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A Rebelião das Massas

  • Setembro 3, 2025
  • Conexão | Brasil x Portugal
  • Maria Susana Mexia

Foi escrito em 1929 pelo filósofo espanhol José Ortega y Gasset.

Este livro é uma crítica aos movimentos de massa na Europa, o bolchevismo e o fascismo, bem como ao iminente perigo dessas grandes aglomerações para a Democracia liberal e para os valores da civilização moderna.

Após uma acentuada decadência da vida pública, principalmente desde o século XIX, que envolveu a esfera política, intelectual, moral, económica e religiosa, Ortega refere esta degradação que colocou a “massa” em pleno poderio social, ganhando muita força o que viria a aumentar na emergência de regimes totalitários, anos depois, com a implantação de ditaduras.

A massa é o homem médio, medíocre. Não tem a ver com classe social, mas com classes de homens. A multidão ou massa social é a reunião das massas. Ganham poder e passam a ter uma qualidade: de ser genérico. Fator psicológico da massa: “ele não se dá valor – bom ou mau – por motivos especiais, que se sente como todo mundo, e, no entanto, não se angustia e gosta de se sentir idêntico aos demais” Portanto, a massa adota a homogeneidade.

O homem massa ascendeu aos postos que eram reservados às minorias. Suplantou-as. E esse é um grande perigo eminente para a civilização. As massas acreditam que podem ditar os rumos da sociedade, através de suas aspirações e gostos universais.

Para o homem novo tudo “caiu do céu”. Eis a nova psicologia do menino mimado: expansão de desejos vitais e ingratidão pela facilidade da existência. O menino mimado, que olha o mundo como obrigado a fazê-lo feliz a qualquer custo, deseja expandir apetites e não se preocupa em dar nada em troca. Ele não conhece deveres e obrigações: só quer direitos. O mundo passa a girar ao redor dele. Não considera ninguém como superior. O que ele faz é sempre nivelar todas as pessoas ao seu patamar.

O homem medíocre ou vulgar acredita que pode dominar ou saber sobre tudo. Não tem a humildade de reconhecer a superioridade alheia. Não sabe dizer não sei.

«Se olharmos para hoje, em pleno século XXI, não estamos muito distantes das ideias do filósofo espanhol. Estamos num período, hipermoderno, por suas próprias feições, onde o homem e a mulher medíocre ocupam posições importantes na sociedade, em espaços públicos, na internet e nas diversas esferas sociais, controlando e direcionando o espírito da vulgaridade. A normatização da delinquência moral, intelectual, política tem contribuído para disseminar a barbárie. (…)

«O mundo sofre hoje uma grave desmoralização que se manifesta, entre outros sintomas, por uma desaforada rebelião das massas, e tem a sua origem na desmoralização da Europa. (…) A questão é esta: a Europa ficou sem moral».

A Rebelião das Massas é uma análise muito critica que Ortega y Gasset faz à sociedade em que viveu. Todavia, para seu espanto e desgosto, tudo o que refere neste livro se viria a concretizar, daí a actualidade e a premência da sua leitura.

José Ortega y Gasset nasceu em Madrid, no dia 9 de Maio de 1883, numa família ligada ao jornalismo e à política.

Em 1897, depois de concluir o bacharelado em Málaga, começou os seus estudos universitários, primeiro em Deusto, Bilbau, e depois na Faculdade de Filosofia e Letras da Universidade Central de Madrid.

Entre 1905 e 1907, estudou em várias cidades alemãs, como Leipzig, Nuremberga, Berlim e Marburgo, onde contactou com pensadores neo-kanteanos.

De regresso a Espanha, foi nomeado professor de Psicologia, Lógica e Ética na Escola Superior do Magistério de Madrid e, em 1910, assumiu a cátedra de Metafísica na Universidade Central.

Se até 1910 a sua vida permaneceu na esfera privada, a partir dessa data começa a vida pública de Don José Ortega y Gasset, dividida entre ensino universitário e actividades culturais e políticas extra-académicas.

Em 1916 é co-fundador do jornal El Sol; e em 1923, no ano do início da ditadura do general Primo de Rivera, fundou e dirigiu a Revista de Occidente.

Com o início da guerra civil espanhola, em julho de 1936, Ortega iniciou uma fase de angústia vital (mais concretamente, medo) que o levou a percorrer o mundo. Primeiro viajou até Paris e Países Baixos, onde deu palestras em Leiden, Haia e Amsterdão. Mais tarde foi para a Argentina, e em 1942, estabeleceu-se em Portugal, onde escreveu a sua obra: Origem e Epílogo da Filosofia.

Tendo regressado definitivamente a Espanha viria a falecer em Madrid a 18 de outubro de 1955.

 

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