A Reitora de «La Sapienza» agradece ao Papa.
Em 2008, o Papa Bento XVI quis visitar a maior Universidade de Roma, «La Sapienza», mas a contestação de alguns professores marxistas (sobretudo um, particularmente violento e caluniador) impediu que a visita pudesse decorrer em paz. O Papa desistiu, mas publicou o discurso que tinha preparado, uma obra magistral de pensamento e espiritualidade.
Os alunos e os professores, praticamente a totalidade, queriam ter acolhido o Papa e voltaram a convidar Leão XIV, que passou a manhã desta quinta-feira, no meio de multidões de universitários, rezou na capela nova da universidade (uma igreja moderna, ampla) e falou no grande auditório. Nada recordava a agressividade de há anos.
A intervenção mais importante do Papa foi a da Aula Magna. Referiu a alegria de ter recebido um grande número de perguntas dos estudantes: centenas! «Obviamente, não é possível responder a todas, mas vou levá-las em conta, desejando a cada um que busque mais oportunidades de diálogo. É também por isso que existem na universidade as capelanias, onde a fé encontra as vossas perguntas».
A dignidade sublime da vida foi o ponto de inspiração das duas perguntas que deixou, uma dirigida especialmente aos estudantes, outra sobretudo aos mais velhos:
— «Não somos a soma do que possuímos, nem uma matéria aleatoriamente reunida de um cosmos mudo. Somos um desejo, não um algoritmo! Justamente essa nossa dignidade especial me leva a compartilhar convosco duas perguntas».
Aos jovens, as oportunidades da vida, abrem-se em interrogações de vocação:
— «A vós, jovens, (…) pergunta: “Quem és?” Ser nós mesmos, de facto, é o compromisso característico da vida de cada homem e de cada mulher. “Quem és?” é a pergunta que fazemos uns aos outros; a pergunta que silenciosamente colocamos a Deus; a pergunta à qual só nós podemos responder, cada um por si, mas à qual nunca podemos responder sozinhos».
Este mundo de anseios grandiosos —somos um desejo, não um algoritmo!, dizia o Papa— põe-nos em contacto, porque «somos os nossos relacionamentos, a nossa linguagem, a nossa cultura: por isso, é ainda mais vital que os anos da universidade sejam o tempo dos grandes encontros». Grandes encontros que desembocam, como diz o Papa, numa «pergunta que silenciosamente colocamos a Deus».
A outra pergunta foi ao mesmo tempo um apelo carregado de sofrimento:
— «Aos mais velhos, o mal-estar juvenil lança a pergunta: “Que mundo estamos a deixar?”. Um mundo, infelizmente, deformado pelas guerras e pelas palavras da guerra. Trata-se de uma contaminação da razão, que (…) invade todas as relações sociais. (…) O drama do século XX não deve ser esquecido. O grito “nunca mais a guerra!” dos meus Antecessores, tão em sintonia com o repúdio à guerra consagrado na Constituição italiana, impele-nos a uma aliança espiritual com o sentido de justiça que habita o coração dos jovens, com a sua vocação de não se fecharem entre ideologias e fronteiras nacionais».
Destacou alguns crimes particularmente graves:
— «O que está a ocorrer na Ucrânia, em Gaza e nos territórios da Palestina, no Líbano e no Irão ilustra a evolução desumana da relação entre a guerra e as novas tecnologias, numa espiral de aniquilação».
Pedindo que todos se sintam implicados na defesa da vida:
— «Que o estudo, a investigação e os investimentos sigam na direcção oposta: que sejam um “sim” radical à vida! Sim à vida inocente, sim à vida jovem, sim à vida dos povos que clamam por paz e justiça!».
A juventude universitária de Roma e os professores aplaudiam o Papa emocionados.

