Estamos a chegar ao Dia da Mãe como sentido multifacetado e propósito abençoado. Na Grécia antiga e em Roma celebrava-se o dia da mãe como homenagem à mãe dos deuses. Mais lhe quadra, ao lado de pai, o nome de mãe de todos os homens e de todas as mulheres.
Foi, porém, na Igreja dos primeiros séculos que, sem retirar essa totalidade de dom a todos os homens e todas as mulheres, o nome de mãe adquiriu o sentido mais sublime. Nos países cristãos a homenagem, sem deixar de ser a cada mãe, era à Mãe de Jesus, Filho de Deus.
Com efeito, o nome de Mãe de Deus foi encontrado num papiro cerca de 250 (séc. III), no Egito, como invocação: «À Vossa Proteção recorremos, Santa Mãe de Deus. Não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades, mas livrai-nos sempre de todos os perigos, ó Virgem gloriosa e bendita».
No Concílio de Éfeso, em 431, foi proclamada Theotocos (Mãe de Deus). O uso de Mãe dos batizados tornou-se, também, aceitação das palavras de Jesus na Cruz: «eis o teu filho, eis a tua mãe» em paralelo com o nome de Igreja-mãe dado à igreja onde os catecúmenos eram batizados e renasciam como verdadeiros filhos de Deus e da Igreja.
Em relação às mães de todos os homens e mulheres, chamadas à missão de serem mulheres esposas e mães, a corrente feminista da primeira fase tem promovido a dignidade das mulheres a posições mais elevadas ao lado dos homens e ainda bem.
Já o feminismo dos anos 70 a esta parte tem cometido erros e criado problemas à saúde, beliscando a identidade das mulheres convencendo muitas da tolice de lutar por uma identidade de mulheres masculinizadas e privadas das suas prerrogativas mais nobres de mulheres esposas e mães. Apesar de alguma emancipação individualista e egocêntrica, essa identidade restritiva faz delas metade homens e metade mulheres empobrecidas da sua feminilidade nobre de serem fontes de vida para homens e mulheres.
A tendência a desenvolver carreiras pré-formatadas e igualitárias, à maneira de prisões, para homens e mulheres, em polarização conflituosa, acaba por privar uns e outras da complementaridade genética recíproca. Esta vem dos genes, cromossomas, células e desenvolvimento anatómico, funções fisiológicas, emoções e capacidades diferentes no homem e na mulher. Será científico ou fake news cair em afirmações ideológicas de que a paternidade e a maternidade, como condição de marido-pai e esposa-mãe, são valores humilhantes e vergonhosos, a evitar, como o feminismo dos anos 70 até hoje tem espalhado?
O dia da mãe vem lembrar e homenagear as mães como os dons procriadores de Deus dados à humanidade, nelas e nos pais.
Até que ponto a natalidade negativa dalguns países, o mal-estar familiar, habitado por tantas violências e vítimas, não serão consequências da polarização conflituosa entre homens e mulheres por lutas de falsa igualdade mutiladora da sua dignidade original? Os exageros, nessa luta pela igualdade niveladora, entre homens e mulheres, como se não fôssemos todos nascidos da mulher, nossa mãe, que celebramos e agradecemos neste dia; e como o Filho de Deus que quis nascer de um útero de mulher-mãe, para ter um corpo e o oferecer por nós na cruz.
É assim, desde que “Deus criou [os humanos] homem e mulher” à imagem e semelhança d’Ele (Gn 1, 27-28); e lhes deu igual dignidade e capacidade de gerar filhos e filhas semelhantes aos pais e mães. Os condicionalismos e erros congénitos das leis da natureza podem redundar em limitações que causam sofrimentos a mitigar com recursos médicos especializados; e a oração à Mãe de Deus, a Consoladora. Não será uma tolice, em casos de erros congénitos, deitar fora o bebé com a água do banho?
O Dia da mãe só pode ser um dia de gratidão pela vida dos filhos (nós) recebidos das mães e de Deus. Boa festa da mãe!