Skip to content

Sylvia Plath

  • Fevereiro 24, 2025
  • Cultura
  • Rosarita dos Santos

 

Sylvia Plath nasce em 27 de outubro de 1932, em Boston, no limite dos Estados Unidos, e morre em 11 de fevereiro de 1963, no distrito de Primrose, em Londres; ela é uma escritora e poeta estadunidense, autora de poemas, um romance, contos, livros infantis e ensaios.

Embora seja mais conhecida internacionalmente por sua poesia, ela também é muito destacada por ‘A redoma de vidro’, seu romance autobiográfico que detalha as circunstâncias de sua primeira depressão no início de sua vida adulta. Sua existência, obra e estética poética e literária são objetos de milhares de estudos em todo o mundo.

A autora foi uma criança talentosa que publicou seu primeiro poema aos oito anos de idade, e no mesmo ano, em outubro de 1940, seu pai, que era um professor alemão da Universidade de Boston, morreu inesperadamente após a amputação de uma perna gangrenada.

Essa primeira tragédia deixou-lhe uma marca profunda, e essa situação passou a assombrar muitos de seus poemas; ela vinha de uma família que cultivava a ambição e o culto ao trabalho árduo, e muitas vezes Sylvia se mostrou exigente demais consigo mesma; ela foi uma aluna brilhante e muito precoce em poesia, e decidiu se tornar escritora quando ainda era adolescente.

Em 1950, depois de concluir o ensino médio, ela foi aceita com uma bolsa de estudos em uma das melhores universidades femininas dos Estados Unidos, a Smith College, próxima à Boston; tristemente, foi lá que ela fez sua primeira tentativa de suicídio. Naquele momento, ela foi internada em uma instituição psiquiátrica e parecia mostrar sinais satisfatórios de recuperação, pois concluiu seus estudos com louvor, graduando-se com ‘summa cum laude’, em 1955. Mais tarde, já em 1963, Sylvia decide que seu romance autobiográfico – ‘O sino da angústia’ – revive o episódio depressivo de alguns anos atrás.

Em 1956, ela ganha uma bolsa de estudos em Cambridge, para ilustrar-se na Inglaterra, e é lá que Sylvia conhece Ted Hughes, um jovem poeta inglês com quem se casa. O casal decide voltar aos Estados Unidos, mas mais adiante, retornam a Londres; eles viajam à França frequentemente; depois de 1931, o casal se separa. Já em 1962, Sylvia Plath retorna a se instalar em Londres com os filhos, Frieda et Nicholas. Mas o inverno de 1962-1963 foi um dos mais rigorosos do século em Londres, e na madrugada de 11 de fevereiro de 1963, doente e deprimida, Sylvia coloca sua cabeça no forno, liga o gás e espera o fim; antes disso, por mais trisse que pareça, ela havia fechado a porta da cozinha e preparado biscoitos e leite na mesa para os filhos, que estavam dormindo no andar de cima e escapariam do envenenamento por gás.

Quanto às obras da autora, há uma quantidade de coletâneas completas e antologias, com edições em inglês e em francês; igualmente para a produção de poesias, seja em inglês ou em francês; na prosa, encontramos textos em inglês e em francês; na literatura infantil, as edições anglo-saxônicas e francesas se equivalem; também encontramos edições de desenhos realizados pela autora.

No espaço da posteridade, seus arquivos são conservados como obras de inspiração para a literatura, a música e o espetáculo. Já houve dois filmes sobre a vida e a obra de Sylvia Plath, um deles britânico e um outro francês. Finalmente, em 1982, Sylvia recebeu uma honra póstuma, “por ter sido a primeira poeta da história a receber o prêmio Pulitzer em sua antologia”. E como tributo, desde 2015, uma cratera no planeta Mercúrio foi batizada com o nome Plath, em sua homenagem.

Passamos, agora, à busca de algumas poesias estimulantes da autora; a quantidade de sua produção é muito ampla e por isso vamos nos ater à coletânea mais difundida pelos especialistas: ‘Ariel’ foi a última coleção de poesia escrita por Sylvia Plath durante sua vida, e ela foi publicada postumamente, em 1965. Contém quarenta e três longos poemas e mais doze manuscritos originais não publicados nessa versão. Escolhemos alguns trechos de sua obra.

O primeiro poema: “Como é frágil o coração humano – / espelhado poço de pensamentos. / Tão profundo e trêmulo instrumento / de vidro, que canta / ou chora.”

