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Não se esquece

  • Março 24, 2025
  • Cultura
  • João Baptista Teixeira

 

Os eventos do grupo vinham sendo planejados há muitos meses e a rede social permitiu a reaproximação dos muitos civis dos tantos que seguiram a carreira militar. Colegas no Colégio Militar de Porto Alegre, por mais diferentes que sejamos, temos valores em comum, como o respeito à verdade, o reconhecimento do mérito e a disciplina.

Por fim lá estávamos reunidos na comemoração do aniversário de 113 anos da escola. Dentro de alguns meses completaremos 50 anos de formados, o que nos denuncia como próximos dos setenta anos. Apertos de mão e abraços entre alguns que não se avistavam desde a formatura marcaram os primeiros momentos de uma algaravia surpreendente. Quem gritava na juventude, ainda o faz. Os divertidos, os discretos, os que buscavam o protagonismo, não perderam o hábito, testemunhando que os homens envelhecem e raramente mudam.

Em meio a manifestações efusivas, muitas das quais até mesmo entre pares que no passado eram ímpares – porquanto simpatias brotam naturalmente,- escutava-se alguns “Hein?”, típicos de alguma perda auditiva, corroborada, é verdade, pelo volume acima do normal das vozes empolgadas. Por falar em conversas animadas, nunca esqueço de um jantar na Alemanha, com amigos e nossa caçula, que à época agia como sua idade exigia: fazia barulho. O restaurante era feito de um quase silêncio e os demais, para não revelarem seus assuntos, quase sussurravam. Não somos assim. Somos latinos, graças a Deus.

Seguindo a praxe de uniformizar, confeccionou-se camisetas e bonés alusivos ao nosso ano especial e quase no final da cerimônia participamos, por ordem cronológica, do desfile do que convencionou-se chamar “Batalhão da Saudade”.

Antes disto, porém, a celebração dos 113 anos teve o dom de mostrar do que a ordem é capaz. Com o traje de gala da escola, que desde alguns anos é mista, calças e saias garança e túnicas brancas, o corpo discente brilhou sob toques de clarim e as retretas tradicionais nas cerimônias militares. Diante daquele espetáculo era inevitável perguntar-se por que o Brasil encontra-se debaixo de tantos erros e criminalidade. Uma celebração como esta tem o dom de revelar que podemos muito, mas muito mais.

No Salão Nobre, no qual nos encontramos, uma frase encima o ambiente: “Formando líderes para o futuro”. Ainda que otimista, quase arrogante, não está muito longe da verdade, contrariando os que condenam a simples menção à palavra elite. Sem cidadãos qualificados é impossível pensar em um país que sonhe mais alto.

Quanto aos nossos familiares, pairava uma dúvida: seríamos capazes de marchar sem errar o passo?

Respondemos marchando inspirados pelo passado, pelos colegas que infelizmente ficaram pelo caminho e pelo momento que sabíamos único. E não erramos: no bumbo, pé direito.

São passos que não se esquece.

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Já não bastassem os dramas que o mundo vive, com guerras assimétricas, disputas comerciais acirradas, nações padecendo sob o narcotráfico e o crime organizado, debaixo de pregações contra a vida e a difusão de idéias simplesmente absurdas, eis que a Inteligência Artificial vem por aí com tudo, devendo atingir em apenas cinco anos um patamar que a internet galgou em pelo menos três décadas.

Considerando os efeitos deste tsunami cujas águas já recuaram de forma alarmante, alguns pensadores já comparam os efeitos da Inteligência Artificial com a bomba atômica. Pode parecer um exagero, mas seria imprudente desconhecer o que se aproxima, com a eliminação de postos de trabalho no mundo inteiro e a implantação de controles planetários que trarão o que era visionário em George Orwell para o palco do agora.

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