Skip to content

Quando a Igreja troca a profecia pela ambiguidade

  • Fevereiro 1, 2026
  • Conexão | Brasil x Portugal
  • Manuel Matias

As recentes declarações de D. Rui Valério, Bispo de Lisboa, e o comunicado da Comissão Nacional Justiça e Paz levantam uma preocupação séria e legítima entre muitos católicos e cidadãos: a percepção de que, sob a capa de generalidades e alertas morais seletivos, existe uma crítica implícita a um dos candidatos presidenciais e, simultaneamente, um apoio implícito a outro.

A Igreja, pela sua missão e natureza, não pode permitir-se ambiguidades políticas que confundem os fiéis e instrumentalizam a sua autoridade moral. Quando um bispo ou um organismo oficial da Igreja intervém no espaço público em contexto eleitoral, tem o dever acrescido de o fazer com clareza, equilíbrio e fidelidade integral à Doutrina Social da Igreja — não apenas às partes que coincidem com determinada sensibilidade ideológica.

Causa estranheza, e não pode deixar de ser denunciado, o silêncio absoluto sobre matérias que a Igreja sempre considerou não negociáveis: a condenação clara do aborto, da eutanásia, da ideologia de género e do tráfico humano — esta nova forma de escravatura que destrói vidas, famílias e comunidades inteiras. Estes não são temas laterais. São feridas morais profundas do nosso tempo, onde se joga a dignidade da pessoa humana.

Quando a Igreja escolhe falar de uns temas e omitir outros, não está a ser prudente: está a ser parcial. E quando essa parcialidade coincide, de forma sistemática, com a agenda cultural e política do relativismo dominante, a Igreja corre o risco de abdicar da sua missão profética para assumir um papel meramente ideológico.

A Igreja não existe para confirmar o espírito do tempo, mas para o questionar. Não existe para agradar ao poder, mas para o interpelar. Não existe para orientar votos, mas para formar consciências à luz da verdade. Sempre que se afasta deste caminho, perde autoridade moral e trai aqueles que esperam dela clareza, coragem e coerência.

Num momento decisivo para o futuro de Portugal, os católicos merecem mais do que mensagens vagas e sinais ambíguos. Merecem uma Igreja que fale com a mesma firmeza contra todas as formas de injustiça, especialmente quando estas atacam diretamente a vida, a família e a dignidade humana, desde a concepção até à morte natural.

O silêncio também é uma escolha. E, neste caso, é um silêncio que pesa.

Categorias

  • Conexão | Brasil x Portugal
  • Cultura
  • História
  • Política
  • Religião
  • Social

Colunistas

A.Manuel dos Santos

Abigail Vilanova

Adilson Constâncio

Adriano Fiaschi

Agostinho dos Santos

Alexandra Sousa Duarte

Alexandre Esteves

Ana Esteves

Ana Maria Figueiredo

Ana Tápia

Artur Pereira dos Santos

Augusto Licks

Cecília Rezende

Cláudia Neves

Conceição Amaral de Castro Ramos

Conceição Castro Ramos

Conceição Gigante

Cristina Berrucho

Cristina Viana

Editoria

Editoria GPC

Emanuel do Carmo Oliveira

Enrique Villanueva

Ernesto Lauer

Fátima Fonseca

Flora Costa

Helena Atalaia

Isabel Alexandre

Isabel Carmo Pedro

Isabel Maria Vasco Costa

João Baptista Teixeira

João Marcelino

José Maria C. da Silva...

José Rogério Licks

Julie Machado

Luís Lynce de Faria

Luísa Loureiro

Manuel Matias

Manuela Figueiredo Martins

Maria Amália Abreu Rocha

Maria Caetano Conceição

Maria de Oliveira Esteves

Maria Guimarães

Maria Helena Guerra Pratas

Maria Helena Paes

Maria Romano

Maria Susana Mexia

Maria Teresa Conceição

Mariano Romeiro

Michele Bonheur

Miguel Ataíde

Notícias

Olavo de Carvalho

Padre Aires Gameiro

Padre Paulo Ricardo

Pedro Vaz Patto

Rita Gonçalves

Rosa Ventura

Rosário Martins

Rosarita dos Santos

Sérgio Alves de Oliveira

Sergio Manzione

Sofia Guedes e Graça Varão

Suzana Maria de Jesus

Vânia Figueiredo

Vera Luza

Verónica Teodósio

Virgínia Magriço

Grupo Progresso de Comunicação | Todos os direitos reservados

Desenvolvido por I9