O segundo: “Canção de Amor da Jovem Louca / Cerro os olhos e cai morto o mundo inteiro / Ergo as pálpebras e tudo volta a renascer / (Acho que te criei no interior da minha mente) / Saem valsando as estrelas, vermelhas e azuis, / Entra a galope a arbitrária escuridão: / Cerro os olhos e cai morto o mundo inteiro. / (…) / Tomba Deus das alturas; abranda-se o fogo do inferno: / Retiram-se os serafins e os homens de Satã: / Cerro os olhos e cai morto o mundo inteiro. / Imaginei que voltarias como prometeste / Envelheço, porém, e esqueço-me do teu nome. / (Acho que te criei no interior de minha mente) / Deveria, em teu lugar, ter amado um falcão / Pelo menos, com a primavera, retornam com estrondo / Cerro os olhos e cai morto o mundo inteiro: / (Acho que te criei no interior de minha mente.)”

Terceiro poema: “Para que serve minha vida e o que vou fazer com ela? Não sei e sinto medo. Não posso ler todos os livros que quero; não posso ser todas as pessoas que quero e viver todas as vidas que quero. E por que eu quero? Quero viver e sentir as nuances, os tons e as variações das experiências físicas e mentais possíveis de minha existência. E sou terrivelmente limitada. (…) Tenho muita vida pela frente, mas inexplicavelmente sinto-me triste e fraca. No fundo, talvez se possa localizar tal sentimento em meu desagrado por ter de escolher entre alternativas. Talvez por isso queira ser todos – assim, ninguém poderá me culpar por eu ser eu. Assim, não precisarei assumir a responsabilidade pelo desenvolvimento do meu caráter e de minha filosofia. Eis a fuga pra loucura…”

Poema número quatro: “Eu vi minha vida ramificando-se diante de mim como a figueira verde da história. / Na ponta de cada galho, como um figo gordo e roxo, um futuro maravilhoso acenava e piscava. Um figo era um marido, um lar feliz e filhos, outro era uma poetisa famosa e consagrada, outro era uma professora brilhante, outro era a Europa, a África e a América do Sul, outro era Constantino e Sócrates e Átila e outros vários amantes com nomes exóticos e profissões excêntricas, outro ainda era uma campeã olímpica. E, acima de tais figos, havia muitos outros. Eu não conseguia prosseguir. Encontrei-me sentada na forquilha da figueira, morrendo de fome, só porque não conseguia optar entre um dos figos. Eu gostaria de devorar a todos, mas escolher um significava perder todos os outros. Talvez querer tudo signifique não querer nada. Então, enquanto eu permanecia sentada, incapaz de optar, os figos começaram a murchar e escurecer e, um por um, despencar aos meus pés.”

De todos os textos que lemos, notamos a constante “voz” da autora radicalmente impressa de sua personalidade e de seu testemunho personalizado. Sylvia Plath esteve a nosso lado e nos ensinou um percurso de renascimento.

Portanto, terminamos nosso “encontro” com a seguinte “frase” da autora: “Talvez um dia eu vá rastejar de volta para casa, exausta, derrotada. Mas não enquanto eu puder criar histórias a partir do meu desgosto, beleza a partir da tristeza.”

Categorias

  • Conexão | Brasil x Portugal
  • Cultura
  • História
  • Política
  • Religião
  • Social

Colunistas

A.Manuel dos Santos

Abigail Vilanova

Adilson Constâncio

Adriano Fiaschi

Afonso Licks

Agostinho dos Santos

Alexandra Sousa Duarte

Alexandre Esteves

Ana Esteves

Ana Maria Figueiredo

Ana Tápia

Artur Pereira dos Santos

Augusto Licks

Cecília Rezende

Cláudia Neves

Conceição Amaral de Castro Ramos

Conceição Castro Ramos

Conceição Gigante

Cristina Berrucho

Cristina Viana

Editoria

Editoria GPC

Emanuel do Carmo Oliveira

Enrique Villanueva

Ernesto Lauer

Fátima Fonseca

Flora Costa

Helena Atalaia

Isabel Alexandre

Isabel Carmo Pedro

Isabel Maria Vasco Costa

João Baptista Teixeira

João Marcelino

José Maria C. da Silva...

José Rogério Licks

Julie Machado

Luís Lynce de Faria

Luísa Loureiro

Manuel Matias

Manuela Figueiredo Martins

Maria Amália Abreu Rocha

Maria Caetano Conceição

Maria de Oliveira Esteves

Maria Guimarães

Maria Helena Guerra Pratas

Maria Helena Paes

Maria Romano

Maria Susana Mexia

Maria Teresa Conceição

Mariano Romeiro

Michele Bonheur

Miguel Ataíde

Notícias

Olavo de Carvalho

Padre Aires Gameiro

Padre Paulo Ricardo

Pedro Vaz Patto

Rita Gonçalves

Rosa Ventura

Rosário Martins

Rosarita dos Santos

Sérgio Alves de Oliveira

Sergio Manzione

Sofia Guedes e Graça Varão

Suzana Maria de Jesus

Vânia Figueiredo

Vera Luza

Verónica Teodósio

Virgínia Magriço

Grupo Progresso de Comunicação | Todos os direitos reservados

Desenvolvido por I9