Ensinei… Na escola da vida
Fui aluno, num passado despretensioso,
Nas caminhada aprendi
Em devaneios mentais
Por sonhos e imagens
Continuo seguindo
Rumo ao incerto futuro.
A Cadeia Municipal ocupava a parte baixa do prédio fronteiro ao Palácio Rio Branco. O terreno em volta desenvolvia até a esquina da São João. Na parte dos fundos os presos tomavam banho de sol e jogavam bola. A segurança era mínima no entorno. Havia três celas cujas janelas de ventilação davam para a Rua João Pessoa, apenas protegidas por grades de ferro, sem outra vedação. Por isso era possível enxergar os presos e com eles conversar. O Dico e o Verão, pequenos amigos do alheio, cantavam muito bem. Faziam dueto e juntava gente do lado de fora para ouvi-los. Sempre ganhavam uns trocos. Era comum os presos subirem nos beliches e pedirem cigarros para os transeuntes. Normalmente ganhavam.
Nos anos 60 a legislação permitia a prisão para averiguações. A gatunagem, normalmente paus-d’água desempregados, praticava pequenos furtos, como de roupas nos varais e simples mercadorias dos armazéns, por exemplo. Quando os Pedro e Paulo (assim eram chamadas as duplas de policiais militares) prendiam um destes meliantes, era conduzido até a Delegacia de Polícia e depois guardados no “Boi Preto” por algum tempo. Quando era por vadiagem, tinham que assinar um termo, comprometendo-se a conseguir ocupação em 30 dias.
Naquele tempo, as contravenções por jogo do bicho, vadiagem, mendicância, embriaguez habitual, entre outros, implicavam em segregação da liberdade e processo. Uma das nossas figuras folclóricas, SAPUCAIA, era um refinado tratante e habilidoso “afanador”; gostava de visitar a casa do Coronel Álvaro de Moraes, que era um homem muito bom e nem sempre dava parte dos pequenos furtos. O Sapucaia não levava coisas de muito valor.
O pior era quando ele bebia… E isso acontecia quase todos os dias. Ele sempre tinha uns trocados consigo para a cachaça. De certo, lograva algum incauto; era bem conversado e contador de causos. Segundo a Lei das Contravenções Penais, a pena por embriaguez e/ou vadiagem, era de prisão celular de oito a trinta dias. O julgamento era sumário, rápido e dava cadeia.
O Sapucaia era freguês de caderno; seguidamente era levado à presença do Juiz e costumava passar uns dias atrás das grades. Certa feita o Juiz perdeu a paciência com o Sapucaia:
– Tu aqui de novo? É a quarta vez em dois meses!
– Pois é doutor; mas a culpa não é minha. São os “Poliças” que me trazem aqui. Eu até me mudei prá mais longe.