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Poemas de Carlos Drummond de Andrade (1902-1987)

  • Maio 25, 2026
  • Cultura
  • Rosarita dos Santos

 

Carlos Drummond de Andrade foi um poeta, contista e cronista brasileiro; criou-se no interior de Minas Gerais e muda-se a partir dos anos quarenta em Rio de Janeiro. O autor é considerado como o mais importante poeta do século XX e tido como o topo da segunda geração do modernismo brasileiro.

Os temas de sua obra são vastos e empreendem desde questões existenciais, como o sentido da vida e da morte, passando por questões cotidianas, familiares, como o dialogando, e sempre com correntes tradicionais e contemporâneas de sua época. As características formais e estilísticas de sua obra também são vastas, destacando-se, por vezes, o dialeto mineiro.

Suas obras de literatura abrangem poesia e crônica por mais de trinta produções, e por próximas de dez antologias poéticas, também dez textos infantis, e vinte artigos de prosa.

Através de sua poesia, Drummond foi eternizado, conquistando a atenção e a admiração dos leitores contemporâneos. Seus poemas se centram em questões que se mantêm atuais: a rotina das grandes cidades, a solidão, a memória, a vida em sociedade, as relações humanas.

Entre suas composições mais famosas, se destacam também aquelas que expressam reflexões existenciais profundas, onde o sujeito expõe e questiona seu modo de viver, seu passado e sua disposição.

Primeiro: No Meio do Caminho ; “No meio do caminho tinha uma pedra / tinha uma pedra no meio do caminho / tinha uma pedra / no meio do caminho tinha uma pedra. / Nunca me esquecerei desse acontecimento / na vida de minhas retinas tão fatigadas. / Nunca me esquecerei que no meio do caminho / tinha uma pedra / tinha uma pedra no meio do caminho / no meio do caminho tinha uma pedra.”

Este é, provavelmente, o poema mais célebre de Drummond, pelo seu caráter singular e temática fora do comum; publicado em 1928. Referindo os obstáculos que surgem em nossas vidas, simbolizados por uma pedra que se cruza no nosso caminho, a composição sofreu duras críticas pela sua repetição e redundância. Contudo, o poema entrou para a história da literatura brasileira, mostrando que a poesia não tem de ficar limitada aos formatos tradicionais e pode versar sobre qualquer tema, até mesmo uma pedra.

Segundo: “Poema de Sete Faces” ; Quando nasci, um anjo torto / desses que vivem na sombra / disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida. / As casas espiam os homens / que correm atrás de mulheres. / A tarde talvez fosse azul, / não houvesse tantos desejos. / O bonde passa cheio de pernas: / pernas brancas pretas amarelas. / Para que tanta perna, meu Deus, / pergunta meu coração. / Porém meus olhos
não perguntam nada. / O homem atrás do bigode / é sério, simples e forte. / Quase não conversa. / Tem poucos, raros amigos / o homem atrás dos óculos e do bigode. / Meu Deus, por que me abandonaste / se sabias que eu não era Deus / se sabias que eu era fraco. / Mundo mundo vasto mundo, / se eu me chamasse Raimundo / seria uma rima, não seria uma solução. / Mundo mundo vasto mundo, / mais vasto é meu coração. / Eu não devia te dizer / mas essa lua / mas esse conhaque / botam a gente comovido como o diabo.

Um dos aspectos que captam imediatamente a atenção do leitor é o fato de referir a si mesmo como “Carlos”, primeiro nome de Drummond. Assim, existe uma identificação entre o autor e o sujeito, o que lhe confere uma dimensão autobiográfica.

Desde o primeiro verso, ele se apresenta como alguém marcado por “um anjo torto”, predestinado a não se enquadrar, a ser diferente, estranho. Nas sete estrofes são demonstradas sete facetas diferentes do sujeito, demonstrando a multiplicidade e até contradição dos seus sentimentos e estados de espírito.

Um outro elemento por trás de uma aparência de força e resiliência : tem “poucos, raros amigos”.

Na terceira estrofe, alude-se à multidão, espacialmente quanto as “pernas” que circulam pela cidade, evidenciando o seu isolamento e o desespero que o invade.

Citando uma passagem da Bíblia, compara o seu sofrimento com a paixão de Jesus que, durante a sua provação, pergunta ao Pai porque Ele o abandonou. Assume, assim, o desamparo que sente perante Deus e a sua fragilidade enquanto ser homem.

Nem mesmo a poesia parece ser uma resposta para essa falta de sentido: “seria uma rima, não seria uma solução”. Durante a noite, enquanto bebe e olha a lua, o momento da escrita é aquele onde se sente mais vulnerável e emocionado, fazendo versos como uma forma de desabafar.

Terceiro: “No Meio do Caminho” ; No meio do caminho tinha uma pedra / tinha uma pedra no meio do caminho / tinha uma pedra / no meio do caminho tinha uma pedra. / Nunca me esquecerei desse acontecimento / na vida de minhas retinas tão fatigadas. / Nunca me esquecerei que no meio do caminho / tinha uma pedra / tinha uma pedra no meio do caminho / no meio do caminho tinha uma pedra.

Este é, provavelmente, o poema mais célebre de Drummond, pelo seu caráter singular e temática fora do comum; foi publicado em 1928. No “Meio do Caminho” expressa o espírito modernista que pretende aproximar a poesia do cotidiano.

Referindo os obstáculos que surgem na vida do sujeito, simbolizados por uma pedra que se cruza no seu caminho, a composição sofreu duras críticas pela sua repetição e redundância.

Contudo, o poema entrou para a história da literatura brasileira, mostrando que a poesia não tem de ficar limitada aos formatos tradicionais e pode apresentar sobre qualquer tema, até mesmo uma pedra.

Por hoje, terminamos nossos textos, e adiante apreciaremos mais um pouco de nosso excepcional CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE !

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