Robert Penn Warren nasceu nos Estados Unidos no ano de 1905 e morreu em 1989, também em seu país.
O autor foi um poeta, romancista e crítico literário americano, bem como um dos fundadores da chamada Nova Crítica. Foi também membro fundador da Fraternidade dos Escritores do Sul. Warren é a única pessoa que ganhou um Prêmio Pulitzer nos gêneros de ficção e poesia; em 1947, ganhou o Prêmio Pulitzer de Ficção por seu romance ‘Todos os Homens do Rei’ (1946) e, posteriormente, ganhou dois prêmios Pulitzer de Poesia, primeiro em 1957 e depois em 1979.
Ele também ganhou, entre outros, o Prêmio Nacional do Livro de Poesia em 1958 e foi Poeta Laureado dos Estados Unidos em 1944-45 e em 1986-87. O autor nasceu na cidade de Guthrie, Kentucky, formou-se na Universidade de Clarksville, no Tennessee, na Universidade de Vanderbilt, em 1925, e na Universidade da Califórnia, em 1926. Mais tarde, frequentou a Universidade de Yale.
Em 1930, iniciou sua carreira docente no Southwestern College (atualmente denominado Rhodes College) em Memphis, Tennessee. Nesse mesmo ano, Robert casou-se com Emma Brescia, de quem se divorciaria em 1951; após o divórcio de Emma, ele se casou com Eleanor Clark em 1952, onde tiveram dois filhos. Warren publicou sua obra mais famosa, ‘Todos os homens do rei’, enquanto lecionava na Universidade de Minnesota (estado fronteiriço com o Canadá) e viveu a última parte de sua vida em Fairfield, Connecticut, e finalmente em Stratton, Vermont; faleceu devido a complicações decorrentes de um câncer ósseo.
Quanto à obra do autor, este produziu vinte edições de poesia, três contos, cinco peças teatrais, vinte e dois textos de não-ficção, onze trabalhos de editor, e várias traduções de romances e obras traduzidas.
Warren recebeu quatorze Prêmios dos mais diversos, desde 1928 a 1987; também foi indicado três vezes ao Prêmio Nobel de Literatura em 1958, 1965 e 1967.
Dos vários poemas da seleção de Warren por nós escolhidos, aqui os temos.
Primeiro:
‘Limite mortal’; Vi o falcão subir o vento no ocaso sobre o Wyoming. / Ergueu-se da escuridão das coníferas, passando impiedosas / Cristas cinzentas, passando a faixa branca, entrando no crepúsculo /
De luz onírica e espectral acima da última pureza dos farrapos de neve. // A oeste, a cordilheira Teton. / Picos nevados terão em breve / Um perfil escuro a quebrar constelações. Para lá de que altitude / Paira agora o negro ponto? Para lá de que distância olhos doirados / Verão novas lonjuras erguerem-se, para marcar um último rabisco de luz? // Ou, tendo provado a finura da atmosfera, será que / Plana sem se mover, numa visão que falece antes / De saber que aceitará o limite mortal, / E deixar-se ao grande círculo descendente que restaurará // A respiração da terra?
Da rocha? Da podridão? De outras / Coisas tais, e o negrume dum qualquer sonho que agarramos?
Neste lírico que nos ofertou o autor, ergueu-se a escuridão, mas ao entrarmos no crepúsculo e a saber do limite mortal, sua obra nos expôs a luz e ao final agarramos nosso sonho.
Segundo texto:
“Esperança”; Na orquidácea luz do entardecer, / Observa como, da folha mais baixa da sebe, rasteja, / De filamento em filamento de erva, a sombra roxa. Espalha / A sua cinza espectral abaixo da linha, os derradeiros / Raios doirados que, rumo a ocidente, descobriram aberturas / No magnífico desastre do dia. // Contra a luz doirada, por baixo da folha de ácer / Um azul pálido reúne-se, acumula-se, é peneirado / Para modular a suavidade floral / Do ouro intrusivo, através dos enegrecidos galhos do abeto. / Os abetos elevam a derradeira glória pala sua teimosia. / Parecem rígidos num bronze escurecido. // Espera, espera, como se um dedo fosse posto sobre os lábios. / A primeira estrela desponta timidamente, não estando / Ainda escuro. Tal audácia / Será recompensada em breve. Nesta luz de transição, / Enquanto cinzas morrem a oeste, o mundo / Tem a sua última floração. Deixa o espírito / / Sossegar. O dia inteiro coagulou-se no teu peito, / Desenraizado pela intrusão ou da verdade ou da mentira, ou ambos. / Deixa os dois de parte, não debatas a sua natureza. Em breve, / Quando nem o último pássaro chilrear, o último morcego parte. / Até o último motor desvanece na distância. A promessa / De luar amanhecerá, e lentamente, com todo o esplendor, a lua // Dominará os céus, o mundo, o coração, // Num níveo indulto.
A escuridão de nossos “desastres” nos impede de atuar livremente, entretanto, o autor Robert Penn Warren nos oferece a “promessa” de buscarmos o “luar” em nosso céu e em nosso coração!
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[Observações: o “ácer” corresponde ao bordo; “níveo” corresponde ao branco, ao alvo]