Ilka Brunhilde Laurito naceu em São Paulo em 1925 e faleceu em 2012, em Corumbataí, um município no estado de São Paulo e região de Campinas. Ilka foi uma escritora, poetisa, professora e tradutora.
Ilka foi formada em letras pela USP – Universidade de São Paulo – e trabalhou no magistério secundário, superior e publicou, além de escrever poesia, contos, crônicas e ficção infanto-juvenil. Na década de 1960, a autora foi diretora do Departamento de Cinema e Educação da Cinemateca Brasileira.
Em 1948, Ilka publicou Caminho, seu livro de estreia, e este também quando recebeu o Magnum opus. Ativista, Ilka tomou parte de movimentos de divulgação literária, como o Poesia na Praça e Poetas na Praça, em 1969 e 1975, respectivamente.
Em 1972, a autora escreveu O século XIX na fotografia de Militão para o jornal O Estado de São Paulo, artigo sobre Militão Augusto de Azevedo, considerada uma das primeiras publicações que atribuiu importância ao fotógrafo e à sua obra.
Na década de 1980, Ilka Brunhilde organizou Casimiro de Abreu, livro da coleção Literatura Comentada – Abril Educação – e publicou Crônica: História, Teoria e Prática. Huanto a suas obras, identificamos Caminho (1948); A Noiva do Horizonte (1953); Autobiografia de Mãos Dadas (1958); Janela do Apartamento (1968); Sal do Lírico (1978) e A menina que fez a América (1989). Os prêmios recebidos pela autora são os seguintes: Prêmio Jabuti em 1987 – Livro: Canteiro de Obras (Scortecci / Edicon), poesia; 1990 – Livro: A Menina Que Fez a América (infantil); e 2001 – Livro: A Menina Que Descobriu o Brasil (infantil).
Nossa autora Ilka foi uma importante ativista de movimentos de divulgação literária, como a “Poesia na Praça” e o “Poetas na Praça”, realizado nas décadas de 60 e 70. Vamos apresentar quatro de seus poemas.
Primeiro:
Conceito; Como dizer: poema? / – se a palavra punge / na boca sabendo a beijo? / – se a punhalada de luz / dessangra a noite / no céu do peito? / Livros e literatura / Desconversar com ciência: / – o mel é amargo / na garganta das abelhas.
Comentário: como “dizer poema” se as palavras pesam e à noite elas “dessangram” (ou se esvaem em sangue).
Segundo:
Antologia da poesia contemporânea; O sol ainda é grande / mas já não caem com calma as aves. / Perdigão perdeu a pena / por um tiro de metralha. / E o poeta, que colheu a pena, / preferiu a esferográfica. / Já não há mal que lhe não venha. / Mas a culpa é alheia. / Se mudou o Natal? se mudou ele? / É que o Cristo faz o enterro / de meninos neste tempo. / Lá virá então a fresca primavera / e os esgotos continuam os mesmos. / Ó claras águas do Mondego / que imundego! / que imundego!
Comentário: a poesia atual contemporiza de tal modo que o “Natal se mudou”.
Terceiro:
Neblina; Ela chorava à janela / em lenta agonia chorando, / pois não enxergava seu homem / em sua viagem perdida. / Lançara a rede às estrelas / mas não caíra nenhuma, / e o mar ao longe era grito / morrendo em praia e surdina. / Ela chorava à janela / a morte sobre a distância, / o adeus que se fora um dia / em sonho, esperança e mar. / Chorava porque sabia / como era inútil seu pranto, / e, amante do amor distante, / aos poucos também partia.
Comentário: a “neblina” é a escuridão que nos impede da luz, e assim nossa poesia também “se parte”.
Quarto: O morimundo; Seu país vem vindo. / O exílio se aproxima / da fronteira livre. / E ele ainda respira / pelo arfar de eternidade / que é sua vida. / Mas não há carne que o revista / nem há sangue ou grito: / só o olhar é nítido. / Traduziu a história / quando abriu o livro. / E estagia a morte / no equilíbrio transitório / de quem sabe a aurora / mas escolhe a hora. / Já não é um homem. / É uma forma cósmica: /
ultrapassa um nome.
Comentário: o exílio nos afasta da eternidade de nossa vida.
Belos pensamentos destas poesias de Ilka Brunhilde Laurito. Parabéns!