Estátua monumental (5 m de altura) de S. Tarcísio colocada por Bento XVI à entrada da catacumba de S. Calisto.
As novidades que aconteceram na Igreja nestes últimos meses desviaram a atenção de um documento importante da Conferência Episcopal Portuguesa relativo à liturgia. A parte principal diz respeito ao modo de os fiéis participarem na Missa, detalhado em 12 pontos:
— De pé desde o início até às leituras;
— Sentados durante as primeiras leituras e o salmo responsorial;
— De pé durante a aclamação antes do Evangelho, durante o Evangelho e durante a aclamação a seguir ao Evangelho;
— Sentados para ouvir a homilia;
— De pé durante o Credo e a Oração dos Fiéis;
— Sentados durante o Ofertório (excepto se houver incenso, nesse caso a assembleia levanta-se quando é incensada);
— De pé desde a oração a seguir ao Ofertório até o celebrante estender as mãos sobre o pão e o vinho invocando o Espírito Santo;
— De joelhos desde essa invocação do Espírito Santo, durante a Consagração e a elevação do Corpo e do Cálice;
— De pé a partir daí, ou seja, durante a oração Mistério da Fé, até ao final da Comunhão da assembleia;
— Os que se confessaram e quiserem comungar podem fazê-lo «na boca ou na mão, como preferirem», «habitualmente de pé», «ou de joelhos» se quiserem.
— Sentados, depois da Comunhão, em acção de graças;
— De pé quando se reza a Oração depois da Comunhão, até ao fim.
O esforço para cumprir rigorosamente estas prescrições marca bem a importância da Eucaristia.
Hoje-em-dia, não se costuma comemorar S. Tarcísio, mas o «site» do Vaticano recorda a sua história, que chegou até nós pelo testemunho do Papa S. Dâmaso. Tarcísio viveu em meados do século III, no tempo do Imperador Valeriano, que perseguiu duramente a Igreja. Os cristãos participavam na Eucaristia em catacumbas escondidas, mas isso não evitava que os soldados os descobrissem e matassem. Em criança, Tarcísio viu matarem o próprio Papa. Um dia, foi preciso levar a comunhão a alguns cristãos que iam ser mortos no circo. O novo Papa, S. Sixto, perguntou se alguém se oferecia e todos levantaram o braço, mas Tarcísio argumentou que era mais fácil que o deixassem passar a ele por ser mais novo. O Papa entregou-lhe um relicário com a Eucaristia, que Tarcísio escondeu com devoção por baixo da toga e saiu.
No caminho, um grupo de jovens convidou Tarcísio para jogar, mas ele, como levava Nosso Senhor, não podia aceitar. Os outros deram-se conta de algo; forçaram; ele não cedeu e acabaram por o matar à pedrada. Apareceu nesse momento um centurião cristão, chamado Quadratus, que pôs a rapaziada em fuga, pegou no cadáver de Tarcísio e levou-o para junto dos outros cristãos, que o sepultaram na catacumba de S. Calisto, outro Papa mártir, próximo do túmulo do Papa S. Zeferino, também ele mártir.

São Dâmaso compara o martírio de Tarcísio com o de Santo Estêvão, relatado nos Actos dos Apóstolos, e acrescenta: «S. Tarcísio, que transportava o Sacramento de Cristo nas suas fracas mãos, quando foi atacado por uma turba de pagãos, preferiu morrer a entregar o Corpo Celestial aos cães raivosos».
É bonito morrer para defender com amor a Eucaristia, embora também seja maravilhoso obedecer. E levantar-se, ajoelhar-se, sentar-se… conforme a Igreja manda.