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Converter Peter Pan

  • Julho 6, 2024
  • Conexão | Brasil x Portugal
  • Maria Susana Mexia

 

Num tempo em que a juventude se tornou o sentido único e o único sentido da vida humana, é ainda possível ser cristão? Que espaço resta para o Evangelho na era do triunfo de Peter Pan? Duas questões bem desafiantes que Armando Matteo* enfrenta neste seu livro, que o Papa Francisco ofereceu como presente natalício no Vaticano: «Para ler, não para deixar na biblioteca», recomendou.

Sabemos que o personagem Peter Pan é conhecido por todos, por ser uma criança que não deseja crescer. Sendo uma eterna criança, ele pode continuar não tendo responsabilidades, vivendo numa ilha com os seus amigos que, se por um acaso crescerem, são expulsos do seu convívio.

O ponto de partida do autor é claro: Peter Pan triunfou. Triunfou no coração dos adultos, homens e mulheres, do nosso tempo, anestesiou o seu sentido de proximidade e de responsabilidade, convencendo-os de que fora da juventude não há salvação. E isso pressiona-os, dia após dia, a não poupar energia para permanecer jovem a qualquer custo.

Muitas pessoas possuem dificuldades de encarar a vida adulta, pois com ela vem as responsabilidades, contas, trabalho, pressão de todos que estão à sua volta, principalmente dos familiares. Essas pessoas são imaturas quando se trata de responsabilidades de trabalho, relacionamentos amorosos e até mesmo de amizades ou com familiares. Além de tudo, elas também tendem a ser dependentes financeiramente dos pais.

«O mito da juventude, alimentado de forma descomedida pelas alavancas económicas e financeiras contemporâneas, graças, sobretudo, ao sistema publicitário e à cultura televisiva, é hoje a resposta para a busca de sentido da humanidade adulta. Somos livres, somos únicos, para ser e permanecer sempre jovens. Apenas jovens. Nada mais do que jovens. E estamos aqui para beber até à última gota possível esta vida que hoje tão generosamente se encontra nas nossas mãos.»

Será o eclipse total dos adultos? Será o mito da eterna juventude uma “religião” efémera, sem futuro nem acesso à transcendência? Ou, simplesmente, uma caduca forma de ser e de estar sem verdades, sem limites, sem moral, sem política, reduzida a uma imanência de curta duração?

*Professor de Teologia na Pontifícia Universidade Urbaniana, em Roma. Foi, por alguns anos, assistente nacional da Federação Universitária Católica Italiana (FUCI) e, desde 2012, é assistente nacional da Associação Italiana de Professores Católicos (AIMC). Estuda com uma paixão critica e uma inteligência reconhecida a sociedade contemporânea e a sua complexa relação com a fé.

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