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Dámaso Alonso – Poesias

  • Julho 30, 2024
  • Cultura
  • Rosarita dos Santos

 

 

Este é mais um de nossos autores não conhecidos como deveriam sê-lo, entretanto, apresentamos Dámaso Alonso: ele foi escritor, poeta, filólogo e crítico literário espanhol; nasceu em Madrid em 1898 lá viveu a maior parte de sua vida e lá morreu 1990.

Dámaso Alonso destacou-se a tal nível, que chegou a diretor da Real Academia Espanhola, presidente da Revista de Filologia e membro da Academia de História. Seus estudos progrediram ente 1917 e 1928, de tal forma: a família o orientou para a engenharia civil de obras externas, posto que ele era um excelente aluno de matemática, mas o acaso fez com que sofresse uma grave enfermidade da vista, e por isso se consagrou mais à literatura e à filosofia, na Universidade Central de Madrid.

Em sua vida, recebeu o Prêmio nacional de poesia da Espanha, em 1927, e o Prêmio Miguel de Cervantes, em 1978. Sempre muito apegado à cultura e especificamente à literatura, Dámaso é admitido na Universidade de Berlin como “leitor”, entre 1921 e 1923; mais adiante, viaja várias vezes aos Estados-Unidos e neste país, entre 1951 e 1954, dá cursos como professor convidado nas universidades de Yale, New Haven, John Hopkins e Harvard, e ainda um mês em México.

Quanto às características do tipo de poesia de Alonso, podemos afirmar que predomina uma busca de transcendência: ela pretende recriar limites poéticos e também reencontrar a humanidade perdida durante os horrores da Segunda Guerra Mundial. Suas poesias “puras” – assim chamadas pelo autor – tanto abarcam os “poeminhas da cidade” como quaisquer poemas fortemente existenciais.

Este pensamento se cria ao lado da poesia “desgarrada”, sendo esta gerada pela pós-guerra, em busca dramática e ansiosa pela serenidade. Passamos a nossos textos: o primeiro, “Como foi, meu Deus, como foi?”; “A porta, aberta./ O vinho, calmo e suave. / Nem matéria nem espírito. Ele trazia uma leve inclinação de um navio / e uma luz matinal de dia claro. / Não era de ritmo, não era de harmonia / nem de cor. O coração sabe disso, / mas eu não poderia dizer como era / porque não é forma, nem se encaixa na forma. / Língua, lama mortal, cinzel inepto, / deixe a flor intocada do conceito / nesta noite clara de meu casamento, / e canta mansamente, humildemente, / a sensação, a sombra, o acidente, / enquanto ela preenche toda minha alma.”

O segundo; “Todos os dias rezo esta oração / ao levantar-me: Ó Deus, / não me atormente mais. / Diga-me qual é o significado / desses terrores que me cercam. / Estou cercado por monstros / que silenciosamente me questionam, / assim como eu os questiono, igual, assim como eu os questiono. / Que talvez te perguntem / o mesmo que eu em vão perturbo / o silêncio de tua invariável noite / com meu interrogatório doloroso. / Sob o crepúsculo das estrelas /e sob a terrível escuridão da luz do sol, / olhos inimigos me aguardam, / formas grotescas que me vigiam, / cores que machucam estão me prendendo com armadilhas: / são monstros! / Estou cercado de monstros! / Não me devoram. / Devoram meu descanso tão sonhado, / fazem de mim uma angústia que se desenvolve por si mesma, / eles me transformam em um homem, / um monstro entre monstros. / Não, nenhum tão horrível / como este Dámaso frenético, / como esta centopeia amarela que em tua direção te clama com todos seus tentáculos / enlouquecidos, / como esta besta imediata / transfundida em angústia fluida; / não, ninguém tão monstruoso como esse verme que berra em tua direção, / como esta desgarrada incógnita / que agora te insulta com gemidos articulados, / que agora te diz: / “Ó Deus! / não me atormentes mais, / diga-me o que significam / estes monstros que me cercam / e este temor íntimo que geme à noite em minha direção”.

E o terceiro: “Vento noturno / Dámaso Alonso / O vento é um cão sem dono / que lambe a imensa noite. / A noite não tem sono. / E o homem, entre sonhos, pensa. / E o homem sonha, dormindo, / que o vento é um cão sem dono, / que uiva a todos os teus pés / para lamber teu devaneio. / E a hora ainda não chegou. / A noite não tem sono: / alerta, a vela!”

Este é o nosso autor de hoje; Dámaso Alonso, um autor que nos avisa que “a noite não tem sono” e que devemos ficar alertas! A meu ver, é bom ter um amigo assim, ele nos cuida e possibilita uma viagem para um outro mundo, aquele em que o caos e a angústia podem ser transformados em poesia e em harmonia de toda sinceridade!

 

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