Skip to content

Seiva espiritual e mística em congresso global

  • Maio 2, 2024
  • Conexão | Brasil x Portugal
  • Padre Aires Gameiro

Não vou fazer a crónica do evento. Apenas continuar a reflexão. O Bom Jesus de Braga foi palco de fluxos históricos de temas espirituais e mística, de 24 a 27 de abril de vários países. Não de 50 anos do evento dos cravos, mas de mais de dois mil anos de espiritualidade.

O Minho bracarense prestou-se para repassar as experiências e transformações espirituais e místicas em Congresso Internacional à «procura do não-limite». Orientados por cerca de meia centena de temas, comunicações e conferências, os participantes refletiram sobre «os fazedores de História» e de buscas de sentido da vida humana.

Os trabalhos alternaram-se com a auscultação de lugares impregnados de seiva e sentidos espirituais cristãos que fizeram de Braga e sua região um manancial que deu identidade aos seus povos, e na qual se enxertou a identidade de Portugal de que alguns tentam fazer tábua rasa apagadas do sentido cristão.

As comunicações trouxeram à luz a seiva de textos de arquivos locais, europeus e globais; e extraíram sentidos dos granitos, telas e estátuas de igrejas e capelas de Braga, Bom Jesus e Sameiro, santuários e mosteiros, e foram complementadas em excursões peregrinantes pela cidade e região, Terras de Bouro, Geres e Guimarães. Para alguns, ainda, por Tibães e santuário eucarístico de Balasar.

As comunicações deram vida às palavras, silêncios, vulnerabilidades e sofrimentos de dezenas de místicos de tempos remotos e do nosso tempo. Os temas reverdeceram vigorosos como as paisagens minhotas, nestes dias de primavera à luz surpreendente do sol e brisas acariciadoras. Marcaram presença, na igreja da capela da árvore da vida, declamações de textos de tantos místicos de cenóbios, conventos, centros de estudos bíblicos, meditações e colóquios com Jesus, o Místico, por excelência, do Pai e do Espírito Santo.

Os oradores ora faziam sobressair a transcendência cristã e a ressurreição nas experiências espirituais e místicas, ora nos trabalhos de evangelização e sofrimentos pessoais e os da paixão e morte de Cristo dos místicos. Emergiram, luminosas, práticas e experiências, ora de figuras de primeiro plano, ora de pequeninos do Reino de Deus: Bento, Bernardo, Teresa de Ávila, Teresinha de Lisieux, Bartolomeu dos Mártires, Lúcia de Fátima, Alexandrina de Balasar e tantos outros.

O congresso foi um misto de dados de investigação rigorosa, exposições mais livres, dados práticos e meditações; talvez, um pouco desarrumados ao ponto de levarem alguém a dizer que seria preciso novo congresso e outros passos para continuar o trabalho realizado e levar por diante a história e o dicionário em que já estão a trabalhar cerca de 600 (seiscentos) autores.

Como harmonizar as realidades da fé cristã no tempo e espaço com os nexos divino-humanos da não transcendência/transcendência? Estará ao alcance humano harmonizar o tempo e o espaço, limitados, com o transcendente in-finito do não-limite da eternidade? Ao alcance da compreensão humana está mais o morrer que o ressuscitar, o que acaba, e as realidades que começam e não acabam.

Somos solicitados a passar pela morte de Cristo na cruz, observada e testemunhada por uns; e pela nossa, prevista e não vista, por ser um momento de passagem, prometida e acreditada pela fé, de transcendência de ressurreição no seguimento da Cristo, nosso Irmão na carne.

Ressurreição é passagem das realidades limitadas para as realidades sem limite. O Congresso deu espaço de reflexão às experiências transformadoras e à identidade cristã como meta de transcendência. Contudo os conceitos ficaram a precisar de mais discernimento exigente para distinguir o essencial da união com Deus, cume da mística.

