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Esperança

  • Março 21, 2025
  • Religião
  • José Maria C. da Silva André

Wilmore e a co-piloto Sunita Williams

 

Quando este texto esperava o título, a palavra «esperança» impôs-se. Só depois reparei que coincidia com o tema do Ano Santo.

Vivemos tempos cheios de angústia. O Papa recupera lentamente de uma infecção respiratória que o deixou perto da morte; o mundo caminha a largos passos para a terceira grande guerra, entre inconsciência e cinismo, com povos inteiros esmagados pela força das armas; e as sociedades da abundância entretidas a abortar crianças e a descartar os mais fracos… cada país, cada comunidade tem motivos graves de preocupação… Não se vê nenhuma lógica de bem em tantas circunstâncias. Deus olha por nós?

Esta semana, a imprensa ofereceu-nos duas histórias para pensar no tema.

Os astronautas Barry Wilmore e a sua co-piloto Sunita Williams, uma mulher de ascendência indiana, regressaram a casa no passado dia 18 de Março. Tinham ido para uma missão de 8 dias na Estação Espacial Internacional, mas a nave Starliner da Boeing teve problemas técnicos e deixou-os presos no espaço durante 9 meses, até a NASA chamar a Crew-8 Dragon da SpaceX de Elon Musk para os resgatar. A situação não foi dramática porque a equipa ia prevenida com mantimentos e aproveitou o tempo para realizar várias experiências científicas. Mesmo assim, compreende-se o alívio, quando os colegas da SpaceX, um dos quais russo, chegaram lá acima para os salvar.

A comunicação nunca se interrompeu. Wilmore rezava pela internet com a sua comunidade protestante, dava entrevistas, colocava vídeos nas redes sociais. Num desses últimos diálogos, um jornalista perguntou-lhe qual a lição de vida que tinha aprendido nestes 9 meses no espaço: «Sei que o meu Senhor e Salvador Jesus Cristo leva a cabo os seus planos (…) e a influência que isto tem nas nossas vidas é importante. Seja qual for o resultado, estou contente porque sei isso. Compreendo que Deus actua em todas as coisas. Umas são para bem, outras não nos parecem tão boas. Mas tudo concorre para o bem de quem acredita».

Num barco ainda mais pequeno que a nave espacial, o pescador peruano Máximo Napa foi apanhado pelo mau tempo no início de Dezembro e perdeu-se no alto mar. Tinha saído do porto de San Juan de Marcona com um farnel para uma faina de poucos dias e ficou à deriva 95 dias, sozinho, ao relento. Alimentou-se de insectos e vários bichos, bebeu água da chuva e rezou. Até que, no passado 12 de Março, foi avistado por um helicóptero do Equador a 600 quilómetros da costa.

 

 

Máximo chegou a terra com banda de música e aplausos, agradecido aos equatorianos que o resgataram e a todas as pessoas que tinham rezado por ele. E contou como esta luta pela sobrevivência foi tempo de oração e de confiança em Deus. Ia rezando, a cada acontecimento: «Obrigado meu Deus por esta oportunidade. Não comia há 15 dias. Apareceu um pássaro, uma tartaruga… e comi outros bichos para sobreviver. Não queria perder a minha família. Não queria morrer». «Quando estava a agonizar, mal me conseguia mover, apareceu a tartaruga. Pus as mãos na água, agarrei-a (…) com a força que me restava, bebi-lhe o sangue e mantive-me mais um dia vivo». «Quero agradecer a Deus, porque nunca me abandonou. Sempre tive fé. Passava 5 dias sem comer, 6 dias… e, de repente, vinha a chuva e eu dizia “não vou morrer, tenho os meus filhos e a minha mãe”». Já no limite das suas forças, quando o helicóptero o viu, ajoelhou-se: estava salvo! De regresso ao Peru, dizia aos jornalistas com emoção: «Aproveitem a vida, façam a vossa mãe feliz e, sobretudo, tenham confiança em Deus».

A esperança assenta na confiança em Deus. Ter fé não é apenas aceitar verdades abstractas, é fiar-se de Deus. O Papa Bento XVI afirmou que isso definia o cristianismo, referindo-se àquela frase da primeira Carta de S. João: «Conhecemos o amor que Deus nos tem e acreditámos nele». Deus ama-nos… que mal havemos de temer?

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