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7 de Setembro

  • Setembro 6, 2025
  • Cultura
  • João Baptista Teixeira

 

No momento em que o brasil de alguns decide confrontar os Estados Unidos viajávamos por duas semanas pela Flórida. Mera coincidência, porquanto ao planejarmos a viagem não poderíamos sequer suspeitar do que estava por vir. Declino que não sou grande admirador daquele país, o que não me impede de reconhecer algumas coisas extraordinárias, como o desenvolvimento tecnológico e a liberdade que se respira.

Na primeira semana assisti pela televisão parte da reunião ministerial do gabinete de Trump. Ao se manifestar sobre os problemas criminais em Chicago e suas determinações a respeito, arrematou dizendo que um país não é livre se não for seguro. Como discordar? Por óbvio que o Brasil não é um país livre na medida em que não podemos andar por aí em qualquer lugar e em qualquer hora do dia sem nos sentirmos sob risco.

Mas isto não elimina pontos que incomodam naquela sociedade. Pelas rodovias é frequente a presença de outdoors com propagandas agressivas de advogados com fotos dos causídicos. “Acidente de carro? Somos especializados”. “Injúria? Conquiste até 300 mil dólares”. Um deles estampava a foto do profissional, informava que o mesmo se graduara em Harvard e celebrava a última vitória: um milhão de dólares.

Conversei com algumas pessoas e elas reforçaram a necessidade de fazer seguro contra tudo e todos e que seu custo é alto. Tenho a judicialização da sociedade na conta de algo odioso, que planta e colhe cizânia e falta de compaixão. Neste tocante não faço parte deste mundo.

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Logo depois da tentativa de assassinar o candidato à presidência que venceria o pleito, Adélio Bispo contou com a defesa de quatro advogados, cujos honorários não são modestos. Quem os contratou? Talvez nunca saibamos, mas a reação foi muito rápida. A Santa Casa de Misericórdia informou que Bolsonaro deu entrada na emergência por volta das 15h40min. Na manhã do dia seguinte um advogado cujos préstimos são sabidamente caros era contratado por alguém cujo nome não foi revelado. Três outros advogados juntaram-se para defender o ilustre desconhecido e chegaram na cidade do crime em voo particular.

Todo cidadão tem direito à defesa, mas criminosos com parcos recursos tendem a se valer da defensoria pública, jamais de advogados caros. Diante do insólito, cresceu a suspeita de que houvessem sido pagos por uma facção criminosa (https://www.poder360.com.br/justica/inquerito-da-pf-cita-ligacao-entre-pcc-e-defesa-de-adelio/), o que nunca foi comprovado. Como se ouve volta e meia, o brasil não é mesmo para amadores.

Na semana passada assisti o trecho de uma entrevista. Era um advogado. Lá pelas tantas disse que defende qualquer um, até o diabo, desde que pague. Me senti um alienígena.

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Treinávamos durante a semana e no dia pulávamos cedo da cama. Vestíamos o uniforme composto por calça branca e camiseta verde, com a inscrição São João Batista em amarelo no peito. Pais e parentes postavam-se na Ramiro Barcelos para assistir o desfile da pátria. Numa destas ocasiões desfilei no grupo de bicicletas, com aros enfeitados com papel crepom. O desfile da escola marista tinha como parte fundamental a banda marcial.

Tão logo nos dispersávamos corríamos para assistir o resto do desfile. Estas cenas se deram entre meus oito e dez anos. Aos onze saíamos da escola masculina e corríamos para presenciar a saída do São José, escola das meninas. Era um tempo de inocência, quando o amor ainda não florescera, mas o coração despertara.

Nesta semana escutei que uma escola da região, diante do temido absenteísmo de seus alunos no dia do desfile que se aproxima, decidiu premiar os que desfilarem com um ponto em duas matérias. O fato dispensa comentários e nos faz pensar em que mundo estamos. Sentir saudade do passado não é, necessariamente, nem sempre, mero saudosismo.

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