Como já acenei, em alguns místicos, domina mais a vulnerabilidade do morrer que a ressurreição; aquela, abraçada no seguimento de Cristo, que aceitou a sua como a vontade do Pai, e não como provocada pelos que não sabiam o que faziam. Na verdade, a fé cristã aponta para a vontade do Pai como o vértice do caminho para a outra margem do transcendente da fé cristã. Não confundir com a transcendência do “faça você mesmo” terreno, neste mundo.

O sentido plenamente significativo do morrer pessoal está no amor de corresponder ao do Pai e aceitar cair, pela fé, nos braços do Pai como Jesus na sua oração no Jardim das Oliveiras. Ele olha-nos, quando ainda, só o vemos no espelho, e o passamos a ver face a face, na sua luz sem limites de visão bem-aventurada. Alguns místicos tiveram como que suspensões do tempo e do espaço e, em segundos (?), passaram por experiências de conhecimentos instantâneos, na luz de Deus. Era êxtase, fora do corpo e do espaço, ali ou no Céu?

Lembro alguns: André Frossard (cf. José Ramón Ayllon, 2010 pp.98-103), Alphonse Ratisbonne (cf. T. de Bussières 1998, pp.39-86), S. Paulo (cf. Cor, 12, 1-6), S. Pedro, no Monte Tabor (cf. Lc. 9,28–36) experienciaram  e tentaram dizê-las, mas reconheceram que eram indizíveis, inexprimíveis de natureza não temporal e espacial. As místicas de transformação (conversão cristã) diferem, no dizer de André Frossard, embora a dele e a de Alphonse Ratisbonne tenham semelhanças. Alexandrina de Balasar, porém, viveu mais a união de amor e Cruz, e a de amor e Eucaristia, antecipando-se na oferta da sua vida que o próprio Jesus realizou na última Ceia, quando celebrou e entregou desde a véspera da sua morte a sua vida por todos.

E agora, em Balasar, está a ser erguido o Santuário Eucarístico a paredes meias com a casa onde a mística entregou a sua vida a Jesus e este a alimentou com o seu corpo e lhe permitiu viver 13 anos de jejum e anúria totais até à morte na cruz em que já vivia.

Categorias

  • Conexão | Brasil x Portugal
  • Cultura
  • História
  • Política
  • Religião
  • Social

Colunistas

A.Manuel dos Santos

Abigail Vilanova

Adilson Constâncio

Adriano Fiaschi

Afonso Licks

Agostinho dos Santos

Alexandra Sousa Duarte

Alexandre Esteves

Ana Esteves

Ana Maria Figueiredo

Ana Tápia

Artur Pereira dos Santos

Augusto Licks

Cecília Rezende

Cláudia Neves

Conceição Amaral de Castro Ramos

Conceição Castro Ramos

Conceição Gigante

Cristina Berrucho

Cristina Viana

Editoria

Editoria GPC

Emanuel do Carmo Oliveira

Enrique Villanueva

Ernesto Lauer

Fátima Fonseca

Flora Costa

Helena Atalaia

Isabel Alexandre

Isabel Carmo Pedro

Isabel Maria Vasco Costa

João Baptista Teixeira

João Marcelino

José Maria C. da Silva...

José Rogério Licks

Julie Machado

Luís Lynce de Faria

Luísa Loureiro

Manuel Matias

Manuela Figueiredo Martins

Maria Amália Abreu Rocha

Maria Caetano Conceição

Maria de Oliveira Esteves

Maria Guimarães

Maria Helena Guerra Pratas

Maria Helena Paes

Maria Romano

Maria Susana Mexia

Maria Teresa Conceição

Mariano Romeiro

Michele Bonheur

Miguel Ataíde

Notícias

Olavo de Carvalho

Padre Aires Gameiro

Padre Paulo Ricardo

Pedro Vaz Patto

Rita Gonçalves

Rosa Ventura

Rosário Martins

Rosarita dos Santos

Sérgio Alves de Oliveira

Sergio Manzione

Sofia Guedes e Graça Varão

Suzana Maria de Jesus

Vânia Figueiredo

Vera Luza

Verónica Teodósio

Virgínia Magriço

Grupo Progresso de Comunicação | Todos os direitos reservados

Desenvolvido por I9