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Ciranda da Vida – Exposição-feira de 1933

  • Agosto 7, 2023
  • Cultura
  • Ernesto Lauer

 

Quando à corte silente do pensar
Eu convoco as lembranças do passado,
Suspiro pelo que ontem fui buscar,
Chorando o tempo já desperdiçado
(Shakespeare)

 

Para o grande poeta, dramaturgo e outras qualificações, William Shakespeare cunhou esta frase em uma poesia, lembrou o íntimo, o silencio, o lugar onde o pensamento nasce em nosso cérebro. É justamente por ele, invoco as coisas do passado de nossa terra, tendo por suporte páginas amarelas do Jornal O Progresso, que o amigo João Baptista Teixeira a mim faz chegar.

Não choro o tempo desperdiçado; ao contrário trago-o ao lume, de tantos quantos ao tempo de hoje chegaram: ano de 2023! Quão grande é a lembrança de cada uma das festividades do nosso Centenário? A cada lembrança um suspiro e o choro por todos àqueles que tornaram real a festividade e o Parque Centenário, hoje em remodelação. Uma administração que está cuidando das coisas de nossa história.

Pois, é da história de antigamente que busco revitalizar. Pouquíssimos são os que presenciaram os acontecimentos de 1933? Se conosco ainda estiverem, ao tempo eram crianças e as lembranças se evaporaram. Por pesquisar os acontecimentos marcantes de nossa terra, arvoro-me da liberdade de trazer, aos atuais, a história dos acontecimentos da grande Exposição-Festa que aconteceu em Julho de 1933.

A primeira Exposição-Feira Agroindustrial e comercial de nossa terra foi solenemente inaugurada em 22 de julho de 1933, tendo por local o recinto instalado na rua Osvaldo Aranha, junto ao Estádio do F.C. Montenegro. Antes do ato oficial, na gare da Viação Férrea, autoridades e o povo recepcionaram o General Flores da Cunha, Intendente Federal do Estado, que veio para a inauguração.

Em ato anterior, o Dr. Francisco Simon. Secretário de Obras Públicas do Estado, inaugurou o Orange Packing-House, empreendimento localizado na rua Álvaro de Moraes, fronteiro ao Cais do Porto. A flotilha do Clube de Regatas Cruzeiro do Sul desfilou pelas águas do rio Caí, em bela evolução.

 

 

Na primeira página do Jornal O Progresso de 29/07/1933, a notícia em destaque:

“Excedeu a expectativa mais otimista o brilho de que se revestiu a Primeira Exposição-Feira, Comercial, Industrial, Agropecuária e Frutícola do nosso Município – uma bela afirmação da capacidade industrial e de produção do município e de seus habitantes”.

Pelos comemorativos jornalísticos observa-se que todos visitantes, dentre autoridades e pessoas da comunidade,  tiveram palavras de elogio ao contemplarem as amostras em exposição.

O Interventor chegou em trem especial, no horário das 9h30min; consigo vieram vários Secretários Estadual, magistrados e os cônsules da Alemanha e do Uruguai. Depois da inauguração do Packing-House, as autoridades dirigiram-se ao local da exposição, onde aconteceu o corte da fita simbólica.

Na oportunidade discursaram o Dr. Jacinto Rosa e o General Flores da Cunha. Após aconteceu a visita aos estandes distribuídos pelos pavilhões da feira. No horário das 12h30min, tendo por local o Buffet da Viação Férrea, foi oferecido ao Intendente um banquete para 100 talheres (na verdade foram mais) – o ágape foi organizado pela senhora Sylvia Decusati, digno de muitos elogios.

Após o almoço, a caravana saiu em visita ao Hospital Montenegro e ao Posto Zootécnico. No horário das 16h30min o trem especial partiu rumo à Porto Alegre. Importante registrar a constante presença da Orquestra do Maestro Gustavo Jahn, abrilhantando musicalmente os festejos e atos oficiais.

Com a notícia jornalística da época, fica certo que a atual Casa do Produtor Rural, ao tempo, foi edificada em L para abrigar a exposição-feira – foi uma iniciativa da Associação Comercial e Industrial, com o apoio da Intendência Municipal.

A festa desenrolou-se dentro do período de 22 a 31 de julho; os pavilhões de exposição receberam 15.060 pessoas, muitas delas de outros municípios vizinhos. O Brasil passava por um período conturbado; em seu discurso Fores da Cunha manifestou a esperança pela tranquilidade e a paz duradoura entre os homens. Em seu discurso no almoço concluiu:

“O que não é fantasia nem engodo para captar simpatias, muitos mais do que as leis dos homens, valem as LEIS DO CORAÇÃO”.

 

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