo menos uma quarta parte de nossa biblioteca seja proveniente daquele endereço. Concluído o garimpo, trocava impressões com Seu Carlinhos sobre o nosso Grêmio e a política que já vinha e segue de mal a pior.

O Grêmio, cujas maiores conquistas tiveram a marca da luta, da raça que se dizia castelhana, vem se perdendo por não identificar a raiz de seus problemas, contratando a esmo e mal. A política, por seu turno, cada vez mais dominada por ladrões e seus lacaios. Nossos lamentos, entretanto, duravam pouco. Como neblina, que se esvai sob o sol da cultura.

Vez por outra sentei à mesa para fruir um pouco de história, como a da mala com manuscritos de Simões Lopes Neto, que fora adquirida por um dos frequentadores.

Há um mês Seu Carlinhos confessara que estava pensando em fechar a loja. Os endinheirados não compram livro usado, os pobres não lêem e a classe média anda sem dinheiro. Há dois dias entrei no estabelecimento. Prateleiras esvaziadas, restavam algumas gôndolas. A livraria está cerrando suas portas: a loja física vinha sendo subsidiada pela venda online e a decisão tornou-se inevitável. Amante dos livros, encaixei o golpe, mas ficará a saudade, diluída entre tantas outras, das horas agradáveis naquele local.

A mediocridade em nosso horizonte e as mudanças de hábitos decorrentes da modernidade seguirão mudando nossas cidades. Não duvido que muito brevemente o espaço seja utilizado por uma loja de quinquilharias.

Dias atrás assistimos uma vez mais “Cinema Paradiso”, obra prima de Giusepe Tornatore, e agora me vem à lembrança a cena da implosão do cinema local para constituição de um estacionamento …

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A eleição de um socialista muçulmano como prefeito de Nova Iorque é um daqueles momentos em que se aciona a campainha para desembarcar antes do destino. Sua vitória não surpreendeu, porquanto pesquisas a previam mas, uma vez plasmada, a realidade se mostra ainda mais dura.

Além da enxurrada de promessas demagógicas do eleito, não há como evitar a leitura da população daquela cidade. Toneladas de imigrantes, característica histórica da cidade e mesmo daquele país, foram amalgamando culturas e pensares, fazendo ruir o que restava de identidade. Sua perda é o maior desastre que pode acontecer numa sociedade, muito além das piores hecatombes naturais. Porque desfaz a coesão e o sentido de existência da mesma, que tsunamis ou terremotos não abalam.

A eleição do demagogo em Nova Iorque é como a descoberta de cupim em um móvel. Muito antes do aparecimento do farelo característico, os cupins já faziam dia e noite seu trabalho. E assim como é difícil combater cupins, também o será reverter o assalto ao poder de uma ideologia, meio misturada com catilinária religiosa, que de pronto revela inconsistências, como o apoio à ideologia de gênero por um muçulmano.

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Assistindo a invasão muçulmana em cidades como Londres e Paris e observando as estatísticas da natalidade na Europa, não há como não lembrar da advertência de Bento XVI quanto ao erro demográfico daquele continente. A falta de nascimentos, o foco no individualismo e a apostasia da fé cristã o condenavam à perda de identidade.

Não pode haver surpresa quando os farelos aparecem se já sabíamos da existência dos cupins.

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