A semana de orações pelas vocações de consagração presta-se a refletir sobre crescer e ser em saúde e harmonia. As expressões formação, orientação e desenvolvimento vocacional e profissional nem sempre conciliam os níveis de sentido. Nos anos de 1960 do meu curso de psicologia, a aplicação de testes era um desafio para harmonizar interesses, motivações e valores dos pais, dos formadores e dos próprios testados. Esta semana de oração é bastante clara no que propõe. A oração pelas vocações pede pessoas com harmonia de ser.
Vocação, de raiz latina, ajuda a discernir o sentido de chamar (vocare), de chamados, quem chama e para que chama no sentido do Evangelho e de pessoa. O Concílio Vaticano II veio dizer na Lumen Gentium que o chamamento de Jesus à consagração não é só de alguns, mas de todos os batizados e crismados e não apenas para serem religiosos (as), de hábito, sacerdotes, bispos. Não separa os caminhos de cristãos do exercício de profissões. Os batizados são chamados a dois níveis integrados de ser: trabalho e vida de fé cristã. Este nível duplo convida o chamado a harmonizar-se como ser relacional nas ações temporais honestas de bem comum; e em respostas de fé cristã neste e para o outro mundo, o transcendente. A harmonia não separa nem confunde.
A pessoa é ser de relações com pessoas que são também núcleos de relações com pessoas e assim por diante. E as relações que nos ocupam, de batizados, são mensagens de palavras e equivalentes dirigidas a outras pessoas, aos níveis de realidades temporais e de realidades da fé cristã. Não ajuda a ser feliz criar agendas separadas e, menos ainda, contraditórias. As chamadas não vêm só de Deus; vêm dos pais e figuras paternas.
As primeiras chamadas dos batizados vem do pai e da mãe e doutros familiares e pessoas com missão paterna ou materna. E podem vir já carregadas de sentido de vida temporal de fazer, estudar, formar-se para uma profissão; e podem vir também carregadas de sentido batismal e chamamento para uma vida temporal honesta e cristã. Nem faltarão as chamadas do Alto, mediadas por outras figuras paternas, como as que a Bíblia apresenta nas suas páginas, principalmente no Evangelho. Os pais chamam os filhos; Deus Pai e Jesus, seu Filho, com palavras de coração e de silêncios, chamam aqueles a quem amam. E a Igreja como Mãe ora e chama os seus filhos batizados para o ser e agir nas tarefas e missões em que as pessoas respondem à luz e sabedoria do Espírito.
Esta Semana destina-se a orar pelos outros e por si mesmos e principalmente pela Igreja em que como diz o lema da semana: “Eu estou sempre contigo”, com todos os que respondem sim. É importante pôr a questão: quem é que chama e para quê; quem responde e para quê? Os sacramentos são simultaneamente chamadas, objetivos das chamadas e respostas à chamada. Orações que Jesus mandou fazer já dizem para que é: «pedi ao Senhor da messe que envie operários para a sua seara», (Mt 9,38) para evangelizar e orar.
Ora-se pelos que Ele chama; pelos que chamam outros, e pelos que respondem às chamadas. Chamam em primeiro lugar o Pai, o Filho e o Espírito Santo, e chamam pessoas das famílias e comunidades de fé. O pai e a mãe e todas as outras pessoas, com a missão de pai e mãe, foram chamadas para evangelizar e, evangelizando e testemunhando, chamam outros do viveiro cristão para evangelizar e chamar: há dois mil anos é assim e continuará a ser até à eternidade. «A vontade de Deus permeia inteiramente o mundo perecível, nele inspirando o termo do mundo, que é a eternidade» (Hildegard de Bingen).