Agência Brasil – EBC
O nome do nosso autor é Milton Hatoum, ele nasceu no Amazonas, em Manaus, em 1968 mudou-se para Brasília, lá estudou no Colégio de Aplicação da Universidade de Brasília (Ciem), e mais adiante morou em São Paulo, diplomou-se em arquitetura na Universidade de São Paulo (USP); na década de 1970, também foi professor de história da arquitetura na Universidade de Taubaté, em São Paulo, e foi professor visitante nas Universidade da Califórnia em Berkeley e na Sorbonne, em Paris.
Hatoum é escritor, tradutor, professor, membro da Academia Brasileira de Letras, e é considerado um dos grandes autores vivos de nosso país. Os livros de Hatoum já ultrapassam 500 mil exemplares vendidos: eles foram publicados em 17 países, como a Itália, os Estados Unidos, a França e a Espanha, e o escritor traduziu para o português A Cruzada das Crianças (Marcel Schwob), Representações do Intelectual (Edward Said) e, em parceria com Samuel Titan, Três Contos (Gustave Flaubert). Em outubro, a Companhia das Letras publicará Dança de Enganos: o livro é o último da trilogia O Lugar Mais Sombrio.
Ele já publicou seis romances: Relato de um Certo Oriente (1989), Dois Irmãos (2000), Cinzas do Norte (2005 – este último vencedor do Prêmio Portugal Telecom de Literatura e todos os três primeiros ganhadores do Prêmio Jabuti de melhor romance), Órfãos do Eldorado, e dois volumes da trilogia O Lugar Mais Sombrio: A Noite da Espera (2017) e Pontos de Fuga (2019). Em 2018 recebeu o Prêmio Roger Callois – Maison de l’Amérique Latine, PEN Club – França), e em 2023, Milton Hatoum recebeu o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Federal do Amazonas.
Uma peculiaridade de sua obra, é que Hatoum costuma expor os dramas familiares com alcance histórico e político. Em 14 de agosto de 2025, o autor é eleito para a Academia Brasileira de Letras, ocupando a cadeira 6 (após a more do jornalista e escritor Cícero Sandroni). As obras de Hatoum fazem parte da literatura contemporânea, e um de seus livros mais famosos é o romance “Relato de um certo Oriente”, sendo este caracterizado pelo teor memorialístico, pelos elementos regionais e hibridismo cultural.
Além disso, é recorrente a presença de personagens melancólicos, atingidos pela questão da imigração, da crítica social e do regionalismo. Destacamos ainda a busca identitária, o resgate do passado e a angústia existencial.
Em seus personagens, o autor se expressa de maneira incomparável quando trata da alteridade e do sofrimento “do outro”; a propósito, a alteridade também é reconhecer que existem culturas diferentes e que elas merecem respeito em sua integridade, e nesse sentido, o reconhecimento da diferença é o primeiro passo para construir-se uma sociedade democrática e mais justa.
Ainda este livro – “Relato de um certo Oriente” – impressiona por sua estrutura narrativa; o autor utiliza mais de um narrador para contar a história, que se passa em Manaus: muitos anos depois de partir dessa cidade, uma mulher volta à terra natal e recompõe seu passado e suas origens. Sua mãe adotiva, Emilie, morre; o irmão da narradora, também adotivo, vive na Espanha; ao escrever para ele, a carta se transforma em um relato, o qual resgata a história familiar.
Desse modo, a narradora volta à sua infância e, principalmente, deixa em evidência a presença dominante de Emilie, naquela família. É importante destacar que, para resgatar a história de Emilie e de seus antepassados libaneses, cinco narradores-personagens são empregados: a narradora principal – Hakim, filho de Emilie; Dorner, um imigrante alemão – o marido de Emilie; Hindié, amiga de Emilie.
O relato aborda o conflito cultural entre Emilie e seu marido, por questões morais e religiosas: ela é católica, mas o marido é muçulmano. Além disso, os filhos do casal, tão diferentes uns dos outros, ajudam a compor a diversidade familiar. Nesse esforço da memória, tenta-se unir o passado e o presente, em busca de uma identidade.
Além da obra “Relato de um Certo Oriente”, Hatoum seguiu com mais três romances bem-sucedidos: “Dois Irmãos”, “Cinzas do Norte” e “Órfãos do Eldorado”. “Dois Irmãos” foi lançado em 2000, e o livro ganhou o prêmio Jabuti de 2001. Seu enredo: o livro narra a história da relação conturbada entre dois irmãos de um família de ascendência libanesa que vive em Manaus; é um romance que apresenta em sua trama situações de ciúme, rancor, inveja, desejo, orgulho e morte, tons psicológicos que marcam a progressão da narrativa: a briga entre irmãos, a disputa de amores, somado a uma série de discussões políticas e sociais. Os personagens principais são Halim (pai), Zana (mãe), Yaqub (filho mais velho), Omar (caçula), Rânia (filha), Domingas (empregada) e Nael (filho da empregada = o narrador).
A história é contada a partir da visão de Nael, que narra avanços e recuos temporários para se aprofundar em algum dos personagens ou enfatizar determinados acontecimentos marcantes na vida dos membros da família, sempre explicando alguns fatos e deixando em suspeição muitos outros.
Quanto a seu romance “Cinzas do Norte”, este foi o terceiro romance de Milton Hatoum a ganhar o Jabuti, conceituado prêmio brasileiro de literatura, publicado em 2005; seus dois romances anteriores alcançaram o mesmo prestígio, dando ao autor respeito junto à crítica nacional. “Cinzas do Norte” passa-se na Manaus turbulenta com a criação do bairro da Cidade Nova; nesta época, a capital do Amazonas retomava o crescimento interrompido pela queda do preço da borracha, e as indústrias viriam a despontar como uma nova perspectiva de progresso, precedidas pelo comércio de produtos da “zona livre”, e o crescimento desordenado inchava a cidade.
Quanto às obras de Milton Hatoum, destacamos seis romances: “Relato de um Certo Oriente”, 1989; “Dois Irmãos”, 2000; “Cinzas do Norte”, 2005; “Órfãos do Eldorado”, 2008; “A Noite da Espera”, 2017; “Pontos de Fuga”, 2019.
O autor ainda escreveu contos e crônicas, em 2009 e 2013; já traduziu os “Três Contos” de Flaubert, e demais textos em inglês e francês; publicou três contos infantis (sendo um deles em Paris). Foi homenageado com dezesseis prêmios, desde 1989 até 2018.
Por tudo, nosso escritor Milton Hatoum é considerado um dos grandes ficcionistas do milênio, e para concluir, damos conta que desde a infância, o autor sempre frequentou bibliotecas, que considera “um lugar democrático do saber, do conhecimento, na medida em que os livros permitem viagens imaginárias”.