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Não há direito

  • Outubro 14, 2022
  • Conexão | Brasil x Portugal
  • Rita Gonçalves

Uma das aventuras desta coisa de escrever para jornais é o título, o rótulo. O que é que eu sou? Para que haja uma certa credibilidade, por baixo do meu nome, tem de vir um título qualquer. Por exemplo, o ser licenciada em qualquer coisa pouco interessa porque licenciados há muitos, seu palerma!

Depois, há o “desempregada”, o que não confere credibilidade nenhuma e, para mais, não é verdade. Não é verdade a dois níveis, por um lado, eu emprego o meu tempo em trabalho e, por outro, não procuro emprego, logo, não me posso chamar de “desempregada”.

Uma das designações que parece resultar melhor é o de “mãe a tempo inteiro”, embora, confesso, seja a que menos gosto. Primeiro, porque é uma altíssima redundância. O conceito de mãe já tem dentro de si o “Tempo inteiro”, a “Eternidade”, o “Non-stop”. Alguém conhece uma mãe que só o seja das 9h-12h ou das 15h-18h? Ninguém deixa de ser mãe para ser uma ótima professora, uma excelente médica, uma incrível arquiteta, uma sublime padeira ou uma valente desempregada.

Aliás, a bem da verdade, o ser mãe é um contributo importantíssimo para se conseguir ser uma ótima professora, uma excelente médica, uma incrível arquiteta, uma sublime padeira ou uma valente desempregada. Tudo que somos, somos melhor porque somos mães. Não sei como é que alguém ainda não viu isto?

Depois, esta designação de “mãe a tempo inteiro” tem outro problema no meu caso. É que eu nem posso ficar com os louros de ter tido a opção de uma bela carreira na minha área de formação e de ter escolhido ficar em casa, num grande espírito de altruísmo. Talvez tenha escolhido em dois ou três entroncamentos, mas, de facto, foram escolhas fáceis, porque as opções de trabalho não eram assim tão convidativas.

Para denegrir ainda mais a minha imagem, acresce o facto de ter uns filhos estupendos e um marido de grande nível, pelo que dedicar-me totalmente a eles em regime de exclusividade foi e é “a piece of cake”.
Outra possível designação para a minha pessoa é “doméstica”, só que o problema é que este conceito também se aplica às pessoas que profissionalmente se encarregam da limpeza e manutenção de casas de outras pessoas. O que não é o meu caso. Tomara eu tratar bem da minha.

Resta a solução da “doméstica em casa própria”, o que também não é inteiramente verdade, uma vez que a banca tem uma cota parte importante desta “própria”. Estou feita. Pela falta de designação, mas sobretudo, por esta parceria com a banca.

Assim sendo, quando algumas pessoas têm a generosidade de me elogiar, fico um pouco envergonhada porque, de facto, eu escolhi pouca coisa. Eu e o meu marido escolhemos a Vida, mas o resto foi Deus que foi arrumando e arranjando na sua Infinita Bondade. Nós só tivemos de ir fazendo a melhor parte, pelo que não temos direito a elogios, nem a títulos.

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