Nas lonjuras da vida
Pautei amizades
Muito bem-querer
Em flores quiméricas
Colhi alegrias e tristezas
Simples duplicidade
O cotidiano oferece.
As lonjuras da vida, só consigo acessar, por transpor os umbrais da porta ao passado; por detrás, ela encerra a luz, justamente porque somos luz, em um corpo que a reflete. Ponham-se numa sala, cerrem as janelas, fechem as cortinas e apaguem a luz: então, o que somos? Simplesmente nada, só escuridão; sequer sombra refletida. Uma réstia de luz adentra e foca em seu corpo; novamente você; outra vez luz. Ela é refletida e segue eternamente.
Nas luzes do meu passado, chequei aos meus 6 anos de idade, servindo de mandalete para pequenas tarefas. Quando faltava querosene, a senhora minha mãe anunciava: Nestinho! Hole die flash und geht zum Natália kerose kaufen. Schreibe im buch”. A língua que falávamos era uma mistura do alemão husrück com o gramatical; queria dizer: “Pega a garrafa e vai na Natália comprar querosene. Assenta no caderno” (dona Natália, proprietária do Armazém Vogt).
Sou da data do fogão à lenha; do trabalho que tínhamos para carregar a lenha, largada na calçada, até aos fundos da casa, onde era empilhada. Para acender o fogo, usava-se um pedaço de tijolo maciço, raspado na laje, até uma forma cilíndrica. Depois esta peça era presa a um cabo, feito de arame grosso, colocada em uma latinha, cheia de querosene, para absorver e tornar-se inflável. Acesa, produzia chama e era levado à fornalha do fogão, ateando fogo à lenha e gravetos.
Frequentando o 1º ano do curso de Psicologia, posso afirmar minha felicidade – certamente do colega e das colegas – pelas ótimas professoras a conduzirem o nosso aprendizado. A Prof. Dra. Amanda Cappellari orientou-nos a interagir com bebês e/ou crianças, com apresentação dos comparativos entre os ensinamentos teóricos e a realidade da nossa interação.
Ótimos trabalhos foram apresentados, com slides e Power point (o que não sei fazer – é a idade). Lembro de um bebê precoce, com 7 meses, já conseguindo balbuciar PA – primeira sílaba de PAPAI. Outra criança de uns dois anos, jogando a bola e fazendo a colega correr atrás e devolver … Assim repetia.
Tive com a menina ALICE, com seis anos de idade; muito capaz para a idade e com uma boa coordenação motora. Está no 1º ano do Curso Fundamental e já sabe escrever; a leitura ainda um pouco incipiente. Muito amorosa e apegada aos pais e avós.
Foi um verdadeiro aprendizado; mesmo com a minha dificuldade auditiva, consegui acompanhar as explanações e, muitas vezes, viajar no tempo. Claro que, hoje em dia, a criança é acomodada no carrinho; ao passo, fui acomodado no “chiqueirinho” de madeira, feito pelo meu avô paterno.
O maniqueísmo defende duas forças fundamentais opostas. A alegria se opõe à tristeza e, no cotidiano elas se nos revelam diariamente. Somos Luz; somos Criança; somos Alegria e Tristeza; somos os que continuam e Aprendem; como luz seguiremos … a vida é um permanente seguir.