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Pequenos atos, grandes consequências

  • Março 24, 2025
  • Cultura
  • Adriano Fiaschi

 

 

Minha geração falhou, isso não há como negar. Não serve de consolo, mas algumas gerações anteriores também falharam e estão falhando. As próximas falharão, isso já é quase certo. Mas o ponto de origem dessa cornucópia de erros, se observarmos bem, surgiu na minha geração, talvez um pouco antes.

Mas erramos no quê? Sobre o que estamos falando?

Falhamos bárbara e espetacularmente ao tolerarmos, devagar, paulatinamente, ingenuamente, novas interpretações da história e dos fatos e um extenso e abrangente programa premeditado que visava, de forma não claramente explícita, ressignificar, requalificar, distorcer, todos os símbolos, toda linguagem, todos os fatos históricos, todas as ideias.

Sob a diretriz de se preservar ou valorizar uma postura empática, receptiva, agregadora, forçadamente idealizada, nossa geração cedeu, em debates públicos e privados, ‘ad infinitum’, a argumentos contraditórios, questionamentos divergentes, críticas ou digressões, às vezes totalmente dissociadas de um mínimo balizamento, quer lógico, quer moral ou ético.

Sem a mínima resistência, tolhidos por um patrulhamento enganosamente embasado em proposições libertárias e equalitárias (a título de uma dúbia justiça), fomos inundados por novos padrões de comportamento e filosofias pretensamente renovadoras, maliciosamente tendenciosas, controversas, que, postas em prática, acabariam por destruir muito do que consolidou as bases da nossa sociedade.

Os valores, as crenças, a história, as regras de comportamento, até mesmo a fé (nenhum assunto de foro mais íntimo do que esse), que balizaram ao longo do tempo nossa sociedade ocidental, foram e continuam sendo todos questionados, contraditados e atacados. Recentemente até nossa linguagem está sendo aos poucos, insidiosamente, insistentemente, destruída.

Nada daquilo que propiciou a construção da nossa sociedade, baseada na religiosidade judaico cristã e nas regras civis de direito e filosofia greco-romanas, aos olhos dos questionadores de hoje, foi útil ou positivo para o ser humano, mesmo estando escancaradamente evidente que essa mesma sociedade, da forma como foi amoldada, foi a que propiciou avanços maiores do que qualquer outro estágio da civilização humana.

Esses questionadores esquecem, ou nunca foram informados por seus “professores”, de que o estado natural de miséria e luta rasteira por sobrevivência dos seres humanos só foi revertido com o florescimento da atual civilização ocidental, que emergiu na sequência de uma longa gestação evolutiva a partir do início da história escrita, passando pela formação dos impérios da Antiguidade, por um milênio de uma Idade Média de reconstrução, que por sua vez propiciou um ciclo de descobrimentos, reconstrução de impérios, separação entre igreja e estado, desaguando na revolução industrial, que criou as condições para a espetacular fase atual de crescimento humano, tanto material como social, cultural e moral.

Sob uma agenda de contínuo solapamento dos valores e conceitos éticos que moldaram nossa sociedade, os profetas dos novos tempos condenam tudo aquilo que foi construído e aprendido ao longo dos séculos de nossa civilização.

Dentro deste cenário, vêm à minha cabeça os inúmeros testemunhos de civilizações extintas, espalhados nas selvas tropicais, ou nos desertos do Oriente Médio. Parece que é uma questão de tempo que a nossa também vire um amontoado de sedimentos a serem revolvidos daqui a uns 2.000 anos por uma nova civilização ainda por nascer.

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