José Martí nasceu na República de Cuba, em Havana, em janeiro de 1853, e morreu em Santiago de Cuba, em maio de 1895; teve uma breve, mas profícua existência: foi um político nacionalista, um intelectual, trabalhou como jornalista, foi ensaísta, tradutor, professor, editor, poeta, além de maçom, e também se impôs como uma figura importante na literatura de língua espanhola.
O autor foi sempre muito dinâmico e é considerado um importante filósofo e teórico político. Através de seus escritos e atividade constante, ele se tornou um símbolo da tentativa de independência de Cuba do Império Espanhol no século XIX, e é reconhecido como o “Apóstolo da Independência Cubana”.
Ele viajou extensivamente pela Espanha e pelas Américas, apoiou a causa da independência de seu país, e foi crucial para o sucesso da Guerra de Independência de Cuba contra a Espanha: essa foi a última das três guerras pela independência dos cubanos contra o domínio espanhol, sendo as outras duas, a Guerra dos Dez Anos, de 1868 a 1878, e a chamada Guerra Pequena, entre 1879 e 1880; ele morreu em ação militar durante a Batalha de Dos Ríos.
Martí é considerado um dos grandes intelectuais cubanos e das Américas, na virada do século XX. Seus trabalhos escritos incluem uma série de poemas, ensaios, cartas, palestras, um romance e uma revista infantil. O autor escreveu para vários jornais cubanos e de outros países americanos, fundando também vários jornais; seu jornal ‘Pátria’ foi um instrumento importante em sua campanha pela independência de seu país.
Após sua morte, muitos de seus poemas do livro ‘Versos Singelos’ (‘Versos Sencillos’) foram adaptados para a música “Guantanamera“, que se tornou uma canção representativa; os conceitos de liberdade e democracia foram temas proeminentes em todas suas obras, as quais influenciaram vários poetas.
Quanto ao estilo “modernista”, acatado e desenvolvido por Martí, sabemos que ele, em geral, usa uma linguagem subjetiva. Seu credo estilístico é parte da necessidade de decodificar o rigor lógico e a construção linguística, e eliminar a expressão intelectual, abstrata e sistemática.
Notamos a intenção deliberada do sistema expressivo da língua; o estilo muda a forma de pensar, e sem cair no unilateralismo, Martí valoriza a expressão porque a linguagem é o sentimento através da forma. O modernismo busca, sobretudo, as visões e realidades, e a consciência de expandir o sistema expressivo do idioma: o estilo muda a forma de pensar.
Passamos a alguns poemas de José Martí.
Primeiro: ‘Páginas escolhidas’. “Meu cavaleiro / De manhã cedo / meu pequerrucho / me despertava / com um grande / beijo. / Logo montado / sobre meu peito / freios forjava / com meus cabelos. / Ébrios de gozo / tanto eu como ele / me esporeava / meu cavaleiro: / que suave espora / seus dois pés / frescos! / E como ria / meu cavaleiro! / Como eu beijava / seus pés pequenos / dois pés que cabem / juntos num só beijo!”
Segundo: ‘Duas pátrias’. “Duas pátrias eu tenho: Cuba e a noite. / Ou as duas são uma? Nem bem retira / sua majestade o sol, com grandes véus / e um cravo à mão, silenciosa / Cuba qual viúva triste me aparece. / Eu sei qual é esse cravo sangrento / que na mão lhe estremece! Está vazio / meu peito, destruído está e vazio / onde estava o coração. Já é hora / de começar a morrer. A noite é boa / para dizer adeus. A luz estorva / e a palavra humana. O universo / fala melhor que o homem. /Qual bandeira / que convida a batalhar, a chama rubra / das velas flameja. As janelas / abro, já encolhido em mim. Muda, rompendo / as folhas do cravo, como uma nuvem / que obscurece o céu, Cuba, viúva, passa. . .”
Terceiro: ‘XLV – Versos Singelos; Homens de mármore’. “Sonho com claustros de mármore / onde em silêncio divino / repousam heróis, de pé. / De noite, aos fulgores da alma, / falo com eles, de noite. / Estão em fila; passeio / Por entre as filas; as mãos / de pedra lhes beijo; entreabrem / os olhos de pedra; movem / os lábios de pedra; tremem / as barbas de pedra; choram; / vibra a espada na bainha! / Calada lhes beijo as mãos. / Falo com eles, de noite. / Estão em fila; passeio / por entre as filas; choroso / me abraço a um mármore. – “Ó mármore, / dizem que bebem teus filhos / o próprio sangue nas taças / envenenadas dos déspotas! / Que falam a língua torpe / dos libertinos! Que comem / reunidos o pão do opróbrio / na mesa tinta de sangue! / Que gastam em parolagem / as últimas fibras! Dizem, / ó mármore adormecido, / que tua raça está morta! / Atira-me à terra súbito, / esse herói que abraço; agarra-me / o pescoço; varre a terra / com meus cabelos; levanta / o braço; fulge-lhe o braço / semelhante a um sol; / ressoa / a pedra; buscam a cinta / as mãos diáfanas; da peanha / saltam os homens de mármore!” [Nota: “fulge-lhe” significa resplandecer]
Para concluir, vamos utilizar algumas palavra que o autor nos oferece em sua boa vontade: “O homem não tem direitos especiais por pertencer a uma raça ou outra; diga homem, e todos os seus direitos são declarados. Um homem negro, por ser negro, não é inferior nem superior a nenhum outro homem: o homem branco que diz “minha raça” é culpado de ser redundante; o homem negro que diz “minha raça” é culpado de ser redundante. Tudo o que divide os homens, tudo o que os especifica, separa ou os limita, é um pecado contra a humanidade”.
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